[[legacy_image_226784]] O impacto da derrota para Camarões na sexta-feira, por 1 a 0, foi grande. Ninguém, com certeza, imaginava um resultado que não fosse a vitória. O dia seguinte, ontem, agravou o quadro emocional interno, em razão das contusões e cortes de Gabriel Jesus e Alex Telles. A contusão do lateral foi grave, no joelho, envolvendo os ligamentos, implicando fatalmente cirurgia e longa inatividade. Juntam-se a isso as lesões e dúvidas envolvendo Danilo, Alex Sandro e principalmente Neymar. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! De repente, do sentimento de time quase imbatível, o Brasil passou para um clima de desconfiança e dúvida em relação ao futuro. Uma reação normal tratando-se de brasileiros. A derrota para Camarões, inédita para uma seleção africana em Copa do Mundo, não deve ser supervalorizada, principalmente pela opção do técnico Tite em escalar um time de reservas, até com Daniel Alves. Não se deve, porém, ignorar plenamente o resultado, independentemente de tudo o que envolveu a partida, como o fato de o Brasil ter entrado em campo com a vaga garantida para as oitavas de final. No mínimo, como admitiu Daniel Alves em entrevista após o jogo, foi um sinal de alerta. Rigorosamente, nessa Copa do Mundo ninguém pode ser subestimado. Os resultados e consequências são claros, com eliminações de favoritos como Alemanha, Bélgica e Uruguai, e de seleções que chegaram como promessas de surpresas, como Dinamarca. A Argentina também quase foi eliminada precocemente ao perder na estreia para a Arábia Saudita. Porém, ressurgiu jogando bem contra Polônia e México e está no páreo. Tem Lionel Messi e outros que podem decidir uma partida. As surpresas positivas até agora são Japão, Coreia do Sul, Senegal, Marrocos e Austrália, que “furaram” a fase de grupos com méritos. É bem provável que não cheguem à final, mas são provas vivas de que tradição, história e conquistas hoje não intimidam nem garantem sucesso. Inegavelmente, o futebol vive uma nova ordem mundial, a globalização e o intercâmbio permanente dos atletas com os grandes centros mudaram o panorama geral. O atacante Son, da Coreia do Sul, adversário amanhã do Brasil, é um grande exemplo. Um craque que pode decidir uma partida, como o fez no jogo de sexta-feira contra o Portugal. É a estrela de uma seleção que tem velocidade, dedicação total e um grande sentido coletivo. No mínimo, impõe grande respeito. Pela qualidade técnica do time titular, o Brasil tem grande chances de vitória. Na prática, porém, em razão das contusões, cortes e dúvidas, Tite terá que reinventar o time. Hoje há o risco de ter apenas um lateral à disposição, curiosamente, Daniel Alves com seus 39 anos. A necessidade de improvisação parece inevitável. As perdas antes e durante a Copa sempre ocorrem, o fundamental é ter um grupo apto a superar seus problemas de ocasião. Ao anunciar a relação dos 26 jogadores, o treinador privilegiou o ataque e hoje essa fatura está sendo cobrada. Um exemplo: a convocação de três centroavantes, dois com as mesmas características, Richarlison e Pedro. Assim mesmo, o Brasil tem boas chances de avançar no torneio, paralelamente a França, Argentina, Inglaterra, Espanha, Portugal e até Holanda, que ontem eliminou os Estados Unidos. A derrota para Camarões, como definiu bem a manchete do caderno de Esportes de A Tribuna ontem, pode, sim, ser considerada uma “derrapada”, passível de correção com habilidade e inteligência. Afinal, estava em campo um time que jamais jogou junto uma partida oficial. A opção de Tite por preservar os titulares pode ser contestada, mas foi prudente pelo risco natural de uma partida e pela onda de lesões que abalou a França e agora ameaça o Brasil. Se Neymar voltar, amanhã ou nas quartas de final, caso o Brasil se classifique, o quadro muda completamente, desde que tenha razoáveis condições de jogo. Pode fazer a diferença. Sem ele, a esperança é Vinícius Junior, se transformando como o grande protagonista da Copa e do Brasil. P.S.: O Rei está novamente internado. Seu estado é grave, segundo as últimas informações. As ações agora são apenas paliativas, uma pena. Por coincidência, durante uma Copa do Mundo, ninguém simboliza mais tal competição. Um fenômeno único. Está nas mãos de Deus. Como “Deus” que foi no futebol. Quem o viu... Vale a mensagem enviada ontem pela estrela francesa Mbappé: “Ore pelo Rei”.