(Arquivo/AT) Estamos vivendo um dos momentos mais promissores para o desenvolvimento da infraestrutura da nossa região. Para mim, o mais significativo desde a infância, quando andava de trólebus. Os projetos há muito sonhados nunca estiveram tão próximos: o túnel Santos-Guarujá, a expansão do Porto de Santos com novos terminais, a nova ligação com o Planalto e o Terminal de Passageiros no Valongo, além de investimentos em mobilidade e urbanização por parte do Município. As perspectivas são extremamente positivas, impulsionando tanto o crescimento econômico quanto social, com a geração de milhares de empregos e o fortalecimento da infraestrutura portuária. No entanto, é fundamental planejar desde já para minimizar impactos negativos e garantir que essas mudanças sejam implementadas de forma harmônica. O grande desafio é assegurar a mobilidade do Porto e da Cidade. Nosso sistema viário opera no limite há anos, dentro do Município e nas ligações com o Planalto. Não podemos continuar dependendo de uma rodovia da década de 1940 para escoar o volume de cargas do maior porto da América Latina. Precisamos aprender com os erros do passado. Um novo e importante terminal de grãos está prestes a entrar em operação no Porto, mas seu acesso rodoviário e a estrutura para estacionamento de caminhões não foram dimensionados adequadamente. Se não houver planejamento estratégico e um trabalho coordenado entre todos os setores da sociedade, a Cidade e o Porto não terão condições de lidar com as novas demandas de mobilidade que esses empreendimentos trarão. Ainda temos tempo para agir. Consciente de seu papel, a Associação Comercial de Santos participará, na próxima terça-feira, da audiência pública sobre o leilão do terminal Tecon Santos 10, levando contribuições e sugestões de seus associados do setor portuário e marítimo. O objetivo é colaborar com o projeto do Ministério de Portos e Aeroportos e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), garantindo que essa expansão ocorra de forma eficiente e sustentável. A necessidade de crescimento do Porto de Santos é inegável, mas precisamos levantar questionamentos e propor soluções para que ocorra de maneira estruturada. A nova ligação rodoviária com São Paulo proposta pelo Governo do Estado prevê uma via com duas pistas de rolamento — um número insuficiente para um sistema já saturado. Com o aumento do tráfego devido aos novos terminais portuários, o ideal seria investir em um sistema com no mínimo três pistas. Além disso, é crucial a aprovação de outros projetos de conexão com o planalto, como a ligação do Rodoanel com a Rodovia Cônego Domenico Rangoni, e a ampliação do modal ferroviário, imprescindível para a eficiência do Porto. Outro ponto é a implementação de um plano integrado entre governo e autoridade portuária para modernizar a gestão do fluxo de caminhões, utilizando tecnologias como o agendamento digital e sistemas free flow (cobrança eletrônica de pedágio), já em uso em rodovias do País. A construção de um plano robusto para mitigar os impactos das grandes obras deve estar no centro das discussões. Precisamos garantir que a Cidade e o Porto continuem operando com eficiência durante essas transformações. Vamos trabalhar juntos para que possamos colher os frutos desejados com o progresso.