[[legacy_image_199947]] Nosso Rei está quieto, no seu refúgio na Praia de Pernambuco, em Guarujá. Segundo um amigo muito próximo, dentro do delicado quadro clínico que o persegue há algum tempo, está bem, continua “driblando” os imprevistos e problemas do dia a dia. Seu silêncio muitas vezes nos atordoa, como está escrito na célebre letra da música Cálice, de Gilberto Gil e Chico Buarque, mas é compreensível. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A amigos, ao longo da carreira, sempre confidenciou que homenagem não se pede, apenas se agradece, tem que ser espontânea. Ao longo da carreira, sem dúvida, foi homenageado de variadas formas, foi reverenciado por reis, rainhas e presidentes, em muitos países e estados, como França e Minas Gerais. Em seu estado natal, foi literalmente coroado, antes de uma partida contra o Atlético-MG. Sem contar que, segundo consta, por três dias, até paralisou uma guerra entre as cidades de Kinshasa (hoje parte da República Democrática do Congo, antigo Congo) e Brazzaville, em 1969. Quando completou 79 anos, o Santos prestou nova homenagem, anunciando, em 2019, que até o final da temporada a camisa 10, eternizada pelo Rei, passaria a contar com uma coroa em cima do escudo. Com certeza, porém, ainda falta a grande homenagem a Pelé, por direito absoluto: a aposentadoria da camisa 10, até para preservá-la e evitar que continue sendo usada indevidamente. Igual, sem dúvida, jamais surgirá outro. Esse reinado nunca terá um sucessor que rigorosamente consiga substituí-lo, ainda que alguns até tenham honrado, como Pita, Ailton Lira e Paulo Henrique Ganso. Consta que há, no Conselho Deliberativo do clube, um projeto que prevê a aposentadoria definitiva da camisa 10. Porém, extraoficialmente, parece que a tramitação literalmente “está emperrada” em uma das comissões, sem maiores justificativas. Impõe-se, é inegável, uma ação imediata, afinal, ninguém é eterno e, conforme admitiu a amigos o próprio Rei, homenagens devem ser feitas em vida. As póstumas, ainda que válidas, se tornam apenas um capítulo da história. O Santos e a própria Confederação Brasileira de futebol (CBF) deveriam estar atentos ao que ocorre principalmente no Estados Unidos, em suas diversas ligas. Na NBA, com critérios rigorosos, até para não banalizar, é comum os clubes aposentarem as camisas de seus grandes ídolos. São muitos os exemplos, como o Chicago Bulls, que tirou de seus uniformes, dentre outros, os números 23, de Michael Jordan, e 33, de Scottie Pippen, ambos com mais de 10 temporadas no clube. Na entrada do United Center, ginásio dos Bulls em Chicago, há uma estátua de Michael Jordan, em mais uma homenagem ao ‘Rei do Basquete’. Nada mais justo. O Boston Celtics, franquia mais vencedora do basquete profissional norte-americano, informou que a camisa 34 de Paul Pierce também ‘sairá de cena’, em reconhecimento ao que o atleta fez pelo time entre 1998 e 2013. Há alguns dias, numa iniciativa inédita, a NBA e a Associação dos Jogadores da NBA (NBPA) anunciaram que vão aposentar a camisa número 6 de todas as equipes da liga em homenagem a vida e ao legado de Bill Russell, jogador que foi campeão 11 vezes e pioneiro na luta pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Russel morreu no dia 31 de julho, aos 88 anos. Importante: essa será a primeira vez que a liga aposenta a camisa de um atleta, independentemente da vontade dos clubes. A camisa 6 ficará restrita aos atletas que já a utilizam, nenhum outro jogador poderá usá-la mais. Uma linda homenagem, ainda que póstuma. Por mais que tenham feito, no nível de Pelé, talvez apenas Michael Jordan, cujos méritos foram reconhecidos em vida. Inegavelmente, além da aposentaria da camisa 10, Pelé merece muito mais. A dimensão mundial do Santos, assim como a parte mais gloriosa de sua história, se deve ao Rei. A camisa 10 se tornou mundialmente emblemática. É uma dívida real!