[[legacy_image_256092]] O que parecia impossível, ou muito difícil, a cada dia se torna mais provável. Esta semana, o ex-jogador Robinho, ‘refugiado’ em uma de suas mansões na região, sofreu mais uma derrota no seu triste fim de carreira. O ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou que o atleta entregue, no prazo de cinco dias seu passaporte à Polícia Federal. O magistrado, em seu despacho, admitiu que se trata de uma medida excepcional, mas justificou que há o risco de Robinho deixar o País, pois tem muitos recursos para isso. O jogador, vale registrar, numa ação estratégica, já havia demonstrado espontaneamente a vontade de entregar o documento, num sinal de que não pretende iniciar uma fuga para um país que eventualmente possa lhe garantir a liberdade eterna. A eventual homologação, pelo Brasil, da sentença na Itália, que o condenou a nove anos de prisão por estupro de uma jovem, em conjunto com pelo menos um amigo, pode demorar meses e até não ocorrer, porém, é inegável que a tramitação no STJ segue seu curso. Numa ação protelatória, os advogados famosos de Robinho pediram ao ministro que a Itália enviasse todo o processo para o Brasil, com tradução juramentada. A alegação maior é de que o país havia encaminhado apenas a sentença final, o que dificultaria a defesa do jogador. Nova derrota do atleta, na medida em que o magistrado indeferiu o pedido. Para alguns especialistas, a decisão foi mais um indicativo de que o Tribunal pretende dar celeridade ao processo, independentemente do veredicto final. A possibilidade de Robinho deixar o Brasil parece remota, até a entrega do passaporte. Normalmente, em tal situação, após a sentença transitar em julgado, quando não cabe mais recurso, o país pede a inserção do condenado na chamada lista vermelha da Interpol, que abre a possibilidade de prisão no embarque ou desembarque em dezenas de aeroportos pelo mundo. É a chamada ‘red notice’, que já capturou muitos fugitivos pelo mundo. Além da obrigatoriedade de que o caso seja definitivamente concluído no Brasil, acatando ou não a decisão italiana, há a postura do jogador na região, curtindo a vida como se nada houvesse ocorrido. É uma afronta observar o jogador registrando seus momentos de lazer, na praia ou em academias, jogando futevôlei ou praticando outros esportes. No mínimo, por tudo o que o processo revelou, impunha-se a adoção de um dia a dia reservado, sem se expor e causar indignação à sociedade em geral. Ainda que isso não sensibilize o ministro do STJ e, posteriormente, o julgamento em plenário, onde ocorrerá a decisão final, pelo menos significaria respeito ao momento tão delicado, depois de uma carreira de sucesso pelo mundo. Do outro lado, no continente europeu, mais precisamente na Espanha, Daniel Alves, outro brasileiro envolvido em caso de estupro, continua vivendo seu calvário, preso na Penitenciária Brians 2, na Catalunha, a cerca de 40 quilômetros de Barcelona, há pelo menos dois meses. Segundo a mídia espanhola, mesmo nessa condição humilhante, não perdeu a soberba e passa o dia organizando partidas de futebol e distribuindo autógrafos que, posteriormente, são comercializados com detentos de outas alas, em troca de cigarros ou alimentos diferenciados. Nem mesmo o fato da atual esposa, a modelo Joana Sanz, ter decidido se separar, parece abalar o jogador, que continua se dizendo inocente, apesar das muitas contradições, de quatro diferentes depoimentos e muitas provas, testemunhos e vídeos que o comprometem. Sem dúvida, são dois casos emblemáticos, que podem servir de exemplo para que ídolos não se julguem acima da lei, prevalecendo a impunidade. No Brasil, num caso completamente diferente, essa semana um outro ídolo se viu diante de um sério problema judicial. Nelson Piquet, tricampeão mundial de Fórmula 1 e um dos maiores pilotos da história do automobilismo mundial, foi condenado por manifestação racista e homofóbica contra o britânico Lewis Hamilton, ao analisar uma corrida em que se envolveu num acidente com Max Verstappen, seu genro. Piquet, conhecido pela falta de controle verbal, foi condenado a pagar, numa ação movida por uma organização de direitos humanos, uma indenização de R\$ 5 milhões. Ainda cabe recurso. Fora das pistas, infelizmente, Piquet sempre foi um ‘agressor verbal’, sem jamais medir as consequências de suas declarações Não poupou sequer Airton Senna e um dia se dispôs até a ser motorista de presidente da República em desfile oficial. Três situações tristes e lamentáveis.