[[legacy_image_228614]] A exemplo de 1982, na Espanha, quando o time mágico do Brasil foi eliminado pela Itália, por 3 a 2, não faltarão críticas e justificativas para tentar explicar a derrota de sexta-feira (9) para a Croácia, nos pênaltis, nas quartas de final da Copa do Mundo do Catar. Do gol sofrido quase no fim da prorrogação à convocação final, escalação, postura, luxo exagerado, mordomia, excessos nas comemorações, danças, contusões, ordem dos batedores na cobrança dos pênaltis e queda de nível de produção. Literalmente, “vale tudo”, como dizia o grande Tim Maia. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A lista pode ser bem ampliada, basta ter vontade de justificar ou iniciar a tradicional “caça às bruxas”, conhecido movimento de perseguição religiosa, no século 15, ocorrido em vários países da Europa. Atualmente, o termo se refere a qualquer investigação conduzida com publicidade, supostamente com o objetivo de revelar atividade subversiva, deslealdade, corrupção e principalmente responsabilidades. De uma maneira simples, como exige o futebol, a derrota é de responsabilidade coletiva. Por incrível que possa parecer, os dirigentes da CBF devem ser preservados, pois fizeram e deram tudo o que era possível para viabilizar as condições necessárias para a tal conquista do hexacampeonato. Tite errou? Sim, em vários momentos, porém, não se pode simplesmente descartar o trabalho realizado ou responsabilizá-lo individualmente. O treinador falhou na convocação final, ao incluir Daniel Alves, por exemplo, e na sexta-feira pecou seriamente ao substituir Vinícius Junior no segundo tempo do jogo. Não se tira um jogador diferenciado, que a qualquer momento pode decidir a partida, impunemente. Ao promover tal alteração, no mínimo, ajudou o adversário, baixou o índice de preocupação da defesa da Croácia. Foi isso que determinou a derrota? Não, é claro, muita coisa aconteceu depois da alteração. E se Rodrygo tivesse entrado no lugar de Paquetá, que não repetia as boas atuações anteriores? No futebol, é indiscutível, o “se” não existe, assim como o “talvez”. Vale o que foi feito e ocorreu. Não tem volta, a história não se muda depois de registrada. O Brasil jogou bem? Até que sim, na maior parte do tempo, porém teve pela frente um adversário competente, experiente e com um trio de meio campo espetacular, liderado por Modric, do Real Madrid, do alto dos seus 37 anos. Neymar, sem dúvida, finalmente foi decisivo, fazendo um lindo gol, mas Modric foi fantástico, liderando sua seleção. Em mais uma boa justificativa para tentar explicar a eliminação, pode-se refletir sobre a efetiva falta de uma liderança clara em campo. Nesse contexto, pode-se responsabilizar Casemiro ou até mesmo Thiago Silva, do alto dos seus 39 anos. Um deles, sem dúvida, poderia ter evitado que o time ficasse exposto ao contra-ataque fatal da Croácia que determinou o empate. No lance, pouco antes do chute decisivo, na proximidade da área, havia mais jogadores da Croácia do que do Brasil. Pode isso? Não, é óbvio, mas essa ingenuidade aconteceu na Espanha e se repetiu agora no Catar. Numa leitura labial feita horas após o jogo, ficou clara a revolta de Neymar. Em síntese, disse ele, se referindo aos companheiros: “Vai subir para quê? Não tinha necessidade...". Sem dúvida, é uma boa justificativa, o ideal seria manter uma linha de pelos menos quatro jogadores para evitar surpresas. Entretanto, as circunstâncias levaram o Brasil ao ataque, dentro do tal DNA ofensivo. Ou da estratégia Rec 5, criada por Tite para tentar recuperar a posse de bola em cinco segundos, pressionando o adversário em seu próprio campo. Nossa seleção é diferente do Marrocos, que foi estratégico, não se expôs e chegou à semifinal. Inegavelmente, não cabe ao Brasil tal postura, por sua história e pela reconhecida qualidade dos seus jogadores. A maioria já voltou para o centro da Europa, para retomar a vida nababesca e, em pouco tempo, esquecer a Copa do Catar. Para o Brasil, entre os jogadores, voltarão apenas Pedro, Weverton e Everton Ribeiro. Afinal, nosso time é mundial. Afora outras muitas justificativas, a conclusão é uma só: o Brasil novamente decepcionou, provocou mais uma grande frustração. Infelizmente, para os brasileiros, a conquista da Copa do Mundo representa muito mais que uma simples competição esportiva. Ao invés de procurar justificativas ou eleger heróis e vilões, técnico e jogadores geniais ou bestiais, é hora de simplesmente aceitar o fato consumado. Uma derrota dolorida, que machuca muito, ninguém esperava. Como exibiu em sua manchete de capa um grande jornal europeu, o “Brasil dançou”. Não cabe mais procurar justificativas ou “justiçar” esse ou aquele. Vida que segue. 2026 tem mais.