[[legacy_image_225098]] Registra o velho ditado que a primeira impressão é que fica. Via de regra, sim, porém, o tempo pode alterar, expondo a verdadeira realidade. Vale lembrar o escritor e economista americano, formado na Universidade de Stanford, Thomas J. Peters, que disse: “Você nunca terá uma segunda chance de causar uma primeira boa impressão”. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Sem dúvida, em sua estreia na Copa do Mundo do Catar, o Brasil deixou uma boa impressão. Por vários fatores: pela solidez da defesa, pela tranquilidade e espírito coletivo, pela ousadia de Tite ao definir o time, contrariando até seu passado cauteloso, pela confirmação do alto nível técnico de alguns jogadores e, é óbvio, pelos gols de Richarlison, principalmente o segundo, de voleio, ao melhor estilo brasileiro. A vitória convincente sobre a Sérvia, a partir do domínio claro no segundo tempo, despertou grande esperança de conquista do hexacampeonato, além de um otimismo que beira o exagero. Numa análise da primeira rodada da Copa do Mundo, sem dúvida, o Brasil saiu como grande favorito. Ainda mais pelas derrotas surpreendentes de Alemanha e Argentina, respectivamente, para Japão e Arábia Saudita. Ao lado do Brasil, também despontaram França, Espanha e Inglaterra. As três venceram por goleadas, ainda que o nível técnico dos adversários seja bem inferior ao da Sérvia. O time espanhol fez 7 a 0 na Costa Rica; o francês superou a Austrália por 4 a 1; e a equipe inglesa humilhou o Irã por 6 a 2. Nesse contexto, incluído o Brasil, é lícito acreditar que as chances do hexacampeonato são grandes. Impõe-se, contudo, cautela e principalmente humildade, mesmo porque a história das Copas mostra a queda de grandes favoritos em detrimento de seleções que começaram com grande fracasso. Foi assim, por exemplo, em 1982, na Espanha, quando a Itália ressurgiu das cinzas após uma primeira fase decepcionante e terminou campeã. É inegável, porém, que por tudo que foi visto até agora o Brasil está num patamar superior. A estreia mostrou que Vinícius Jr. é mesmo um grande diferencial técnico, os dois gols de Richarlison contaram com sua participação. O jogador foi mais decisivo do que o próprio Neymar, que, é verdade, iniciou a jogada do primeiro gol. Afora o resultado, a vitória produziu dois graves problemas: as contusões de Neymar e Danilo, ambos com entorse de tornozelo, cada um com seu grau de gravidade. Eles estão fora do jogo de amanhã e até da partida contra Camarões, no encerramento da fase de grupos. Com certeza, farão falta, principalmente Neymar, por seu fantástico nível técnico. Mas o Brasil mostrou, contra a própria Sérvia, que o elenco é forte e tem opções para seguir em frente. Uma delas é Rodrygo, ex-Santos e jogador do Real Madrid. Mais uma vez comprovou, apesar do pouco tempo em campo, que está pronto para ser titular. Sua maturidade é visível, comprovando que se trata de mais um fora de série. Na lateral, parece óbvia a entrada de Daniel Alves, cuja convocação foi decisão direta de Tite, contrariando a tudo e a todos. Se não for escalado, restará claro que sua presença é apenas decorativa, fruto muito mais de uma cumplicidade pessoal como treinador. A contusão de Neymar, pela própria reação do jogador no banco de reservas e por seu histórico de lesões, parece mais grave do que foi desenhada pelo médico da seleção, Rodrigo Lasmar. A entorse, além de atingir os ligamentos, causou ainda um edema ósseo, o que, segundo um grande especialista paulista, pode demandar um período longo de recuperação, até com cirurgia. A decisão de anunciar de pronto que Neymar (e Danilo) estão fora da fase atual é um sinal preocupante, indicando que a contusão não foi tão simples. Uma pena, depois de muito tempo o craque brasileiro parece focado e consciente da necessidade de que essa Copa é a última chance de mostrar que efetivamente, em campo, é um gênio do porte de alguns poucos na história do futebol. Fora de campo jamais será um exemplo. Seu último triste ato foi a postura após o intervalo da partida contra a Sérvia. Com todos prontos para o reinício, entrou no gramado ainda vestindo a camisa, com cueca e short em desalinho, e ainda ficou um bom tempo amarrando as chuteiras. Se não jogar mais nessa Copa, fará muita falta ao time. A seleção, porém, já deu claros sinais que é maior do que Neymar e não depende dele para viver e vencer. Em 1962, o Brasil perdeu Pelé e assim mesmo foi campeão. Se naquele ano tinha Garrincha, hoje tem Vinícius Jr. e outros com qualidade para a conquista do título.