(Andy03/Pixabay) Ainda que não seja possível interpretar como uma grande referência, no mínimo servem como alerta a performance e o resultado do amistoso da seleção brasileira, na quinta-feira, em Boston, contra a França. A derrota por 2 a 1, com o adversário com 10 jogadores na maior parte do segundo tempo, tem que ser avaliada sob vários aspectos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! De pronto, vale ressaltar que a apresentação do time brasileiro foi fraca, principalmente no primeiro tempo. A postura inicial, defensiva e reativa, não condiz com a tradição do time nacional. É verdade que o adversário era a França, uma das favoritas na próxima Copa do Mundo, que começa em junho nos EUA, Canadá e México, reunindo pela primeira vez 48 seleções. A França estava praticamente completa, contando até com seu melhor jogador, Kylian Mbappé, em forma e com sua tradicional velocidade, além de habilidade e faro de gol em dia. O Brasil, ao contrário, se apresentou bastante desfalcado, sem seu goleiro titular, Alisson Becker, do Liverpool, e mais Gabriel Magalhães, do Arsenal, Estêvão Willian, do Chelsea, e Alex Sandro, do Flamengo. Nos treinos, o titular Marquinhos, do PSG, sentiu um desconforto muscular e foi poupado. Sem contar Éder Militão, em fase final de recuperação no Real Madrid, e Rodrygo, que está fora da Copa por uma séria contusão no joelho. Ainda que esse quadro atenue o nível de performance, ele não justifica. Afinal, o Brasil tinha em campo jogadores como Vinícius Júnior e Raphinha, sensações no Real Madrid e Barcelona, respectivamente, com seguidos gols e ótimas atuações. Os dois, curiosamente, foram as maiores decepções contra a França, sem um mínimo de lucidez e liderança, facilmente dominados pela marcação francesa. Nesse contexto, surge a grande preocupação, pois são a grande esperança para conduzir o Brasil ao hexacampeonato mundial. A história comprova que alguns atletas são apenas “jogadores de time” e não de seleção — espera-se que não seja o caso dos dois. Talvez Estêvão possa ser o fator de desequilíbrio e genialidade, como foram, sem comparações, Pelé, Ronaldo Nazário, Ronaldinho Gaúcho e o irreverente Romário. Com certeza, por sua rara qualidade técnica, Neymar continua sendo uma grande opção. Os torcedores sempre merecem ser ouvidos, pois são a voz da arquibancada, algo que não pode ser jamais desprezado. Contra a França, em pleno EUA, muitos brasileiros gritaram e pediram a convocação do craque do Santos, confirmando que têm visão e sensibilidade. O técnico Carlo Ancelotti precisará conviver com essa pressão e terá a responsabilidade de decidir a questão. Por sua vivência e linda carreira, com certeza não desprezará tal talento. Por vezes, sinalizou nessa linha, indicando que a convocação depende muito mais do jogador demonstrar que está apto a jogar mais uma Copa. É óbvio que o jogo contra a França foi apenas um amistoso, completamente diferente de um confronto de Copa do Mundo, onde a disputa é muito mais intensa. Porém, foi muito importante enquanto oportunidade para as mais variadas avaliações, em especial para definir os 26 que, em maio, comporão a lista dos que disputarão a Copa do Mundo. O goleiro Ederson, atualmente no Fenerbahçe, da Turquia, assim como Vini Júnior e Raphinha, foi outra decepção, principalmente na saída de bola com os pés. E mais: não fez a diferença nos dois gols da França, ainda que tenham sido lances frontais. Numa Copa do Mundo, porém, muitas vezes o goleiro é ainda mais decisivo, como o faz constantemente o arqueiro da Argentina Emiliano Martínez, eleito o melhor do mundo na posição em 2023 e 2024. Também sem comparações, como Cláudio Taffarel, que integra a comissão técnica de Ancelotti. De positivo, vale ressaltar a grande atuação de Luiz Henrique, ex-Botafogo e no momento destaque do Zenit, da Rússia. Apesar de ter entrado apenas no segundo tempo, em vários lances mostrou o talento que faltou a Vini Júnior e Raphinha. Sem dúvida, praticamente garantiu uma vaga entre os 26. Na terça-feira, em Orlando, também sem Raphinha e Wesley, cortados por contusão, o Brasil volta a campo contra a Croácia de Luka Modrić, com seus 40 anos e um futebol encantador. Mais um teste importante, ainda que num patamar inferior ao da França. Contudo, extremamente válido e importante para que Ancelotti chegue às suas últimas conclusões.