[[legacy_image_266565]] Fez bem o ministro da Justiça, Flávio Dino, em determinar à Policia Federal que abra inquérito para apurar a manipulação de resultados no futebol brasileiro. A cada dia, a partir da Operação Penalidade Máxima, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), surge um fato novo, uma ramificação e, principalmente, cresce o número de envolvidos. Literalmente, é uma quadrilha, cada um com seu papel. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Por tudo que foi divulgado até agora, o caso é muito sério, compromete a credibilidade do futebol brasileiro, um bem cultural do País. O futebol, nessa nossa pátria mãe gentil, vai muito além do sentimento pelo esporte. É, como dizem alguns mais exagerados, quase uma religião. Em alguns casos, beira o fanatismo cego, basta ver o que com frequência ocorre entre os torcedores, pois há muito a violência vai além das arquibancadas e por várias vezes termina com vítimas fatais. Em São Paulo, faz tempo que os clássicos são disputados com torcida única. Como será que se sente o torcedor que se sacrifica, chora e gasta até o que não tem para acompanhar seu “time do coração”? Que invade o Centro de Treinamento para cobrar ação, postura e garra de seus ídolos, inconformado com as derrotas do time em campo. No mínimo, hoje, os torcedores devem se sentir enganados, ludibriados na sua boa-fé. São muitos os envolvidos que, num primeiro momento, se disseram injustiçados e ofendidos, jurando inocência e dispostos a processar seus detratores. Os números da semana passada indicavam mais de 50 atletas envolvidos, dos mais variados clubes, tanto da Série A como da Série B do Brasileirão. Há provas, testemunhas e, principalmente, gravações a comprovar a falta de caráter e dignidade de vários jogadores. São atletas que, independentemente do resultado final do julgamento nas esferas esportiva e criminal, fatalmente serão banidos do futebol. Como acreditar que um jogador envolvido num escândalo como esse pode integrar esse ou aquele time? Com certeza, jamais terão a confiança dos seus colegas, também pela traição pura e simples. Alguns perderam até o respeito da gangue manipuladora, dos “cabeças do crime”, por receberem o dinheiro e não cumprirem o estabelecido nos porões do futebol. Segundo o MP-GO, somente na primeira operação havia envolvidos em seis estados, entre eles São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais. Em síntese, nos grandes centros do futebol brasileiro. Pelo menos 16 já se tornaram réus, conforme denúncia aceita pela Justiça de Goiás. No caso do Santos, a acusação envolve o zagueiro Eduardo Bauermann, que teria recebido R\$ 50 mil e não cumpriu o acordo para levar um cartão amarelo. Em um primeiro momento, diante da “reação de indignação” do jogador, negando qualquer envolvimento no caso, a diretoria santista até relevou, acreditando no atleta. Porém, diante da matéria da revista Veja na semana passada, reproduzindo mensagens que teriam sido trocadas entre Bauermann e os manipuladores, a diretoria afastou o jogador do elenco, até que o caso seja definitivamente esclarecido. Decisão absolutamente correta, pois os textos são uma grande indicação de envolvimento direto e não havia mais como ignorar os fatos graves. O Fluminense fez o mesmo com Vitor Mendes, também sob clara suspeita de ter participado da manipulação dos resultados. O Athletico-PR foi mais longe: desligou os atletas Bryan Garcia e Pedrinho do clube, citados em mensagens sobre esquemas de apostas. Eis mais alguns envolvidos e investigados: Igor, do Sport; Romário, ex-Vila Nova; Victor Ramos, da Chapecoense; e Fernando Neto, volante do São Bernardo. A variedade de times demonstra que o esquema é praticamente nacional e atingiu também os torneios estaduais. A partir da ação e publicidade do MP-GO, a tensão entre jogadores, apostadores e manipuladores é grande, com sinais de que os desdobramentos podem ter consequências graves. Quem apostou, pagou pelo resultado e ele não ocorreu, quer o dinheiro de volta. Essa “guerra interna” é positiva do ponto de vista da investigação, fatalmente possibilitará novas revelações, na linha do salve-se quem puder. Nesse clima, quem sabe não surjam novos protagonistas dessa vergonhosa história. É preciso ir fundo, para recuperar os danos causados à imagem do futebol brasileiro e para varrer a sujeira provocada por esse bando.