[[legacy_image_272237]] Em entrevista na última quarta-feira, o coordenador de futebol do Santos, Paulo Roberto Falcão, descartou a demissão do treinador Odair Helmann. De todo o contexto da manifestação, vale destacar um ponto que até justifica a decisão: “Ele faz o que pode”. Essa frase do “rei de Roma”, inegavelmente, trata-se de uma grande verdade e expõe a realidade. Não há dúvida de que o técnico, apesar de limitado, faz o possível, é um profissional sério e que trabalha intensamente, buscando sempre o melhor. Se não consegue, com certeza não lhe cabe culpa total. Um exemplo extremo: com Pep Guardiola a campanha do Santos seria diferente? É claro que não, milagre só Deus faz, assim mesmo a partir de determinadas condições. Os últimos dois resultados, principalmente o da semana passada, quando o time perdeu para o Bragantino por 2 a 0, confirmam que a razão maior é a qualidade do time e a inexperiência de alguns jogadores com claro potencial técnico. A performance do Santos em Bragança, mais uma vez, foi assustadora, ampliando a preocupação em torno do resultado final da equipe no Campeonato Brasileiro. Com o atual elenco, persistirão a irregularidade e principalmente a quase incerteza a cada rodada, a depender do nível do adversário e do local do jogo. Se for jogo fora de casa, a derrota é quase inevitável. É uma equipe sem personalidade. A derrota para o Bahia e a consequente eliminação da Copa do Brasil eram mais do que esperadas. Ao apenas empatar o jogo de ida na Vila Belmiro por 0 a 0, as chances de classificação diminuíram muito, quase zero, pelo histórico e pelas performances recentes. Pelas circunstâncias, nos pênaltis, a decepção foi maior. Por instantes, inegavelmente, o torcedor sonhou com a passagem para as quartas de final da competição. Ainda que tivesse conseguido a vitória, o futuro na competição era curto, pela clara diferença técnica entre os classificados, tais como Palmeiras, Grêmio e Flamengo, dentre outros. A eliminação também causou prejuízos financeiros, com o clube perdendo cotas expressivas. A pressão sobre Odair Helmann é grande, até o jogo de ontem contra o Internacional, eram cinco jogos sem vitória no balanço das três competições. Por coincidência, o time gaúcho vive um momento semelhante, também foi eliminado da Copa do Brasil e venceu apenas um dos últimos cinco jogos no Brasileirão. Nessa campanha está uma derrota para o Grêmio, eterno rival. Nesta semana, o Santos terá mais pressão: na terça o adversário será o Newell’s Old Boys, pela Copa Sul-Americana, na Vila Belmiro. Se perder, estará praticamente eliminado, sobrando apenas o Brasileirão, cuja campanha é no mínimo fraca. A posição de Paulo Roberto Falcão é correta, ainda que contrarie a cultura do futebol brasileiro, na qual o que vale é o resultado. Sem dúvida, trocar de técnico agora de nada adiantará. Essa política, adotada nos últimos dois anos, nada acrescentou, pelo contrário, só tumultuou o ambiente na Vila Belmiro. A solução é óbvia: qualificar pelo menos o time titular, se possível nos três setores. Na falta de dinheiro, como é o caso do Santos, a saída envolve criatividade e um mínimo de ousadia. É preciso olhar o mercado com atenção e observar oportunidades, como a situação de Lucas Veríssimo, revelado pelo próprio clube, atualmente no Benfica. O jogador, que perdeu espaço por causa de uma grave contusão e longa inatividade, está recuperado e o clube português estaria disposto a emprestá-lo para valorização. O Corinthians há algum tempo observa o atleta e está trabalhando para viabilizar a cessão temporária. Com certeza, Lucas Veríssimo daria estabilidade à defesa do Santos, aliviando a responsabilidade do goleiro João Paulo, que continua sendo destaque do time a cada rodada. É um fato positivo, é óbvio, mas também é um sinal de fragilidade do sistema defensivo e, por extensão, do time. A guerra entre Ucrânia e Rússia, no futebol, foi uma importante janela de oportunidade para repatriação de alguns brasileiros, ainda que temporariamente. Vários clubes aproveitaram, outros dormiram em berço esplêndido, fechados em sua política pequena, sem ambição e um mínimo de visão. Ainda há tempo para mudar e garantir pelo menos uma campanha próxima da realidade do clube. A eventual troca de técnico em nada vai ajudar, pelo contrário, comprometerá ainda mais a situação e o futuro do clube em 2023, ano que terminará com eleição para presidente. Se o time não se mantiver na Série A, o futuro será ainda mais dramático.