[[legacy_image_234572]] As homenagens ao Rei Pelé se sucedem por todo o mundo. Vão desde clubes como o Real Madrid, antes do jogo contra o Valladolid, pelo Campeonato Espanhol, a manifestações do atual presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e dos ex-presidentes americanos Barack Obama, Bill Clinton e Jimmy Carter. Sem contar um artigo no sempre sisudo The New York Times, na linha de que Pelé simbolizou a perfeição, e os encontros com três diferentes papas. Até Vladimir Putin, o homem da guerra contra a Ucrânia, se manifestou oficialmente, destacando que muito do futebol hoje na Rússia se deve a Pelé. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Sem exceção, todos os grandes jornais da Europa, Estados Unidos e Ásia deram destaque ao falecimento de Pelé. Até periódicos conservadores, alguns com foco sempre econômico, como o Financial Times, registraram em sua primeira página a perda do maior jogador de futebol de todos os tempos. Na maior parte exibindo Pelé dando o famoso soco no ar e a tradicional camisa 10. Literalmente, o mundo se rendeu ao “Deus do futebol”. Nem mesmo ousaram repetir comparações com Maradona, Messi ou Cristiano Ronaldo. Pelo contrário, o colocaram num pedestal inatingível para simples mortais. A repercussão dá uma dimensão inimaginável do que Pelé representou para o futebol e também para o mundo global, além do esporte. Com certeza, um cidadão do mundo, por seu carisma, sua técnica única e uma humildade contagiante. Sem dúvida, o ser mais conhecido e reverenciado do planeta, acima até dos Beatles e de outros ídolos mundiais. Em meio ao incrível impacto mundial, da Vila Belmiro, na quinta-feira, veio a notícia de que o Santos finalmente aposentaria a camisa 10, consagrada mundialmente por Pelé. A decisão final ainda dependeria da ratificação por parte do Conselho Deliberativo do clube, mas já a partir de janeiro o time não usaria tal número, como base num ato administrativo do presidente Andrés Rueda. De repente, o próprio clube suspendeu a decisão, sob o argumento de que o próprio Pelé, num vídeo relativamente recente, manifestou o desejo de que a camisa 10 não fosse aposentada. A frase não foi incisiva, o Rei usou o termo “talvez”, ainda que na linha da manutenção do número. Ele temia que, com o tempo, ninguém se lembrasse dele, como se isso fosse possível. Ao anunciar a suspensão da decisão, o presidente disse que pretende mais tarde conversar com a família do ex-jogador para que haja um consenso e, se for o caso, a vontade do Rei seja respeitada. Assim, por enquanto, permanecerá apenas a inserção de uma coroa sobre o escudo do clube nos uniformes oficiais. Linda homenagem! O ideal seria que o fim da camisa 10 no Santos tivesse sido aprovado antes da morte do Rei, de modo que pudesse desfrutar em vida de tal homenagem. Até hoje fica difícil entender a hesitação do presidente e dos diretores que comandaram o clube. Pelé parou de jogar em 1974. Será que tinham dúvidas em torno do merecimento por parte de Pelé? Difícil acreditar, afinal, ninguém mais do que Pelé tornou o Santos um clube mundial, sem contestações até em relação àquele time mágico que encantava desde o goleiro ao ponta-esquerda Pepe. Sempre brincalhão, um dia perguntaram a Pepe sobre quem era o melhor jogador daquele time. De pronto, soltou a “bomba”, ao seu melhor estilo em campo: “Lógico que era eu”. A reação do repórter foi imediata: “E o Pelé?”. O ponta-esquerda foi incisivo: “Esse não vale, é extraterrestre”. Inegavelmente, tudo que fizerem para homenagear o Rei será merecido. Até uma estátua, como o Grêmio fez com Renato Gaúcho ou o Botafogo com Túlio Maravilha. O maior ídolo, Garrincha, também terá a sua, na inauguração do museu do clube, agora uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Banalização à parte, Mané, que tinha vários problemas congênitos, como estrabismo, desequilíbrio da pelve, seis centímetros de diferença de comprimento das pernas e valgismo e varismo nos joelhos, também foi único, um gênio digno de sentar ao lado de Pelé. Era o anjo das pernas tortas. Os demais, com ou sem estátua, meros coadjuvantes. Nos Estados Unidos, onde Pelé encerrou a carreira, é comum o basquete homenagear seus grandes ídolos, justamente aposentando o número que era utilizado pelo atleta em quadra. O caso mais famoso e recente envolveu o gênio Michael Jordan, que usava o número 23. Esse número só foi reabilitado quando o próprio Jordan, após uma temporada no beisebol, resolveu voltar ao esporte que o consagrou. Na entrada do United Center, sede do Chicago Bulls, em Chicago, há uma estátua de Michael Jordan, maior ídolo do time e do basquete americano. Em relação a Jordan, uma curiosidade: também foi homenageado pelo Miami Heat, mesmo sem ter jogado uma única partida pelo clube. O temor de Pelé não procede, a história é a garantia de que será sempre a maior referência do futebol, tantos foram seus feitos e conquistas. Pelé virou adjetivo e até lei, quando acabou com a chamada Lei do Passe, libertando os jogadores do “jugo dos clubes”. A aposentadoria da camisa 10 será o reconhecimento de que depois de Pelé, salvo uma nova vontade divina, absolutamente ninguém.