A seleção ficou no 1 a 1 neste sábado (13), na estreia em Nova Jersey (William Volcov/ Agência O Dia/Estadão Conteúdo) Ao final do empate deste sábado (13), por 1 a 1, contra Marrocos, na estreia do Brasil na Copa do Mundo, Carlo Ancelotti foi incisivo: “Eu esperava começar melhor”. Mais não disse e nem precisava, pois sua fisionomia transmitiu sua insatisfação principalmente com a apresentação geral da seleção. Sem dúvida, todos os brasileiros esperavam muito mais. O sentimento só não é de frustração total porque a seleção não perdeu na estreia e o adversário, é importante reconhecer, tem qualidade, ranking mundial (sétimo do mundo atualmente) e conta com grandes jogadores tecnicamente. O elenco marroquino é altamente valorizado, avaliado hoje em cerca de 447 milhões de euros, e cerca de 90% dos convocados atuam no futebol internacional, a grande maioria nas ligas de ponta, como a Premier League e La Liga. E mais: é um time rápido e agressivo, principalmente nos primeiros 20 minutos, quando fez 1 a 0, dominou o Brasil e causou um misto de preocupação e medo. O gol também indicou um problema de posicionamento na defesa, com Marquinhos e Bruno Guimarães em linha e sem velocidade para evitar a jogada fatal. A fase inicial só não foi pior porque, mais uma vez, prevaleceu o talento individual do jogador brasileiro, dessa vez personalizado em Vinícius Júnior, que fez um gol e finalmente deu sinal de que pode ser o protagonista do Brasil na Copa. Ancelotti, porém, vai ter que fazer correções e até alterações. Ao definir a escalação inicial, com Ibañez e Douglas Santos nas laterais, numa clara opção pela juventude e velocidade, foi inteligente, porém, o resultado não foi o ideal. Do lado direito, não deu certo, com o jogador do Al-Ahli, da Arábia Saudita, se mostrando nervoso e perdido. Como atenuante, tem o fato de ter sido improvisado na posição – originalmente é zagueiro. Junte-se a isso a fragilidade do meiocampo e os muitos erros de passes, comprometendo o coletivo. Felizmente, mostrando boa capacidade de diagnóstico, Ancelotti fez duas alterações no intervalo e conseguiu equilibrar o time. Na direita, entrou Danilo, que tem tudo para virar titular, e no meio optou por Fabinho, no lugar de Casemiro, que tinha tomado cartão amarelo O Brasil melhorou, pelo menos nos primeiros 20 minutos, porém, ficou claro também que Igor Thiago tem que evoluir muito. O ataque, na prática, mostrou que precisa de mais equilíbrio. Raphinha ficou longe do nível que normalmente apresenta no Barcelona e isso isolou Vinícius Júnior. Até por ser o Haiti o próximo adversário, impõe-se que o treinador faça alterações e experiências, visando efetivamente mostrar a real capacidade do futebol brasileiro. Pelo menos por enquanto, não há motivo para desespero, afinal a Copa está apenas começando e os próximos adversários, Haiti e Escócia, são bem mais palatáveis. É fundamental, contudo, vencer, convencer e garantir um bom saldo de gols, critério que deve definir o primeiro colocado do grupo. Quem terminar na liderança, em tese, deve levar vantagem na próxima fase, que já será eliminatória. Por se tratar de uma estreia, há ainda que levar em consideração a ansiedade, o nervosismo e a responsabilidade de carregar o título único de pentacampeão mundial. Esses três pontos minimizam a fraca atuação no primeiro tempo, porém, até pela vivência da maioria, têm que ser superados. A pressão sobre a seleção brasileira é muito grande, até pelo que o futebol representa na vida do torcedor. No Brasil, infelizmente, é uma prioridade, quase uma questão de Estado, e não apenas um esporte. Depois do empate de ontem, talvez a melhor definição esteja numa palavra de apenas três letras: “ufa”. Vale manter o otimismo, pois Copa do Mundo é assim mesmo, tem favoritos, surpresas positivas e negativas. Nesses três primeiros dias de competição o grande destaque acabou sendo os Estados Unidos, país teoricamente sem nenhuma tradição no futebol. Literalmente, os americanos dirigidos por um técnico argentino, Maurício Pochettino, humilharam o Paraguai, com um futebol coletivo e taticamente invejável. Nosso país vizinho nunca foi um adversário fácil, pelo contrário, porém, seus jogadores não viram a bola na sexta-feira. Sofreram uma goleada de 4 a 1 e observaram uma equipe praticar um futebol de causar inveja. Por enquanto, até como esperança, vale ficar com o comentário final de Ancelotti na entrevista coletiva: “Copa do Mundo não se ganha no primeiro jogo”. É verdade, serve como consolo.