[[legacy_image_283234]] Na partida deste domingo (23) contra o Botafogo, líder isolado do Campeonato Brasileiro, em uma Vila Belmiro com portões fechados, o Santos dará sequência à via crucis, expressão originária do latim que significa textualmente “a caminho da cruz”. Seu calvário é a zona de rebaixamento, uma ameaça clara a cada rodada. Além disso, seus próximos jogos são muito difíceis, contra o Fluminense, no Rio de Janeiro; Athletico-PR, em casa; e Fortaleza, no Ceará. Para completar, na estreia no segundo turno, o adversário será o Grêmio, na Vila. Como manda o script, os dirigentes e até o coordenador de futebol do Santos, Paulo Roberto Falcão, minimizam a situação. Admitir como uma real possibilidade seria contribuir para o quadro emocional do grupo, visivelmente tenso e abalado. O ex-jogador, porém, exagerou ao dizer que o foco do Santos é uma vaga na Copa Libertadores da América em 2024. Seu otimismo contraria os fatos e as perspectivas. Os resultados comprovam que a situação é preocupante e o futuro, sombrio. Não se trata de pessimismo, é a realidade. Não há como contestar o histórico recente. Com isenção, ainda que seja possível, pela imprevisibilidade histórica do futebol, é difícil não apontar o Botafogo como favorito no jogo deste domingo. É líder isolado, com 13 vitórias na competição, e tem um time equilibrado nos três setores. Sem nenhuma grande estrela, parece ser uma equipe montada “a dedo”, com escolhas criteriosas, sem aventuras ou apostas arriscadas. Um ex-jogador, com passagens por grandes clubes do Brasil e do exterior, instado ontem a explicar a campanha do clube carioca, foi objetivo: “São coisas do futebol, de vez em quando, acontecem”. Impõe-se, porém, reconhecer o trabalho e o planejamento realizados, principalmente após o clube se tornar uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O Santos, ao contrário, há muito deixou de ser um time. A rigor, a cada rodada é uma escalação. E desde a chegada de Paulo Turra, o clima é de ebulição, com afastamentos, empréstimos e vendas, como a de Ângelo para o Chelsea. Aliás, o jogador fez sua estreia no time inglês, durante a pré-temporada nos Estados Unidos, e foi protagonista, com uma grande assistência para o gol de Ben Chilwell. Mais um que foi embora e com certeza se consolidará no futebol europeu. Pelo potencial, foi negociado por um valor muito abaixo dos bons jogadores que estão próximos de deixar o futebol brasileiro. Nessa janela de transferências, contrariando o excesso de otimismo de Falcão, o Santos resolveu ir ao mercado, admitindo na prática que, sem reforços, o quadro só tende a se agravar. Depois de Dodô, foram anunciados Jean Lucas, que estava no Monaco, e o argentino Julio Furch, de 33 anos, que estava no Atlas, do México. Paralelamente, é dado como certo o retorno de Diego Pituca, que joga no Kashima Antlers, do Japão. O jogador assinou pré-contrato com o Santos, porém, seu compromisso com o clube japonês vai até janeiro de 2024. Em síntese, só virá agora se for oficialmente liberado. Jean Lucas e Furch, pelo histórico, podem acrescentar qualidade ao time do Santos, abrindo uma perspectiva de melhora. Há, contudo, outros pontos frágeis do time, principalmente na defesa. A performance contra Cuiabá e São Paulo foi triste, de envergonhar qualquer torcedor. À exceção de Fábio Carille, nenhum dos muitos técnicos que passaram na administração Andres Rueda conseguiu montar uma defesa forte. O sistema defensivo é a base de uma boa equipe. Os próximos meses devem ser também de ebulição na área política, com a aproximação das eleições, no final do ano. Os acordos preliminares são muitos, assim como as negativas descartando candidaturas. Há, porém, vários que sonham com o cargo, infelizmente mais por vaidade do que por competência. Os perfis vão desde o Messias Salvador aos que buscam status e exposição. Na última semana, nos bastidores, com boa receptividade entre os correligionários próximos, foi defendida a reeleição de Andres Rueda. Consta que o atual presidente gostou da ideia, tumultuando ainda mais o quadro sucessório. Sua candidatura, porém, dependerá fundamentalmente da performance final do time no Campeonato Brasileiro.