[[legacy_image_248072]] O Brasil está novamente no noticiário mundial. Infelizmente, não por causa de resultados ou grandes conquistas esportivas. Em qualquer site nacional ou internacional, os personagens da última semana foram novamente Daniel Alves e Robinho, ambos por ações na área criminal. Basicamente, por acusação de violência sexual, ou estupro, na Europa. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Os status dos processos são bem diferentes. Robinho já foi condenado em três instâncias, na Itália, sem direito a quaisquer recursos, e Daniel Alves está preso desde janeiro, em Barcelona. O atacante está livre e, simultaneamente, confinado em uma mansão no Guarujá. Segundo consta, evita aparições públicas, temendo protestos e até ofensas pelo que fez na Itália. Não pode, porém, sair do Brasil, e se o fizer será automaticamente preso, seu nome sofreu a chamada implementação da difusão vermelha (red notice) na Interpol. Ao tentar desembarcar ou embarcar na maioria dos aeroportos do mundo, de pronto será detido e poderá ser extraditado para a Itália, cumpridas as formalidades legais. Porém, a Itália, corretamente, não desiste do cumprimento da pena. Na última semana, um novo capítulo: oficialmente, o governo italiano pediu a transferência da execução penal, para início imediato de cumprimento no Brasil. E mais: que o mesmo se proceda contra o amigo Ricardo Falco, também condenado pelo mesmo crime. O efeito prático e imediato é muito difícil, dependendo principalmente da homologação da pena pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Uma segunda possibilidade seria a Itália solicitar a transferência do processo penal para o Brasil. Tal pedido é ainda mais complexo, pois implicaria ao Brasil iniciar do zero o processo contra o jogador. Sem dúvida, levaria muito tempo, com resultado imprevisível. De qualquer forma, é extremamente válida e positiva a iniciativa italiana, pois Robinho não pode continuar vivendo como se nada tivesse acontecido. A impunidade é que estimula crimes tão hediondos. O atacante foi condenado por violência sexual em grupo contra uma jovem albanesa, em Milão, em 2013. A situação de Daniel Alves é bem mais complicada. Ele foi preventivamente preso justamente para evitar a fuga da Espanha. Desde que o caso veio a público, o lateral já apresentou quatro versões diferentes, a primeira garantindo até que sequer conhecia ou tinha visto a jovem na boate. Depois, admitiu que conhecia, revelou que houve relação consensual e agora, em meio ao recurso para responder o processo em liberdade, disse que estava embriagado e que não se lembra de nada. Fica difícil acreditar na inocência do jogador brasileiro. A mentira, via de regra, compromete o autor e invariavelmente tenta esconder a responsabilidade. A decisão, agora a cargo de três juízes, foi adiada para esta semana. A defesa do jogador está otimista, pelo histórico dos três magistrados, que em outros processos se mostraram contrários a longas prisões preventivas. São considerados “pró-liberdade”. Mesmo que seja solto, a exemplo de Robinho, pelos indícios, provas, testemunhos e depoimentos, além das contradições até infantis, dificilmente Daniel Alves escapará de uma condenação exemplar. É importante considerar também a postura da vítima, que descartou qualquer possibilidade de um acordo indenizatório. Ela deixou bem claro para a advogada que quer simplesmente justiça. Casos como os de Robinho e Daniel Alves têm que ser exaustivamente divulgados e acompanhados a cada etapa. Só assim ações semelhantes serão evitadas. Fama e dinheiro não dão a ninguém o direito de agir fora da lei. Alguns, porém, lamentavelmente, acreditam que o status social e um bom currículo esportivo são salvos condutos para o crime violento contra mulheres. A origem de tudo isso está também na falta de nível cultural da grande maioria dos atletas. São raros o que têm capacidade para entender os limites naturais. Basta, por exemplo, observar a maioria das entrevistas. São vazias e repletas de frases feitas, nada rigorosamente acrescentam. Só com educação desde a base o quadro será gradativamente alterado.