[[legacy_image_230594]] O sentimento geral do brasileiro, sem dúvida, é de frustração. Uma das maiores, afinal todos sonhavam, acreditavam e tinham grande fé de que o Brasil estaria na final da Copa do Mundo, que termina hoje. Mais uma vez, a seleção brasileira desembarcou como grande favorita, com base na campanha e, principalmente, em craques como Neymar e Vinícius Júnior, além de vários jogadores de nível diferenciado. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O futebol tem várias máximas; uma delas é de que nem sempre ganha o melhor. Verdade quase absoluta, basta lembrar, segundo a história, da Hungria em 54, da Holanda em 74 e até em 78 e do mágico time do Brasil em 82, na Espanha. Derrotas doloridas, inesperadas, pela qualidade de cada time. Pelo que o futebol representa no Brasil, despertando uma paixão além do limite do equilíbrio, até hoje a derrota e a eliminação em 82 são inaceitáveis e provocam inconformismo. Como agora, se buscam justificativas. É óbvio que torcedores húngaros e holandeses ficaram tristes, porém, com o tempo, assimilaram a decepção, por considerarem o futebol apenas um esporte, e não um caso de quase segurança nacional, como no Brasil. Fanatismo igual ou bem semelhante, talvez apenas na Inglaterra e na Argentina. Desse seleto grupo, talvez o mais marcante, com isenção, tenha sido a Holanda, cuja seleção, sob o comando de Rinus Michels, surpreendeu o mundo com a denominada “laranja mecânica” e seu “futebol total”. Foi, sem dúvida, a grande revolução tática dos últimos 50 anos no futebol. Era impossível não se encantar com a postura daquela equipe, surpreendendo a tudo e a todos. Até Zagalo, com toda a sua soberba e manias, admitiu que não conhecia aquele tipo de futebol, liderado pelo gênio Johan Cruyff. Apesar de derrotada, entrou para a história. A Copa do Mundo do Catar, que termina hoje, com França x Argentina, do ponto de vista tático foi de uma mesmice incrível. Poucas foram as seleções que inovaram ou proporcionaram algo de novo ao futebol. Algumas, por serem consideradas apenas coadjuvantes, até encantaram por conquistar resultados históricos, como Arábia Saudita, Japão, Austrália, Tunísia, Coreia do Sul e, principalmente, Marrocos, que chegou às semifinais. Argentina e França chegaram à final com méritos e campanhas semelhantes, cada uma com uma derrota, a primeira para a Arábia Saudita, e a segunda para a Tunísia, ambas na fase de grupos. Na etapa eliminatória, um a um eliminaram seus adversários liderados, respectivamente, por Lionel Messi e Kylian Mbappé. Com certeza, são os dois melhores jogadores do mundo e fizeram a diferença. O que não ocorreu, infelizmente, com Neymar. O jogador brasileiro não pode ser responsabilizado individualmente, também em função da forma com que o Brasil foi eliminado, mas simplesmente não foi decisivo como o argentino e o francês. Por isso, está fora da grande final, e os brasileiros terão que torcer por França ou Argentina, ou simplesmente ignorar a decisão. Impossível considerar essa segunda opção, o futebol está no dia a dia dos torcedores do Brasil. A questão é a rivalidade anormal contra os “Hermanos” e a mágoa curtida até hoje pela derrota em Paris, em 1998, quando Zinedine Zidane e companhia derrotaram a seleção brasileira por 3 a 0. Na final de hoje não há favorito, se um tem Messi, outro tem Mbappé. Se ambos têm o status de craque ou gênio, suas equipes também têm grandes semelhanças em termos de qualidade técnica. Se os blues, por exemplo, têm Giroud e Rabiot, a Argentina tem Enzo e Julian Álvarez. Os dois atacantes têm 4 gols. Só perdem para os grandes astros de suas seleções, ambos com 5, comprovando o incrível equilíbrio entre os dois finalistas. Quem vencer será tricampeão do mundo, marca fantástica, mas ainda longe do nosso pentacampeonato. Para Messi, com 35 anos, será a última chance de definitivamente entrar para a galeria dos “deuses do futebol” e até ameaçar a idolatria do povo argentino por Maradona, ainda que não caiba comparação entre os dois. Diego é único na Argentina e foi mais do que um gênio do futebol, muitos foram os momentos, positivos e negativos, também fora do campo. Lionel Scaloni, técnico revelação da Argentina, disse no início da Copa que torceria para o Brasil se a sua seleção fosse eliminada prematuramente. Seu maior argumento é o sentimento sul-americano, além de ser um grande fã do nosso futebol. Bela postura, vale muito torcer hoje para a Argentina. E por Lionel Messi, por tudo que fez em campo. É o título que falta para a consagração final. O Brasil continuará, em termos de conquistas mundiais, como grande líder. As ameaças eram Itália, que nem se classificou para a Copa, e Alemanha, que ruiu ainda na fase de grupo. A seleção brasileira inegavelmente ressurgirá como grande favorita para a Copa de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. Essa condição teórica é natural. Como sempre, aliás. Serve como consolo.