[[legacy_image_251132]] É bem provável que Ramon Menezes seja mesmo apenas um técnico interino da seleção brasileira, no lugar de Tite, que fracassou em duas Copas do Mundo. A indicação do treinador para responder pela equipe nacional no amistoso programado para Tânger, no Marrocos, no dia 25 de março, pode ser apenas um prêmio pela recente conquista do título do Sul-Americano sub-20, classificando o Brasil para o Mundial da categoria. Por sinal, em uma campanha invicta, que terminou com vitória sobre o Uruguai, na última rodada, por 2 a 0. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O sonho do presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, a julgar pelo amplo noticiário, continua sendo a contratação de um treinador estrangeiro de porte. A prioridade do dirigente, por tudo que se comenta no Brasil e na Europa, é Carlo Ancelotti, consagrado profissional que comanda hoje o Real Madrid. Ao ser provocado sobre o interesse da CBF, com habilidade, responde que tem contrato com o time espanhol até junho de 2024, quando termina a temporada europeia. Nada impede, entretanto, que tal compromisso possa ser interrompido, numa negociação amigável. Com certeza, ele é uma ótima opção, pois há muito tempo que o Brasil precisa de um intercâmbio direto com um profissional europeu, com visão mundial. Ancelotti tem a exata dimensão do que representaria para sua carreira dirigir a seleção brasileira. Até pelos atletas com quem convive, como Vinícius Junior, Rodrygo e Militão, sabe perfeitamente o potencial do Brasil na Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá simultaneamente nos Estados Unidos, no México e no Canadá. Ramon Menezes começou bem no comando da seleção brasileira. De pronto, como se impunha, rompeu com o grupo fechado de Tite. Numa visão geral, o que é mais importante, indicou claramente o início de um profundo processo de renovação do time brasileiro. E mais: sinalizou que os jogadores que atuam no Brasil no mínimo também serão sempre considerados em futuras convocações, o que não ocorreu no período anterior. Dos 23 que foram para o Catar, apenas 11 foram chamados, a grande maioria jovem, ainda com bom potencial para a Copa de 26. Entre os veteranos, estão Casemiro, um dos melhores do mundo em sua posição, Marquinhos, do PSG, e os goleiros Ederson e Weverton. Alisson ficou de fora, apesar de já ter sido considerado até o melhor goleiro do mundo. Inegavelmente, o camisa 1 do Liverpool tem qualidades, mas não fez a diferença na Copa do Catar, como o argentino Emiliano Martínez, que no último minuto da final, no segundo tempo da prorrogação contra a França, praticou uma defesa espetacular com o pé esquerdo e salvou a Argentina de uma derrota e, consequentemente, da perda da Copa. E mais: no desempate por pênaltis ainda fez outra defesa, contribuindo diretamente para grande conquista da Argentina de Lionel Messi. Alisson, sem dúvida, sai como um dos vilões dessa jornada. Ramon chamou nove jogadores que jamais atuaram pela seleção brasileira, entre eles cinco que disputaram o Sul-Americano sub-20: o goleiro Mycael e mais Robert Renan, Arthur, Andrey e Vitor Roque. Esse último tem tudo para se transformar num dos grandes jogadores do Brasil. Sem dúvida, por se tratar do início de um novo ciclo, impõe-se a realização de testes e observações. Ficou claro, contudo, que Ramon Menezes foi além, indicando os critérios que utilizará em eventuais novas convocações, se continuar no cargo. Esse ano, além de amistosos na chamada Data Fifa, começarão as eliminatórias para Copa de 2026. Um resultado convincente contra o Marrocos, um dos destaques do último Mundial, poderá até dar uma sobrevida ao treinador, ganhando tempo para a chegada de Ancelotti. Também foram muito positivas as convocações de Rony e, principalmente, Raphael Veiga, ambos do Palmeiras. Esse último vem se destacando desde o ano passado e simplesmente foi ignorado, como já ocorreu em outras épocas com jogadores como Paulo Henrique Ganso, Falcão e Romário. Em síntese, na prática o Brasil iniciou bem essa nova fase que visa a conquista do hexacampeonato. Além da renovação, o perfil da convocação deve ser entendido também como a busca de um maior comprometimento por parte dos jogadores, uma identidade maior com o País. Praticamente todos que estiveram no Catar se transformaram em estrelas e conseguiram, com méritos, uma grande estabilidade financeira. Tal status não significa que não se empenharam ou não sentiram a perda da Copa. Pelo contrário, até. Contudo, efetivamente fracassaram, muitos com participação nas duas Copas em que Tite esteve. Assim, nada melhor do que a renovação. Pelo menos a vontade de vencer dos novos será muito maior.