[[legacy_image_279943]] A fatura chegou. E, convenhamos, por tudo o que aconteceu (e poderia ter acontecido), e pela reincidência específica, até relativamente leve. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), na sessão de sexta-feira (7), julgou o Santos pelos graves incidentes registrados na partida contra o Corinthians no dia 21 de junho, com “chuva” de rojões, pedras e muitos atos de vandalismo. Na prática, a Vila Belmiro continua interditada, agora por oito jogos consecutivos, obrigando o Santos a jogar fora e com portões fechados, sem torcida. Nem quando atuar em outro estado poderá contar com seus torcedores. O que é melhor, vale reconhecer, depois do desserviço prestado por alguns grupos ao clube. Até os jogadores devem gostar do silêncio das arquibancadas, na medida em que há tempos só ecoam protestos e ameaças de toda sorte. A punição, sem dúvida, só agrava a situação do Santos no Campeonato Brasileiro. Sem um time de qualidade, sem torcida e sem perspectivas razoáveis de reforços, o futuro continua sombrio e muito preocupante, apesar de alguns minimizarem, por exemplo, o risco de rebaixamento. Hoje, por falta de tempo para mudar o local, o Santos ainda joga na Vila Belmiro, com portões fechados. Sem vencer há 12 jogos, em tese, pelo nível do adversário, é até uma boa chance para uma reabilitação, para conquistar três pontos e pelo menos se afastar da chamada “zona da confusão”, como sempre destaca Vanderlei Luxemburgo. A pressão, porém, é muito grande e as últimas rodadas demonstraram que também falta confiança, fator fundamental para superar qualquer adversário. Em meio a essa grande instabilidade, agora sob o comando de Paulo Turra, o Santos tenta se reinventar, afastando jogadores e até negociando os poucos que têm mercado, até no exterior, como Ângelo e Marcos Leonardo. Um absurdo, é inegável, contrariando as necessidades do time. Soteldo, segundo entrevista do coordenador de futebol do clube, Paulo Roberto Falcão, não joga mais pelo Santos. Em mais um absurdo dos tempos atuais, mesmo sabendo que não pretende utilizá-lo, o Santos ainda teve que contratá-lo por cerca de R\$ 20 milhões para evitar ações por parte da Fifa. A esperança agora é vendê-lo para definitivamente se livrar do problema e conseguir recursos para tentar reforços. Junte-se a isso a nova punição a Bauermann, pelo envolvimento nas denúncias de manipulação de resultados no futebol. O STJD ampliou a suspensão e pretende até comunicar a Fifa, praticamente inviabilizando sua transferência para o futebol turco. Se isso se confirmar, será mais um fardo para o Santos suportar. Apesar das dificuldades financeiras, é hora de o Santos refletir muito nessa busca por reforços. Não cabem mais experiências ou apostas, baseadas somente em estatísticas, como muitas que foram feitas na atual gestão e rigorosamente nada acrescentaram. O desafio é contratar bons atletas sem capacidade de investimento, num mercado extremamente nervoso. Paralelamente a essa tentativa de reformulação, impõe-se que o clube identifique os responsáveis pelos atos de vandalismo contra o Corinthians. O mundo hoje fornece tecnologia suficiente para viabilizar qualquer apuração. Só assim, banindo esses ignorantes do futebol, é que o Santos e outros clubes deixarão de ser vítimas da própria torcida. Por sorte, sem dúvida, ainda não aconteceu uma tragédia maior. O último episódio de grupos de baderneiros ocorreu na última semana em São Paulo, envolvendo o atacante Luan, do Corinthians, surpreendido num quarto de motel com mais quatro amigos e quatro mulheres. O jogador, hoje um peso para o Corinthians, chegou a ser agredido e ameaçado de morte. Estranhamente, ao contrário de dois colegas, Luan decidiu não registar um Boletim de Ocorrência, o que permitiria uma profunda apuração. Muito se especulou sobre a postura do atleta, porém, o episódio não pode ser simplesmente esquecido. Com certeza, com auxílio das câmeras de segurança do motel, instaladas nas áreas de acesso, será possível identificar os invasores. Consta que um deles estava até armado, o que pode caracterizar pelo menos tentativa de homicídio. Isso tem que acabar, não cabe mais impunidade. O STJD fez sua parte. O Santos ainda pode recorrer ao pleno do Tribunal, há, contudo, o risco de a pena ser até ampliada.