[[legacy_image_263513]] A rápida passagem de Cuca pelo Corinthians exige debates e reflexões, principalmente pelo caso de estupro em 1987. Crime hediondo, condenável sob todos os aspectos, merece repúdio eterno, uma violência sem tamanho. Não importa que a jovem, na verdade uma criança, tinha apenas 13 anos, poderia ter 30, 40 ou mais. O importante é rejeitar a ação veementemente. Quatro adultos contra um ser indefeso. São eles: Cuca, Eduardo, Henrique e Fernando. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Para comprovar a gravidade do caso, imagine o trauma da jovem e dos pais. As sequelas durarão toda a vida, nada fará esquecer. O ideal seria que Cuca e os outros três, na época jogadores do Grêmio, tivessem cumprido suas penas em 1987, quando ocorreu o crime. Um deles, Fernando, importante ressaltar, foi absolvido da acusação de atentado ao pudor, condenado apenas por estar envolvido ao ato de violência. Consta que apenas observou. Estranhamente, a exemplo do que ocorreu recentemente no caso Robinho, a Justiça suíça não agiu como deveria, envolvendo os organismos internacionais e, principalmente, o Brasil. Dessa forma, o tempo passou, já se foram 37 anos. Uma pena que, na prática, nada tenho acontecido. A reação à contratação de Cuca pelo Corinthians é consequência, felizmente, da grande consciência nacional em torno do respeito à mulher. Era e é inaceitável qualquer ação ou manifestação machistas que violem os direitos fundamentais. Pena que esse processo de luta intransigente tenha demorado tanto tempo. Os protestos de algumas torcidas organizadas do Corinthians, assim como a manifestação do time feminino, são um marco no futebol brasileiro, esporte cuja grande maioria dos ídolos sempre viveu distante da realidade da vida cotidiana. Poucos foram os que não se fecharam no mundo esportivo e se posicionaram em relação aos grandes temas nacionais. Omissão quase generalizada. O Corinthians, por exemplo, tem uma longa história política, forjada na geração liderada por Sócrates, Wladimir e Casagrande. Sob liderança dos três, surgiu a chamada Democracia Corinthiana, desafiando costumes, hábitos e até o sistema interno do futebol e da vida nacional. Esse comprometimento evoluiu para causas sociais e a efetiva implantação do time feminino. O clube, por exemplo, apoia claramente o movimento Respeita as Minas, pelo combate direto ao feminicídio e a qualquer tipo de agressão às mulheres. Com certeza, o presidente do clube, Duílio Monteiro Alves, deveria ter avaliado com profundidade a contratação de Cuca. No mínimo, subestimou o momento e a consciência dos vários setores do clube. Também lhe faltou sensibilidade ao insistir, mesmo diante de tantos protestos, em manter o treinador no cargo. Para piorar o quadro, ficou comprovado que Cuca mentiu ao declarar que a vítima não o reconheceu e que não praticou violência sexual contra a jovem. Informações de jornais suíços e do advogado da vítima desmentiram claramente a versão do treinador. Ainda que tenha sido decretado um sigilo de 110 anos do processo, para proteger a identidade da vítima, um trecho foi exibido, comprovando a culpa do brasileiro. Sem dúvida, a repercussão do caso envolvendo Cuca tem relação direta com os episódios recentes envolvendo Robinho e Daniel Alves, que continua preso em Barcelona. Ambos também se envolveram em casos de violência sexual e sofrem as devidas consequências. O atacante só não cumpre pena de reclusão pelo fato de a Constituição Federal vedar a extradição de brasileiros natos. Porém, ainda corre risco, em razão do governo italiano ter solicitado a execução da sentença no Brasil. O episódio Cuca-Corinthians é uma grande lição para os clubes brasileiros. Num passado recente, o treinador trabalhou no Santos, no São Paulo, no Palmeiras e por duas vezes no Atlético-MG, sem qualquer problema. E ainda foi apontado como um sério candidato ao cargo de técnico da seleção brasileira. Inegavelmente, agora está descartado. Pela legislação suíça, o crime prescreveu após 15 anos. Assim, juridicamente, nada mais pode ser feito. Em tese, Cuca é hoje um homem livre, sem qualquer acusação em contrário. Moralmente, porém, nada apagará o que fez. Em meio ao furacão que o envolveu no Corinthians, deveria pelo menos ter feito um mea culpa, admitindo o grave erro e, humildemente, se desculpando publicamente pelo que fez. Infelizmente, se negou e perdeu uma grande oportunidade de demostrar seu arrependimento.