Viagem inaugural do transatlântico britânico Queen Elizabeth II ao Porto de Santos (Rafael Herrera/A Tribuna-04/04/85) Um homem salta de um barco em movimento e se pendura em uma escada suspensa de corda e madeira, escalando mais de 10 metros de altura pelo costado escorregadio de um navio cargueiro. Abaixo dele, as ondas batem violentamente no gigantesco casco de metal. A ação é necessária para que a embarcação possa ser conduzida de forma segura pelo Porto. Em outra cena de outro tempo, trabalhadores descarregavam pesadas sacas de café de um navio, enquanto outras dezenas de sacas eram içadas por cima de suas cabeças. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nas muretas da Ponta da Praia, apenas o tempo separa os olhares contemplativos de diversas épocas que esperam a passagem dos grandes navios de cruzeiro. Os observadores se divertem enquanto repetem esse mesmo ritual, saudando as chegadas e partidas de passageiros e tripulantes que, provavelmente, nem mesmo conhecem. Neste mesmo espaço, as muretas de elemento vazado resistem à fúria das ondas, que arrebentam durante as ressacas. Em outro fragmento, a passagem do transatlântico Queen Elizabeth 2, ainda na década de 1980. Cerca de 20 anos depois, o cruzeiro temático de outro rei também marcava uma época. O Emoções em Alto Mar, de Roberto Carlos, inaugurava a era de cruzeiros de celebridades no Porto de Santos. Uma lente teleobjetiva aproxima três planos: um casal que caminha pela orla, as ondas enfurecidas e um navio cargueiro. Em outra imagem, a distância focal da câmera flexibiliza uma ótica impossível: uma frota de embarcações flutua no mar escuro acima dos prédios. A perspectiva é repartida em três linhas; o céu, o mar e a cidade. Em contrapartida, incêndios em navios e terminais, a crise da covid-19 e a problemática do transporte de animais são fatos que contextualizam um cenário de complexidade. Do outro lado do cais, um homem sustenta uma saca que parece pesar uma tonelada. Sua presença é imponente e, além de representar a força que consolidou o maior porto do Hemisfério Sul, parece também observar o desenvolvimento da atividade portuária. O homem de pedra não envelhece; apenas assiste ao tempo passar. Como os movimentos grevistas, o monumento ao trabalhador portuário remete à resistência – fator de preservação desse lugar. Ao folhear as páginas da história do Porto, no livro 130 Anos em Fatos e Fotos: Porto de Santos, lançado recentemente pelo Grupo Tribuna, entendemos a importância documental da fotografia. Os repórteres-fotográficos que atuaram ao longo dos últimos 130 anos no Jornal A Tribuna foram testemunhas da história do Porto e construíram coletivamente um amálgama de fragmentos cotidianos que ajudam a compreender a dinâmica sociocultural da região. Das câmeras analógicas, que registraram em preto e branco o início dessa jornada, aos drones que hoje transformam contêineres em pequenos retângulos coloridos sobre o mar, diferentes gerações de profissionais documentaram narrativas e personagens que marcaram nosso tempo e consolidaram o fotojornalismo como protagonista da história. Boa semana!