[[legacy_image_254381]] Não foi a primeira vez que surgiu a notícia de que um jogador de futebol, um atleta de ponta ou um ídolo se viu diante um problema financeiro. Muitos ganharam muito, se deslumbraram, foram mal-orientados ou enganados e quebraram ou sofreram um grande golpe. O último grande caso, que vem sendo acompanhado por grandes sites, redes e noticiários de TV, envolve um trio que jogou junto no Palmeiras: Wilian Bigode, hoje atacante do Fluminense; Gustavo Scarpa, atualmente no futebol inglês; e Mayke, que segue no Verdão. Os três conviveram muito no time paulista, onde inegavelmente criaram certa relação de amizade e até de confiança. Por pura ganância, acreditaram na “assessoria financeira” de Wilian e investiram pesadamente em criptomoedas, em uma empresa com filiais no Acre, na Paraíba e em São Paulo, conhecida como Xland Holding. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A criptomoeda é uma moeda digital, com lógica semelhante à do dinheiro em espécie. Ela é a base para transações virtuais, porém, sem nenhuma garantia bancária. Há apenas um sistema, chamado blockchain, que registra as operações realizadas em criptomoedas. O atacante do Fluminense, que tem uma empresa de investimentos, cuja razão social é WJLC, se exime de qualquer responsabilidade, garantindo que apenas indicou a Xland, onde também teria investido, para os dois amigos do esporte. Pode até sido apenas um conselho, porém há a suspeita de que, ao sugerir tal investimento, Willian teria direito a uma comissão. Em tese, nada ilegal e nenhuma responsabilidade direta. Detalhe importante: foi confirmada uma parceria entre as duas empresas em questão. Como argumento maior a seu favor, tem o fato de também ter investido em tal empresa e ainda, pelo menos até agora, ter sofrido grande prejuízo, na medida em que não conseguiu efetuar o resgate, com o índice de correção prometido, de até 5%. Com certeza, ao três faltou no mínimo bom senso e alguns cuidados básicos. Deveriam ter pelo menos desconfiado de tal oferta, envolvendo um índice de correção mensal muito maior do que o mercado oficial. O equívoco vai da ingenuidade ao lucro fácil. Segundo consta, a empresa dava como garantia reservas astronômicas, mas nada era rigorosamente concreto. Esse imbróglio tem conexões com o exterior e a Xland também se diz vítima da FTX, a segunda maior empresa de criptomoedas do mundo. A FTX faliu em novembro do ano passado, causando prejuízos a diversos investidores pelo mundo. Os prejuízos dos três jogadores são diferentes: Willian disse que investiu mais de R\$ 15 milhões; Scarpa fala em aproximadamente R\$ 7 milhões; e Mayke perdeu cerca de R\$ 5 milhões. Se foram ou não tais montantes, o importante é que tudo indica que os três, assim como muitos outros, foram vítimas de estelionatários e provavelmente jamais recuperarão seus prejuízos. No futebol, hoje, qualquer jogador tem um empresário, um advogado e até um conselheiro financeiro. Mesmo ainda na base dos clubes, com idade média entre 14 e 17 anos, já contam com uma equipe digna de uma grande estrela. Alguns são bem orientados e têm uma carreira bem gerenciada, porém, vários também são os casos de fracassos principalmente no controle da vida financeira. A venda de Neymar para o Barcelona, por exemplo, até hoje causa polêmica envolvendo empresários que dizem ter direito a comissões em tal negociação. Até atletas consagrados como Cristiano Ronaldo, hoje jogando no mundo árabe, não conseguiram evitar decepções envolvendo investimentos pessoais. Nem o Rei Pelé conseguiu escapar, pois há registros que um de seus empresários lhe causou uma grande decepção. E mais: apesar de melhor do mundo, só conseguiu uma razoável estabilidade financeira quando assinou um contrato com o Cosmos, dos Estados Unidos. Mike Tyson é outro grande exemplo mundial de fracasso absoluto. Nos tempos atuais, independentemente da origem, humilde ou não, não cabe mais tanta inexperiência. As informações e mecanismos para avaliação de qualquer pessoa ou empresa estão à disposição, assim como as reais oportunidades de mercado, com total segurança. Na prática, os três jogadores são os únicos responsáveis por tal aventura, no final a decisão de aplicar em criptomoedas foi pessoal. Que sirvam de exemplo para qualquer pessoa, atleta ou não. Ao ser procurado por Scarpa e Mayke, Willian Bigode disse que nada podia fazer. E textualmente, fez um apelo: “oremos”. Com certeza, Deus não vai interferir. Agora, é caso de polícia.