[[legacy_image_299200]] Sem dúvida, ressurgiu a esperança de o Santos evitar o rebaixamento para a Série B. A vitória sobre o Bahia, em plena Fonte Nova, por 2 a 1, foi surpreendente, pelo histórico do time na competição. Com isenção, nem o mais fanático torcedor acreditava em um resultado positivo, principalmente pela forma que ocorreu, com um gol além do tempo regulamentar. Uma máxima antiga assegura que o futebol não tem lógica e é rigorosamente imprevisível e surpreendente. Ainda que não seja uma verdade absoluta, muitos resultados comprovam que nem sempre prevalece o óbvio, o natural. Na Bahia de “todos os santos”, o da Vila reapareceu como Fênix, num voo digno de sua história. Na verdade, a semana foi completa: uma vitória inesperada no campo e outra fora dele, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), ao obter um efeito suspensivo à punição de atuar dois jogos em casa sem a presença do torcedor. Na fase atual da competição, a pressão dos torcedores é fundamental, o momento é de decisão. Por coincidência, o próximo adversário do Santos será o Vasco, time que luta para evitar um novo retorno para a Série B. O time carioca, hoje com 23 pontos, tem um jogo a menos do que o Santos, atualmente com 24 – os cariocas enfrentam o América-MG amanhã, em Belo Horizonte. O Vasco vive um momento positivo, vencendo Fluminense e Coritiba de forma categórica, com duas goleadas, respectivamente, 4 a 2 e 5 a 1. Essa ascensão é fruto dos bons reforços contratados na última janela de transferência e de um técnico de personalidade, Ramón Diaz. Ao assumir, sua primeira ação foi elevar o ânimo de seu grupo, ao garantir que o Vasco não será rebaixado. Ainda que a retórica não defina partidas, é importante para mudar o ambiente, transmitindo confiança ao grupo. Na Vila Belmiro, um dos principais motivos da instabilidade do time, junto com a falta de maior qualidade técnica, é justamente a constante troca de treinadores na gestão atual. Incluindo os interinos, foram 12, das mais diversas nacionalidades. Com a demissão de Diego Aguirre, a diretoria optou por mais uma solução interna, promovendo novamente o auxiliar e ex-jogador Marcelo Fernandes. Nessa altura da competição, foi uma solução racional, afinal, nenhum treinador sem identidade com o clube conseguirá efetivamente mudar o quadro atual num curto prazo. No mínimo, Marcelo Fernandes e os jogadores precisam de tranquilidade e apoio para tentar salvar a equipe. Nesses quase três anos de gestão, passaram pela Vila Belmiro os mais variados tipos de treinador e nenhum deles deu certo. Aventuras como Paulo Turra, Lisca e alguns estrangeiros só contribuíram para o fracasso atual. O sonho atual é Fábio Carille, no momento trabalhando no Japão. Mesmo tendo salvado o Santos de um rebaixamento no Paulistão, também acabou demitido. O arrependimento pelo desligamento do treinador já foi admitido publicamente, mas na prática é um sentimento inútil, não muda nada. A meta agora é única: vencer o Vasco na Vila Belmiro e observar com atenção direta os resultados de Bahia, Goiás e América-MG e os times que estão próximos, como Cuiabá, São Paulo, Internacional e Cruzeiro. Esses três últimos, porém, mesmo ameaçados, pelos elencos devem ter maior capacidade de reação. Muitos serão os confrontos cruzados envolvendo diretamente os times sob ameaça e outros contra adversários que brigam pelo titulo ou por vaga na Libertadores. Esse quadro torna difícil cravar os quatro rebaixados. Por enquanto, os dois primeiros candidatos são Coritiba e América-MG. É fundamental somar pontos a cada rodada, de preferência com vitórias, que garantam três pontos. Depois do Vasco, a curto prazo, o Santos terá o Palmeiras, em São Paulo, e Bragantino, na Vila Belmiro. No mínimo, dos nove pontos o Santos terá que ganhar seis, admitindo-se que a lógica indique uma vitória do Palmeiras. Na prática, serão três jogos muito difíceis, pelo momento do Vasco, a boa fase do Bragantino e o poder do Palmeiras. No Rio Grande do Sul, há um slogan famoso: “No está muerto quien pelea”. Numa tradução simples: “Não está morto quem disputa, quem compete, quem luta”. No Liverpool, da Inglaterra, antes do início de cada partida, os torcedores entoam um “hino” cujo refrão é “You’ll never walk alone” (Você nunca caminhará sozinho). Nesse momento crítico, o torcedor pode exercer um papel fundamental, praticamente decisivo. O grande goleiro e ídolo Rodolfo Rodrigues disse certa vez que a Vila Belmiro e os torcedores sempre foram um fator de intimidação, é preciso restabelecer essa parte da história.