[[legacy_image_206990]] A sensação, ou impressão, é de uma nau sem rumo. Do tipo que está prestes a naufragar de vez por falta de um capitão no timão ou por uma colisão com um “arrecife”, uma formação rochosa submersa. A figura, ainda que forte, por analogia, reflete a atual situação do Santos na temporada de 2022. Se até Lisca, popularmente conhecido como “o doido”, pediu para sair do comando do Santos, a situação é crítica. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Há algumas semanas, quando foi contestada a contratação de tal treinador, alertando que o clube estava se “apequenando”, não foram poucos os que divergiram de tal opinião, tendo como principal (e fraca) argumentação o respeito ao clube. A saída de Lisca, após cerca de dois meses, não surpreende. Essa é a terceira vez que ele fica menos de 60 dias em um clube. Além do Santos, permaneceu por pouco tempo no Vasco e no Sport. Ele chegou no dia 20 de julho e nem completou o primeiro bimestre. Com certeza, os responsáveis por sua contratação não avaliaram seu histórico e, principalmente, sua instabilidade, tanto profissional como emocional. Consta que ele pediu demissão, em caráter irrevogável, alegando que não via perspectiva de melhorar o rendimento da equipe. Difícil acreditar, também pelo histórico da atual diretoria, que continua insistindo na tese de que o problema do time é o técnico. Depois da derrota, em plena Vila Belmiro, para o Goiás, por 2 a 1, e o novo fracasso contra o Ceará, pelo mesmo placar, a situação ficou insustentável. Das ruas, via redes sociais, vieram os protestos e a pressão pela sumária demissão. O presidente Andrés Rueda, o mesmo que na semana passada jurou amor a Lisca até o final de seu mandato, em 2023, disse que o desligamento ocorreu de comum acordo. Pode até ter sido, mas o fato é que Lisca só teve relativo sucesso no América-MG. No mais, seguiu sua carreira de “galho em galho”, ou de barco em barco. Poucas horas depois do acerto com o Santos, assumiu o Avaí, outro clube que navega em mares revoltos e está próximo de um grande naufrágio. Desde a saída de Jorge Sampaoli, em média, um técnico tem ficado no Santos apenas 5,2 meses. A lista é grande, de estrangeiros a brasileiros: Jesualdo Ferreira, Cuca, Ariel Holan, Fernando Diniz, Marcelo Fernandes (interino) e Fábio Carille. Salvo engano, Lisca é o sétimo. A questão, sem dúvida, é mais profunda. Não se limita a falta de experiência ou tirocínio, que é a capacidade de percepção que vai além dos cinco sentidos habituais. Não se trata apenas da baixa qualidade técnica do time, salvo exceções como o goleiro João Paulo e mais Ângelo e Marcos Leonardo. Conceitualmente, faltam gestão e visão. Um clube como o Santos não pode ser apenas tratado administrativamente. De longe, fica também a impressão que o presidente está só, que não tem um conselheiro do ramo e com a vivência que o futebol exige. Não conta sequer com um “executivo do meio”, o último também veio e foi demitido em pouco mais de um mês. O mínimo que se espera agora é que não haja nova aventura ou uma simples aposta. No domingo, tem Palmeiras. Depois, Athletico-PR e Atlético-MG. Dura jornada, com aroma de novos fracassos. Se ocorrerem, o fantasma estará novamente na porta. Nas últimas horas, além de mais um argentino, falou-se muito em mais uma volta da Vanderlei Luxemburgo. Pelo momento, talvez seja a melhor opção, de menor risco. Consta que já foi procurado e que, inicialmente, exigiu plenos poderes agora e até o cargo de diretor-técnico em 2023 para evitar qualquer interferência. Vale lembrar que tal treinador começou a perder prestígio quando suas ações foram além do gramado. Nesse momento, porém, talvez seja o único, e último, remédio para o Santos.