(Alexsander Ferraz/AT) O filme Ainda Estou Aqui, baseado no livro de mesmo nome de Marcelo Rubens Paiva, é todo da Eunice, interpretada pela magistral Fernanda Torres. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional, provocou em todos nós, brasileiros, aquele sentimento de amor à pátria que sentíamos em épocas de vitórias do Ayrton Senna e até mesmo da nossa seleção brasileira de futebol. Para tantos, trata-se de uma história para polemizar ainda mais as questões de esquerda/direita. Para alguns, um relato de amor pela vida e suas conquistas. Ainda não entendo, frente aos meus 48 anos, a razão pela qual no Brasil demoramos tanto para compreender que não devemos aceitar pequenas migalhas que se transformam em grandes conquistas políticas. Será que um dia conseguiremos não ser o país do vitimismo, da inocência e do assistencialismo para que possamos conquistar o real estado de desenvolvimento? É claro que devemos e iremos celebrar toda e qualquer conquista por meio do seu mérito, assim como o Oscar vencido pelo filme, mas o nosso país e o nosso povo têm condições de fazer mais e melhor? Por que somente em raras condições e lapsos de tempo celebramos uma medalha olímpica conquistada ou uma vitória por uma obra entregue? Por que não somos vitoriosos rotineiramente para celebrar a celeridade do desenvolvimento em diversas áreas como cultura, lazer, educação, esporte, infraestrutura e tantas outras? Continuamos convivendo com um arcabouço legal insano e meios de contratação pública de serviços e projetos que são ineficientes por décadas. O filme Ainda Estou Aqui me fez refletir sobre onde estamos e onde queremos chegar. Ainda estamos aqui aguardando a conclusão da ligação seca entre Santos e Guarujá? Ainda estamos aqui acreditando que um lado político irá resolver todos os problemas em detrimento do outro? Ainda estamos aqui acreditando que mais e melhores empregos surgirão? Ainda estamos aqui convivendo com o gargalo insano e colapsado no acesso terrestre às cidades de Santos e Guarujá? Ainda estamos aqui reféns da estrutura sistêmica instalada em diversos governos que caminham com promessas atrás de promessas aos seus eleitores? Ainda estamos aqui esperando um dia nos tornarmos competitivos o suficiente para que não venhamos a afugentar os investimentos em nossos portos e região? Ainda estamos aqui paralisados e vivendo as guerras nos aplicativos de mensagens sem que haja qualquer mobilização de fato? Ainda estamos acreditando que um dia tudo irá mudar, mas que as gerações estão passando e a grande mudança nunca ocorrerá? Ainda estamos aqui enfrentando aumento de impostos e tarifas que impedem o empreendedorismo nacional e o avanço dos negócios portuários? Ainda estamos aqui e continuamos enfrentando instabilidade jurídica nos contratos portuários do Brasil? Ainda estamos aqui torcendo para que outros portos não se desenvolvam mais ou melhor que o Porto de Santos para que um dia não tenhamos que contar aos nossos netos ou bisnetos como éramos grandes? Assim como aquela nostálgica memória retratada por muitos que tinham crédito no Centro de Santos por trabalharem no Porto? Eu ainda estou aqui e, enquanto o Grupo Tribuna assim o desejar para comentar, defender e criticar de forma construtiva tudo o que é importante ao Porto de Santos, à minha região e ao meu País. E você, ainda está aqui ou onde você está?