[[legacy_image_211841]] A ideia de contratar Marcelo Bielsa para assumir o Santos, sem dúvida, foi boa, afinal, o argentino é um técnico consagrado e com um currículo fantástico. Tem experiência internacional, vivência e muita autoridade, além de personalidade muito forte. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na prática, porém, não passou de um grande sonho, tal treinador não se submete a aventuras. Com certeza, se acreditaram na vinda do técnico, a ingenuidade é grande. El Loco, como é conhecido, ao receber a proposta, inegavelmente analisou o clube, sua história e, principalmente, a postura da diretoria no que se refere à relação com o Departamento de Futebol. Deve, sem dúvida, ter ficado assustado com a longa lista de técnicos sumariamente demitidos, alguns com curtos períodos, como Lisca e até Ariel Holan e Fabian Bustos. Desde Jorge Sampaoli, foram seis treinadores, dos mais variados perfis e nacionalidades. E todos sucumbiram à política de resultados imediatos. Marcelo Bielsa é um treinador de projeto de, no mínimo, médio prazo. E mais: não abre mão de um elenco forte, com chances pelo menos razoáveis de disputar títulos. E é obvio que o Santos hoje não tem esse perfil, dentro e fora do campo. Nesse último setor, a característica maior é a instabilidade profissional e até emocional. A atual fase do campeonato, caminhando para o encerramento, e até a Copa do Mundo também devem ter influenciado o treinador na decisão de recusar a proposta do Santos. Bielsa pensa em continuar na Europa, de preferência na Inglaterra, que hoje tem a melhor competição do planeta. Com a recusa de Bielsa, acertou a diretoria em efetivar Orlando Ribeiro como técnico até o final da temporada. Já ficou claro que o problema do Santos não é o treinador, as constantes mudanças comprovam que a questão maior é estrutural, da diretoria ao elenco. Na vitória contra o Athletico-PR, na Vila Belmiro, por 2 a 0, Orlando Ribeiro demonstrou que tem qualidades, visão tática e personalidade, com chances de realizar um trabalho razoável, evitando o rebaixamento e até sonhando com uma vaga na pré-Libertadores. Ao dar nova oportunidade a Ângelo, sinalizou que tem sensibilidade para perceber quem realmente pode elevar o nível técnico do time. Apesar de muito jovem, Ângelo já demonstrou que tem grande potencial e capacidade para acrescentar técnica ao time do Santos. O futebol hoje exige, sem dúvida, condição física e maturidade, mas, na maioria das vezes, prevalece o talento. E esse jogador, mesmo inexperiente e jovem, já provou que é diferenciado. Paralelamente, a diretoria tem que pensar e projetar a próxima temporada. É óbvio que a permanência de Orlando Ribeiro, infelizmente, vai depender do trabalho atual, se conseguir, por exemplo, resultados expressivos e até a classificação para a Libertadores fatalmente continuará no cargo. O ideal é que a diretoria defina rapidamente quem comandará o time em 2023, de modo que possa planejar a próxima temporada em todos os sentidos. De nada adiantará contratar um novo treinador somente em dezembro, sem tempo para montar o elenco. Já é tempo de acabar com a improvisação e submeter o Santos a uma rotina assustadora de incertezas.