(Divulgação) Com muitas emoções, surpresas, recordes, polêmicas, explosões de alegrias e frustrações, terminam hoje os Jogos Olímpicos de Paris. A Olimpíada é sempre um período fantástico, revelando também novos heróis e vilões. Nosso Brasil basicamente continuou no ritmo de sempre, produzindo novos fenômenos, como a Bia do judô, de Peruíbe, e consolidando atletas como Duda e Ana Patrícia no vôlei de praia e principalmente Rebeca na ginástica. Muitos outras, sem dúvida, merecem destaque, como Rayssa Leal, no skate, Gabriel Medina, no surfe, Alison dos Santos, nosso Piu nos 400 metros com barreira, Isaquias Queiroz na canoagem, Willian Lima no judô, Caio Bonfim na marcha atlética, Edval Pontes no taekwondo e Augusto Akio, outro no skate. Um detalhe importante: todas as medalhas de ouro foram conquistadas pelas mulheres, num feito inédito que comprova a força do sexo feminino. Elas foram sempre um show à parte, até na ginástica artística, uma das modalidades mais difíceis pelo grau de exigência em termos de sintonia, sincronização, beleza e suavidade de movimentos. No tênis, em Paris, o Brasil infelizmente não foi bem, tanto no masculino como no feminino. Nossa maior esperança, Bia Haddad Maia, caiu na segunda rodada de simples, em mais uma campanha decepcionante. Nas duplas, a performance também foi fraca, principalmente por contar com Luiza Stefani, uma das melhores da categoria no ranking mundial. No esporte coletivo, a grande frustração foi o vôlei feminino, que conquistou a medalha de bronze. Era uma equipe que merecia e tinha condições plenas de conquistar uma nova medalha de ouro, novamente sob o comando de José Roberto Guimarães. Foi uma derrota doída, num confronto contra os Estados Unidos, numa semifinal só definida no tie break, o quinto set. Não se pode tirar os méritos da equipe americana, com jogadoras de alta qualidade e principalmente uma grande capacidade defensiva. De qualquer forma, têm que ser reverenciadas, até pela conquista da medalha de bronze, derrotando a forte equipe da Turquia, um adversário indigesto nos últimos anos. O masculino, novamente dirigido pelo eterno e elétrico Bernadinho, também perdeu para os Estados Unidos, time que tem história, experiência e jogadores com muita qualidade técnica. A campanha, contudo, foi irregular, na fase inicial ganhou apenas do Egito. É inegável que o nível do atual vôlei mundial é muito alto e parelho, com França, Polônia, Estados Unidos, Itália e Alemanha. Quando se enfrentam, quase sempre fazem jogos de resultados imprevisíveis, tamanho o equilíbrio. Porém, o Brasil dessa vez ficou em um patamar abaixo. A renovação será inevitável, até porque jogadores como Bruninho, filho de Bernardinho, e Lucão já anunciaram que encerraram os ciclos na seleção. Outra derrota que doeu muito foi a da seleção brasileira de futebol feminina, ontem, por 1 a 0, novamente para os Estados Unidos, num jogo muito equilibrado. Também pela campanha e obstinação, as meninas mereciam mais. Na fase de mata-mata, conquistaram duas vitórias épicas, primeiro contra a França, e depois contra a Espanha, campeã mundial, impondo uma goleada de 4 a 2. Suportaram até períodos absurdos de acréscimos, um deles de mais de 18 minutos, justamente contra as donas da casa. O grupo merecia o lugar mais alto no pódio, mas, particularmente, é triste ver a ‘Rainha Marta’ encerrar seu ciclo sem a consagração olímpica. Foram seis Olimpíadas, por seis vezes foi eleita a melhor jogadora do mundo, ganhou prata em Atenas, em 2004, e em Pequim, 2008. E agora repete o feito, com mais um recorde: é a única atleta não americana a disputar três finais seguidas. A tendência é que se aposente da seleção, aos 37 anos, mas vale lembrar que a próxima Copa do Mundo feminina será no Brasil, em 2027. Seria justo que conquistasse o título de campeã mundial, como ocorreu com Lionel Messi. Independentemente do que fez ou conquistou em Paris, o grupo brasileiro merece o reconhecimento nacional. Salvo algumas modalidades, a maioria não tem apoio técnico ou financeiro, são heróis como Piu ou Isaquias Queiroz. Da Olimpíada ficam também grandes jogos, shows como os protagonizados pelo novo Dream Team de basquete americano e imagens que já estão na história do esporte. Uma delas, que deve fazer parte das fotos do ano, foi a de Gabriel Medina literalmente voando simultaneamente com a sua prancha; o choro contido da Bia do judô e o ‘estado de choque’ de Ana Beatriz depois do ponto que garantiu a medalha de ouro no vôlei de praia. Literalmente: incrédula. Na prova mais nobre do atletismo, os 100 metros rasos, que elegem o homem mais rápido do mundo, um momento único: o vencedor, o norte-americano Noah Lyles, só foi anunciado após análise de 40 mil imagens, já que os placares registram apenas duas casas decimais. A diferença para o segundo colocado, o jamaicano Kishane Tompson, foi de apenas cinco milésimos, 9s784 e 9s789, respectivamente. Segundo o regulamento, o que determina o vencedor é o torso e não as extremidades do corpo, como pés, braços e a cabeça. Até que o resultado final fosse anunciado, foram 28 intermináveis segundos de suspense. Inegavelmente, um dos grandes momentos da Olimpíada de Paris e do seu Rio Sena, que ainda provoca debates sobre sua total despoluição. De qualquer forma, Paris continua sendo uma das cidades mais encantadoras do mundo. É linda como poucas.