[[legacy_image_221910]] Normalmente, salvo exceções, os jogadores de futebol evitam publicamente demonstrar seu descontentamento com o clube ou com companheiros. A grande maioria, pela falta de maior formação, personalidade e temendo retaliações, prefere o silêncio e até a omissão, acreditando que naturalmente o momento, ou a fase, será superado. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Algumas vezes, se houver uma razoável base técnica, algumas vitórias conseguem reverter o quadro, camuflando os problemas. Porém, tempos depois ressurge a crise, expondo novamente a situação crítica. O Santos, no Campeonato Brasileiro que termina neste domingo (13), independentemente do resultado, realizou mais uma campanha melancólica, repleta de medos e sobressaltos. Em nenhum momento, sem nenhum exagero, transmitiu efetiva esperança de um final pelo menos razoável. Seu único mérito talvez tenha sido evitar novamente o rebaixamento para uma divisão inferior. Nesse contexto, é bom lembrar, o clube contou com a colaboração de times como Juventude, Avaí, Ceará e outros, que desde o inicio demonstraram que a queda era inevitável. Só um exemplo: nem contra o Avaí, em São Paulo, o Santos conseguiu a vitória. O pior, porém, ainda estava por vir: o confronto contra o Botafogo, no Rio de Janeiro, que poderia, matematicamente, alimentar o sonho de uma vaga na chamada pré-Libertadores. O resultado foi traumático, a expor mais uma vez a fragilidade da equipe. O time foi da apatia total ao cúmulo de, durante o primeiro tempo, a rigor, não ter chutado uma bola no gol. Perdeu por 3 a 0 e só não levou uma goleada histórica em razão do goleiro João Paulo ter feito grandes defesas. Na prática, uma rotina ao longo da competição. Inúmeras vezes ele foi eleito “o melhor em campo”, nas derrotas e até nas vitórias. O jogo demonstrou, infelizmente, que Orlando Ribeiro ainda não está pronto para comandar o Santos. Era mais uma esperança, principalmente por sua experiência no trabalho de base do São Paulo e do próprio Santos. Nos últimos anos, o aproveitamento de jovens valores tem sido uma solução para o clube, diante da eterna crise financeira. O treinador, porém, apesar da péssima postura do time no primeiro tempo contra o Botafogo, não fez nenhuma alteração no intervalo, pelo menos para tentar mudar o panorama. Bastava uma leitura simples da partida para constatar que era preciso alterar, sob pena de novo vexame. Essa passividade comprovou ainda falta de liderança. Na Vila Belmiro, nos últimos dias, fala-se que o novo sonho é o argentino Juan Pablo Vojvoda, que faz um grande trabalho no Fortaleza. Aliás, adversário deste domingo na Vila Belmiro. Com isenção, dificilmente tal treinador, sonho também do Vasco da Gama e até do Corinthians, que pode perder Vítor Pereira, aceitará trabalhar no Santos, pela total falta de perspectiva. Na linha do que fez Marcelo Bielsa, outro portenho que embalou os sonhos da diretoria. Por tudo isso, foi de grande importância para o clube a entrevista do goleiro João Paulo, veiculada por A Tribuna, após a derrota para o Botafogo. Além de pedir desculpas para a torcida, o jogador foi direto, destacando que “é preciso conversar com o presidente para ver como vai ser o ano que vem”. E acrescentou que muita coisa precisa ser corrigida. João Paulo foi incisivo e feliz, e sua fala tem que ser interpretada como uma colaboração, ao invés de um simples ato de insubordinação à hierarquia tradicional de um clube de futebol. Para ele, pelo valor técnico, liderança e boas chances de mercado, seria muito mais fácil ficar em silêncio, repetindo nos microfones as “baboseiras” da maioria absoluta dos jogadores brasileiros. Comenta-se muito que, administrativamente, a diretoria atual até que faz um trabalho razoável, quitando dívidas oriundas de várias administrações. Porém, futebol não é só isso, notadamente no Brasil, onde prevalecem a emoção e a paixão. Impõe-se, com urgência, um novo modelo de gestão, sob pena de o Santos continuar seu “processo de definhamento”. Quadro triste, mas real. Traduzindo: “debilitação progressiva, extenuação, enfraquecimento paulatino”. Na maioria das vezes, estado fatal.