[[legacy_image_237253]] A definição do novo técnico da seleção brasileira continua causando polêmica, apesar do silêncio absoluto do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues. O dirigente, logo após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo do Catar e a consequente saída de Tite, assumiu a missão em torno do futuro treinador, indicando até que seria uma decisão individual. Difícil acreditar nisso, nesse País em que todo mundo acha que entende de futebol e os palpites e conselhos são inevitáveis. E a responsabilidade é grande. Um erro pode até custar o cargo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Por enquanto, a especulação a partir da CBF é quase zero, com apenas um ou outro nome ventilado, sem muita consistência. No centro da questão, até com debate público, está a possibilidade de a entidade optar por um técnico estrangeiro. Nesse contexto, estão Pep Guardiola, do Manchester City; Zinedine Zidane, sem clube; e Carlo Ancelotti, atualmente no Real Madrid. Este último, diante da especulação mundial, mandou um recado indireto ao Brasil: “Eu estou muito feliz no Real Madrid”. Tal mensagem, sem dúvida, tem duplo sentido: valorização estratégica, para garantir maior pleito financeiro, ou efetivamente falta de interesse em deixar o maior clube do mundo. A opção por um técnico estrangeiro divide até jogadores famosos e consagrados, como Ronaldo e Rivaldo, companheiros de seleção e campeões do mundo em 2002. O meia é radicalmente contrário, enquanto que o Fenômeno se diz favorável, para oxigenação do próprio futebol brasileiro. Os comentaristas, famosos ou não, também estão divididos, sob os mais variados argumentos. Entre os treinadores brasileiros, é óbvio, a grande maioria é contra, com certeza muito mais em termos de reserva de mercado e com base no argumento de que a vinda de um técnico do exterior seria uma grande desmoralização para os nossos profissionais. Numa rápida reflexão, constata-se que, infelizmente, os treinadores brasileiros pararam no tempo e no espaço. Quem, a rigor, é uma novidade promissora ou realmente acrescentou algo de positivo ao futebol brasileiro? Ninguém. Talvez a única novidade recente no setor seja Fernando Diniz, que pelo menos busca privilegiar o talento, fugindo da mesmice que tem caracterizado o esporte no País. Ele ainda é contestado, porém, está acima da grande maioria. A prova maior da falta de opção brasileira é a onda envolvendo a contratação de técnicos estrangeiros, principalmente portugueses. nos últimos anos. Salvo exceção, como Paulo Souza, no Flamengo, os resultados têm sido positivos. O argentino Juan Pablo Vojvoda, do Fortaleza, cobiçado por vários grandes clubes no final da temporada passada, é outro bom exemplo. Assim como o uruguaio Paulo Pezzolano, no Cruzeiro. O de maior destaque, inegavelmente, é Abel Ferreira, do Palmeiras - moderno, sério, profissional e com autoridade natural para comandar qualquer grupo. Com certeza, é uma grande opção para a seleção brasileira. Além das qualidades pessoais, fala português e já conhece a realidade do futebol brasileiro. A adaptação ocorrerá naturalmente, hoje é quase uma unanimidade no Brasil. Poucos sabem, mas o Brasil já foi dirigido por três técnicos estrangeiros, ainda que por curtos períodos. Foram o uruguaio Ramon Platero, no Sul-Americano de 1925; Jorges Gomes de Lima (Joreca), português, em 1944, ao lado de Flávio Costa, em dois jogos contra o Uruguai; e o folclórico, mas competente, argentino Filpo Nuñez. Don Filpo era treinador do Palmeiras em 1965 quando a CBF, numa situação pouco convencional, indicou o clube para representar a seleção brasileira no festival de abertura do Estádio do Mineirão. Na Europa e em outros continentes, é comum o trabalho de técnicos estrangeiros. Esse intercâmbio é extremamente positivo e importante a abertura para novas culturas e experiências. Nada acrescenta se fechar para o mundo. O Brasil precisa evoluir e esquecer a soberba, acreditando que ainda é o melhor futebol do planeta. O mundo mudou e a Copa do Catar é um ótimo exemplo. Que o diga Tite, que se prendeu a convicções pessoais e métodos arcaicos e literalmente contribuiu para novamente adiar o sonho do hexacampeonato.