(Rafael Ribeiro/ CBF) A menos de 100 dias da Copa do Mundo, finalmente estão definidas as 48 seleções que tentarão o título máximo do futebol. Muitos sonham e acreditam na conquista, porém, ainda que esse esporte revele surpresas, na maior parte prevalece a lógica. Será, sem dúvida, a maior Copa do Mundo de todos os tempos, a começar pelo número de seleções, pela primeira vez 48, e pela disputa envolvendo três sedes: Estados Unidos, México e Canadá. O aumento do número de times e a divisão entre três países, é óbvio, seguem também critérios políticos, de modo que o grupo atual, liderado pelo suíço-italiano Gianni Infantino, possa manter o poder, como fez, ainda que de forma condenável, o brasileiro João Havelange. Infantino está no cargo desde 2016. Os 48 participantes foram definidos nessa última Data Fifa, qualificando, na repescagem europeia, Bósnia Herzegovina, Suécia, Turquia e República Tcheca. Na disputa intercontinental, se classificaram a República Democrata do Congo, que venceu a Jamaica, e o Iraque, que eliminou a Bolívia, do santista Miguelito. A grande surpresa, e decepção, inegavelmente, foi a Itália, que perdeu nos pênaltis para a pequena Bósnia Herzegovina. Será a terceira vez consecutiva que a tradicional Azzurra ficará de fora de uma Copa, para desespero dos fanáticos torcedores italianos. No confronto contra a Bósnia, a equipe até saiu na frente. Contudo, depois teve um jogador expulso, sofreu o empate e na decisão por pênaltis foi goleada por 4 a 1, remetendo até a decisão do título brasileiro de 1994, quando Roberto Baggio perdeu a última cobrança e o Brasil foi campeão. A reação da imprensa a essa nova decepção italiana foi violenta. E, com razão, afinal, trata-se de uma seleção tradicional, tetracampeã mundial, e de um país que já foi considerado o principal centro europeu, cobiçado por todo grande jogador. A última Copa que disputou foi no Brasil, em 2014. A Gazzetta Dello Sport abriu manchete com “Derrota Histórica”; o Corriere Dello Sport optou por “Fracasso” e “Desastre Épico”; e um outro periódico destacou “Noite Deprimente”. O mais contundente foi o Corriere Della Sera, que resgatou uma palavra traumática para o torcedor italiano: “Apocalisse” (Apocalipse). E mais: o sentimento interno é de “inferno” e de “Fim da linha para uma geração”. Com a eliminação da Itália, os favoritos para a Copa, pelo menos pela história, são Brasil, Alemanha, Argentina, Espanha, Inglaterra e França. Nem sempre ganha o melhor, como ocorreu, por exemplo, em 1974 e 1982. Serão 12 grupos de quatro seleções, classificando os dois primeiros de cada chave e os oito melhores terceiros colocados, num total de 32. A partir daí começa a tradicional fase de mata-mata, quem perder estará eliminado. No Grupo A, o México desponta como favorito, com Coreia do Sul, República Tcheca e África do Sul lutando pela segunda vaga. No B, Suíça e Canadá têm mais chances, enquanto que no C tudo caminha para Brasil e Marrocos. No D, os mais prováveis são Estados Unidos e Paraguai. No F, Holanda e Japão devem passar. No E, Alemanha e Equador são os candidatos mais fortes. Ainda em tese, no G os mais indicados são Bélgica e Egito, ao lado de Espanha e Uruguai no H e França e Senegal no I. Por fim, Argentina e Áustria no J, Portugal e Colômbia no K e Inglaterra e Croácia no L. Entre os terceiros colocados, tudo pode acontecer. É claro que são apenas previsões, porém, na fase de grupos sempre prevalecem os mais fortes e até uma derrota na estreia permite uma recuperação. A última Data Fifa mostrou uma França muito forte, vencendo bem o Brasil, confirmando que, salvos imprevistos, é uma das principais favoritas. A seleção brasileira, é verdade, atuou bastante desfalcada, assim mesmo causou preocupação, principalmente porque os principais jogadores, Vini Júnior e Raphinha, foram decepcionantes. Depois do segundo amistoso, com o Brasil vencendo a Croácia por 3 a 1, o técnico Carlo Ancelotti garantiu que já tem 24 jogadores definidos, restando apenas duas vagas. Luiz Henrique e Endrick, com atuações convincentes, podem ter garantido vagas entre os 26 que serão chamados no dia 18 de maio. Depois disso, dois amistosos, um contra o Panamá, no Maracanã, no dia 31 de maio, na despedida ao torcedor brasileiro, e outro contra o Egito, já nos Estados Unidos, em Cleveland. A estreia será no dia 13 de junho, contra o Marrocos. Oremos!