[[legacy_image_240468]] Mais um atleta brasileiro corre o sério risco de terminar uma grande carreira no futebol de forma melancólica e na prisão. E a exemplo de Robinho, ex-Santos e seleção brasileira, envolvido em um caso de estupro - ou agressão sexual. A bola da vez é Daniel Alves, recordista em títulos e ídolo por onde passou. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Apesar de condenado na Itália a nove anos de prisão, Robinho está solto e curte férias infinitas em Santos e Guarujá, protegido pela Constituição, que não permite a extradição de cidadãos natos. Se, porém, deixar o território brasileiro, será preso, pois seu nome está na lista da Interpol. A situação de Daniel Alves é mais complicada, pois está preso preventivamente na Espanha. Apesar de ter se apresentado espontaneamente para depor, a pedido do Ministério Público da Catalunha, o lateral saiu algemado e diretamente para a prisão, fato até certo ponto raro, pois o normal é que o acusado aguarde as investigações em liberdade, usufruindo também do chamado “benefício da dúvida”. O histórico do caso Robinho deve ter influenciado a decisão da juíza Maria Concepción Canton Martin, que também suspendeu o direito a fiança, complicando ainda mais a condição do jogador. É óbvio que cabe recurso à própria autoridade e, em caso de indeferimento, a um tribunal superior. Ao decretar a prisão preventiva, a juíza levou em consideração vários pontos, a começar pelo risco de fuga e eventual interferência nas investigações, se permanecesse em liberdade; o poder econômico do atleta e a sua dupla cidadania. Porém, segundo jornais espanhóis, pesaram principalmente a contundência do depoimento da vítima, cuja identidade é mantida em sigilo; os exames biológicos realizados num hospital, apontando claros indícios de agressão sexual ou lesões características de um estupro; e também as primeiras contradições de Daniel Alves. Inicialmente, apesar de ter admitido a presença na boate, Daniel Alves divulgou um vídeo negando as acusações e garantiu que sequer conhecia ou viu a vítima. Segundo uma publicação espanhola, posteriormente o jogador admitiu uma “relação consensual”, contrariando sua fala inicial e o depoimento da jovem, que detalhou as agressões que sofreu no banheiro. Em síntese, mentiu. E se complicou. Tais acusações são extremamente graves, caracterizando “poder de submissão”. Um quadro absurdo e inaceitável, difícil de ser criado apenas para eventual obtenção de uma indenização. Sem contar as imagens das câmeras de segurança, gravando tudo até a entrada do banheiro. Cabe uma pergunta simples: apesar de casado com uma espanhola, por que o jogador foi com um amigo numa boate por volta das 2 horas? Não é um comportamento padrão de quem tem a família e o respeito ao próximo como base de sua vida. Sem pré-julgamento, é difícil acreditar na versão do jogador ou considerar que a denúncia da vítima é pura fantasia. Sua situação é mais complicada do ponto de vista legal: em outubro do ano passado, na Espanha, foi aprovada uma nova lei para crimes sexuais. A nova legislação está baseada na necessidade de consenso para consumação de um ato sexual. A lei é considerada uma das mais vanguardistas em vigor no mundo. Por tudo isso, a julgar pelos fatos, indícios e provas materiais, é bem provável que Daniel Alves tenha uma condenação exemplar, superior a 12 anos. Se isso se confirmar, será um triste fim para uma carreira gloriosa. O Pumas, do México, onde jogava (ou enganava) atualmente, já anunciou a rescisão unilateral de seu contrato, por justa causa, pelo problema de o jogador atentar contra os princípios e valores do clube. Com certeza, é apenas o começo de uma série de prejuízos financeiros e morais. O caso Daniel Alves se soma a vários outros envolvendo atletas de futebol no Brasil. Além de Robinho, o ex-jogador Cuca, atualmente treinador, também se envolveu em uma questão semelhante em Berna, na Suíça, em 1987. Ele e mais três jogadores atentaram contra uma jovem de apenas 13 anos e foram presos. Depois, acabaram condenados, mas já tinham retornado ao Brasil. O técnico, até hoje, optou pelo silêncio obsequioso. Em setembro de 2022, no Rio de Janeiro, três atletas do Botafogo de Ribeirão Preto, Alexis, João Diogo e Eduardo Barbosa, também se envolveram num caso de acusação de estupro. Todos esses episódios demonstram que alguns jogadores de futebol, pela fama e dinheiro, se acham acima da lei. Na Europa, a história registra crimes semelhantes, mas punidos com rigor. É o mínimo a ser feito. Que a Justiça prevaleça no caso Daniel Alves. Por tudo que fez em campo, esse final não estava no script da vida do jogador, que sempre teve a soberba e arrogância como características de sua personalidade.