O sérvio Novak Djokovic, o suíço Roger Federer e o espanhol Rafael Nadal fazer parte do chamado Big 3 (Reprodução/Redes Sociais) Do chamado Big 3, só sobrou um: o sérvio Novak Djokovic, que vem emitindo sinais de que corpo e resistência estão quase no limite. Dos três que dominaram o mundo do tênis nos últimos anos, o primeiro a se aposentar foi o suíço Roger Federer, no ano passado. Na última quinta-feira, foi a vez de Rafael Nadal anunciar a aposentadoria, oficializando o fim de uma das mais lindas e vitoriosas carreiras do tênis mundial. Ela ainda participará da fase final da Copa Davis, defendendo a Espanha contra a Holanda, em Málaga, de 19 a 24 de novembro. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Assim como Federer, Nadal também encerra a carreira depois de seguidas lesões, nas mais variadas partes do corpo. Absolutamente natural: apesar do grande talento e da técnica única, muito de seu jogo também teve como base a força física. A exemplo do amigo Federer, Nadal ganhou quase tudo, nos mais diferentes pisos. Foi na chamada terra batida que quase se tornou imbatível, ganhando também o rótulo de Rei do Saibro. Na França, em Roland Garros, foi 14 vezes campeão. E mais: de abril de 2005 a maio de 2007, chegou a marcar 81 vitórias em tal superfície. No total, foram 92 títulos e 1.080 vitórias, sendo 22 conquistas de Grand Slams, que são os abertos da França, Estados Unidos, Austrália e Wimbledon. Canhoto, o espanhol sempre foi muitas vezes um grande desafio para Federer e Djokovic. Contra eles ganhou e perdeu, mas protagonizou duelos épicos, com golpes repletos de top spin (efeito dado à bola), principalmente com forehand. O suíço detestava quando era atacado no backhand. Também imortalizou uma série de cacoetes antes de sacar o primeiro serviço. Impossível imaginar quantas vezes puxou a parte posterior do calção e passou os dedos na testa e atrás das orelhas, num ritual irritante. A demora em servir levou até as autoridades esportivas a implantarem um limite de 25 segundos para reinício do jogo, sob pena de advertência, e perda de ponto em caso de repetição. A aposentadoria de Nadal suscita mais uma vez o debate em torno de quem foi o melhor tenista de todos os tempos na chamada Era Aberta, que começou em 1968, quando os torneios de Grand Slam permitiram o confronto entre profissionais e amadores. Uma curiosidade: o primeiro torneio a se tornar “aberto” foi justamente Roland Garros, na França. Além dos integrantes do Big 3, no masculino, o tênis já produziu outros gênios, como André Agassi, Pete Sampras, Jimmy Connors e Rod Laver, na era mais antiga. Sem dúvida, é muito difícil apontar quem foi o melhor de todos os tempos. As opiniões se dividem e normalmente provocam discussões intermináveis. O recordista de títulos, até o momento, é Roger Federer, com 103. Djokovic, porém, ganhou mais Grand Slams: 24, contra 20 do suíço. Nadal, por sua vez, conquistou 22. Os três ainda ganharam edições do ATP Final, torneio que praticamente encerra o ano, reunindo os oito melhores da temporada. Até pelo número de torneios em cada temporada, não dá para se fixar apenas nas conquistas individuais para definir quem foi o melhor. A cada ano, novas competições foram introduzidas no calendário, aumentando, obviamente, a chance de conquistas. Do Big 3, o mais clássico foi Roger Federer, com movimentos beirando a perfeição e um misto de jogo de base e rede. Ao contrário de Nadal e Djokovic, seu backhand sempre foi utilizando apenas uma mão, no melhor estilo do esporte. Já o espanhol, além das muitas virtudes, era um guerreiro que jamais se entregava, disputando cada ponto como se fosse o último. Na mesma linha é o sérvio, destacando também sua grande capacidade de devolução de saque e uma disposição física impressionante. Para o grande público, baseando-se também mais na imagem e simpatia, o melhor foi Federer, um atleta perfeito, também pelo carisma e postura em quadra. Raras foram as vezes em que reclamou ou se insurgiu contra arbitragem ou manifestação de torcedores. Em síntese, um cavalheiro completo e um tenista que dificilmente será esquecido. Em breve, com certeza, Djokovic também encerrará sua brilhante carreira. Inegavelmente, sempre estará na história do tênis, assim com Federer e Nadal. Entre os sucessores do momento, nenhum deles conseguirá ocupar o lugar de Rafael Nadal. O jovem e também espanhol Carlos Alcaraz surgiu como um novo fenômeno do tênis, mas está longe de encantar plenamente os torcedores. O atual número 1 do mundo, o italiano Jannik Sinner, é fantástico na quadra e vive um drama em razão do risco de suspensão por doping, podendo ficar até dois anos fora do circuito. No primeiro julgamento, foi absolvido, contudo um recurso foi impetrado e há possibilidade de rigorosa punição. Com certeza, outros tenistas surgirão, mas igual a Nadal é quase impossível. Como disse o naturalista, matemático e escritor francês George Louis Lecrerc, o conde de Buffon, o estilo é o homem. Rafael Nadal sempre será único.