Durante a Guerra da Secessão, Lincoln disse: “Destrua um inimigo, fazendo dele um amigo”. O conselho era direcionado aos mais próximos, ao se referir aos adversários revoltosos. A China se converteu no amigo-inimigo do mundo capitalista. Cortejada pela Europa que necessita de seu mercado interno e de seus investimentos, favorita das multinacionais dos países desenvolvidos, é também o novo adversário mundial, centro de suspeitas por espionagem, foco de temores por causa de suas ambições imperiais. E para o Brasil também se tornou estratégica! É claro que a China é importante para todos e sua força vem sendo testada todos os dias pelas grandes potências do mundo. Mas devemos entrar nessa guerra comercial e nos aliar com algum lado? Para os polarizados certamente que sim, pois a oportunidade é fantástica para incendiar ainda mais os conflitos que atendem determinadas classes e até mesmo feudos. Para os estrategistas, porém, é chegada a hora de potencializar a indústria interna. Previsões apontam que em 2050 o mundo chegará a 10 bilhões de habitantes e a demanda por alimentos será insana. Com a alta demanda projetada, os alimentos e tudo o que gira em torno deste mercado vão desafiar a logística de atendimento mundial. Pensando dessa maneira, um universo de oportunidades se abre para o Brasil. O mundo vai demandar alimentos mais saudáveis e com rígido controle de qualidade, em função de possíveis doenças. Isso acende a luz vermelha do País, porque ainda exportamos commodities com pouco valor agregado. Como é bem sabido, commodities com baixo valor agregado têm alta competitividade por preço e não pela qualidade. Realidade esta muito diferente do projetado para 2050. Com isso, o Brasil terá de aprimorar e muito sua logística interna para controlar cada etapa da produção e industrialização, além de criar processos ágeis para distribuição e exportação. Embalagens, insumos, transporte, cadeia de abastecimento deverão caminhar em plena harmonia. É claro que todas as etapas passam pela industrialização do Brasil para que produtos acabados possam atender esta demanda mundial. A indústria passa a se tornar a estratégia nacional! A previsibilidade já está lançada para as próximas décadas e ainda temos tempo para reagir. Reação esta que pode alavancar o desenvolvimento das cidades e da economia do País. Gerando empregos e propiciando condições dignas de trabalho e remuneração. Enquanto isso não ocorre continuamos por aqui, exportando o que temos, importando caro o que não temos e não tirando proveito de oportunidades fantásticas que surgem para o Brasil. Estamos caminhando a passos curtos, mas caminhando. Talvez tenhamos de aprender a correr, como o mundo faz. Certamente é hora de escolher um lado, o lado do Brasil. Não pensar em ter inimigos mas, sim, saber lidar com o antigo ditado proferido por sábios. “Ser cortês com todos, sociável com muitos, íntimo de poucos, amigo de um e inimigo de nenhum”.