[[legacy_image_268308]] Ainda é cedo, muito cedo, para fazer um prognóstico sobre o Campeonato Brasileiro. Neste final de semana se desenvolve apenas a sétima das 38 rodadas da competição, uma das mais longas e difíceis do mundo. Algumas previsões, porém, começam a se confirmar, como a consistência de Palmeiras e Fortaleza e o protagonismo do Fluminense. O time carioca, sem dúvida, confirma a boa fase iniciada no torneio estadual, que terminou com uma goleada histórica contra o Flamengo, por 4 a 0. O time comandado por Fernando Diniz é a grande atração, com seu estilo de jogo nada convencional, a partir de uma postura tática única. Aliás, ao treinador tem que ser dado todo o crédito pelas performances da equipe em campo, privilegiando o coletivo e a posse de bola. Não abre mão de suas convicções, acredita que é possível mudar. Ainda assim há espaço para destaques individuais, como o artilheiro Cano, o lateral Marcelo e principalmente o meia Paulo Henrique Ganso, que recuperou sua genialidade em campo. Com certeza, o torcedor santista, que por picuinha recusou a volta do jogador para o Santos, deve estar se lamentando profundamente. Ganso rigorosamente comanda o Fluminense em campo, com seus passes objetivos, surpreendentes e de muita classe. Na essência, seu raciocínio e visão de jogo estão acima do geral. Na esteira do Fluminense, esse início de campeonato também apresenta algumas surpresas, como o Botafogo e até o Cruzeiro, que voltou à Série A no final de 2022. Impõe-se também o registro da recuperação do São Paulo, após a chegada de Dorival Júnior, e a luta do Athletico-PR em elevar definitivamente seu status e ser considerado um dos grandes do futebol brasileiro. No campo da irregularidade prevista estão Flamengo, Atlético-MG e até Santos e Grêmio. Por coincidência, todos tinham 6 pontos até o início da rodada ontem. Há também decepções, a maior é o Corinthians, com poucas perspectivas de evolução. O chamado “Timão” vive uma grande crise, muito além do nível técnico do elenco. Desde a polêmica em torno da contratação de Cuca e a onda de críticas pelo seu passado envolvendo uma acusação e condenação por estupro, o ambiente é o pior possível. Entre dirigentes da diretoria e Conselho Deliberativo, entre jogadores dos times masculino e feminino e no âmbito dos torcedores, o clima é de profunda tensão. A razão maior desse tumulto interno foi a manifestação pública, do time feminino, nas redes sociais, condenando a contratação de Cuca. O posicionamento das jogadoras, até pelo comprometimento do clube em relação ao tema, foi absolutamente correto, afinal, o clube apoia a campanha Respeita as minas. A contratação do novo treinador foi mais um grande desgaste, pelas recusas de Tite e Mano Menezes e a chegada de Vanderlei Luxemburgo, após mais de um ano de puro ostracismo. Pelo fracasso dos últimos trabalhos, esperava-se um treinador diferente, sem a arrogância, prepotência e empáfia que sempre o caracterizaram. Nesse pouco tempo, Luxemburgo acumulou quatro derrotas e dois empates e problemas de relacionamento com alguns dos principais jogadores. A consequência é a fraca campanha do time, que hoje enfrenta o Flamengo no Maracanã. Até nas entrevistas pós-jogo o treinador continua rigorosamente o mesmo, com seu “ar professoral” a tentar corrigir perguntas e distribuir ensinamentos sem nenhum fundamento. É certo que algumas questões são óbvias e até irritantes, isso, porém, não lhe dá o direito de ser agressivo e até faltar com respeito. A lamentar também a falta de reação de alguns profissionais, que aceitam passivamente tanta soberba. Num dos vários protestos dos torcedores, no Centro de Treinamento, avocou uma liderança que não tem, se dispondo a conversar com os grupos organizados no sentido de obter um prazo para recuperação do time. Aparentemente, até conseguiu, mas uma nova derrota hoje, ou a eliminação da equipe na fase de grupo da Libertadores, fatalmente o colocará em xeque, como num jogo de xadrez. É um momento crucial, onde o rei está sob ameaça e a derrota é bem provável.