[[legacy_image_257747]] Que não há dinheiro sobrando, todo mundo sabe. A crise financeira no Santos é antiga. Aliás, quase sempre foi assim. Por má gestão, por ação de curiosos eleitos por falta de opção ou em razão do despreparo para administrar um clube da dimensão do Peixe. Pela diretoria, segundo consta, passaram até dirigentes cujo time de coração era um rival da Capital. Teve também os que juraram amor eterno e mais tarde literalmente cobraram a fatura. O momento atual é crítico e preocupante, não alimenta esperança de um ano melhor do que os três últimos, pelo menos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na última semana, um dos assuntos principais da grande mídia foi a dívida acumulada pelos clubes. Até o Palmeiras tem déficit financeiro, de quase R\$ 300 milhões. Contudo, também tem valor semelhante a receber por vendas ou empréstimos, o que o coloca numa situação privilegiada. E mesmo com um time forte e bom elenco, o Verdão continua investindo. Na sexta, concluiu a compra de Artur, do Red Bull Bragantino, um jogador que era do próprio Palmeiras. Pagou caro, mas tem explicação: era precisa repor pelo menos uma parte da perda com as saídas de Scarpa e Danilo para o futebol inglês. Sem dúvida, o Palmeiras hoje não serve de parâmetro. A comparação da postura do Santos tem que ser feita com Corinthians, São Paulo, Atlético Mineiro e outros grandes do Brasil. Praticamente todos têm uma grande dívida, algumas superiores a R\$ 1 bilhão. O Corinthians possui uma dívida de aproximadamente R\$ 950 milhões, sem contar o saldo devedor do estádio. Mesmo assim, continua contratando e o último reforço foi Chrystian Barletta, revelação do Campeonato Paulista. O São Paulo, com déficit superior a R\$ 500 milhões e devendo até direitos de imagem aos jogadores, foi outro que procurou se reforçar. Pelo menos três foram contratados e o técnico Rogério Ceni sonha com Éverton Ribeiro, que vem perdendo espaço no Flamengo. Todos, sem dúvida, sabem da grande dificuldade que se aproxima com Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Copa Libertadores e Copa Sul-Americana. Esses torneios continentais e a competição nacional eliminatória também são uma boa fonte de receita, pois a cada rodada há cotas que aliviam o quadro financeiro dos clubes. É claro que não cabem aventuras que possam comprometer definitivamente a saúde financeira do clube, porém, boas contratações podem se transformar em investimentos e com retorno garantido, na medida em que ocorram boas performances. Sem um bom time, o risco de fracasso é óbvio e em longo prazo pode representar um prejuízo irreparável. A queda para a Série B do Brasileirão, por exemplo, reduz cotas de televisão e outras verbas oficiais. Na Vila Belmiro, numa análise mais rígida, nenhuma das últimas contratações correspondeu em campo. Tanto é que vários já foram negociados, devolvidos ou tiveram seus contratos rescindidos. O último pacote, a partir de Falcão e Odair Hellmann, envolveu pelo menos cinco jogadores: Messias, Mendoza, João Lucas, Dodi e Vladimir. Na prática, nada acrescentaram e têm poucas chances de evoluir. Assim como Zanocelo e outros que vieram e já foram. Foram apostas, que em geral exigem tempo para respostas em campo. Porém, a situação do Santos é emergencial. A ameaça de eliminação dos torneios e de decepção no Brasileirão é quase natural. Na terça-feira, o Santos estreará na Sul-Americana contra o Blooming sem reforços. O último sonho foi o lateral-direito Blondel, do Tigre, da Argentina. De quase contratado passou a descartado em razão do clube argentino ter aumentado o valor pedido. Em tese, nova aposta. Fala-se agora em Dieguinho, do Goiás, avaliado em R\$ 92 milhões. Fora da realidade, por esse valor sua qualidade teria que ser incontestável. O Santos, inegavelmente, precisa contratar jogadores de comprovado valor e que venham para resolver as muitas carências. Um bom exemplo seria viabilizar o empréstimo de Lucas Veríssimo, do Benfica. Com certeza, resolveria a instabilidade permanente da zaga. Trata-se, contudo, de uma contratação difícil, ainda que o atleta não esteja sendo muito aproveitado. Em síntese, o horizonte é sombrio. Nos bastidores, o processo eleitoral já foi deflagrado, com algumas alianças até inimagináveis. Alguns já se apresentam como “salvador da pátria”. Resta saber em que situação o clube estará em dezembro de 2023.