[[legacy_image_238963]] Depois de duas temporadas medíocres, com a espada do rebaixamento sobre a cabeça, tanto no Brasileirão como no Campeonato Paulista, o Santos inicia seu ano profissional. A estreia aconteceu neste sábado (14), contra o Mirassol, na Vila Belmiro, com direito a mais uma grande homenagem ao eterno Rei Pelé. No uniforme, sobre as estrelas, uma coroa, assegurando reverência eterna ao melhor jogador de sua história e do futebol mundial. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Aparentemente, o Santos promoveu uma pequena revolução em seu departamento de Futebol, começando com a contratação de Paulo Roberto Falcão para o cargo de coordenador esportivo. Boa iniciativa, impossível negar que o “Rei de Roma” entende desse esporte e tem autoridade e história para comandar um grande clube. Falcão chegou para dar uma boa dose de consciência ao Santos, que nos últimos anos se envolveu nas mais variadas aventuras, tanto em termos de treinador como de jogadores. A maior prova desse fracasso de filosofia foram a constante troca de treinadores e a decepção envolvendo vários atletas, contratados como “soluções” e que, na prática, jamais corresponderam. Tanto é que saíram Auro, Luan, Bruno Oliveira, Carlos Sanchez e os equatorianos Jhojan Julio e Brian Ângulo. E ainda foram rescindidos os contratos de Wagner Leonardo, Guilherme Nunes, Jobson e Felippe Cardoso. Quase todos se tornaram também sinônimos de prejuízos, comprovando graves falhas na avaliação prévia e até conhecimento raso de futebol. Em breve também devem deixar o clube os afastados Willian Maranhão, Allanzinho e Tailson. Essa “penca” rigorosamente nada acrescentou em termos técnicos, demonstrando também o resultado de contratações sem um mínimo de bom senso, com os dirigentes se deixando levar pelo “canto” dos empresários. Logo depois da chegada, Falcão indicou o gaúcho Odair Hellman, cujo currículo indica apenas bons trabalhos no Internacional e no Fluminense. Tem, porém, boa imagem, baseada em trabalho e seriedade. Se tiver tempo, poderá até induzir o Santos a uma nova fase. Com Falcão e Hellman, chegaram cinco reforços, nenhum, porém, com status e nível que o Santos necessita. Foram contratados o lateral-direito João Lucas, o zagueiro Messias, o volante Dodi e o atacante “Speed” Mendoza, além do goleiro Vladimir, ex-atleta do próprio clube. Felizmente, permaneceram o goleiro João Paulo e os atacantes Ângelo e Marcos Leonardo, três isoladas estrelas no universo santista. Por tudo isso, parece claro que o grande objetivo do Santos para 2023 é não brigar contra o rebaixamento, principalmente no Campeonato Brasileiro, que deverá ser um dos mais difíceis dos últimos anos, com a volta de Grêmio, Cruzeiro, Bahia e Vasco. Não dá sequer para sonhar com uma eventual disputa por vaga na chamada pré-Libertadores. Quem acompanhou o chamado mercado da bola, desde a Copa do Mundo, observou que a maioria dos clubes efetivamente buscou reforços, independentemente de sua capacidade de investimento. Fora do contexto natural estão apenas Botafogo, Vasco e Cruzeiro, que se transformaram em SAF. O Bahia está seguindo o mesmo caminho, indicando que essa opção tem que ser bem avaliada. É óbvio que a gestão tradicional tem que ser responsável, porém, impõe-se um mínimo de ousadia e criatividade. Sem dúvida, tratando-se de um clube do porte e da história do Santos, é muito pouco ter apenas como alvo a fuga do rebaixamento. Já são quase três anos de vexames e tensões, não cabe exigir mais paciência do torcedor. A verdade é que o clube tem vivido um ciclo que parece interminável, insistindo em modelos que têm poucas chances de sucesso. O pior é que com poucas perspectivas de reversão. Esse apequenamento pode ser fatal. O Flamengo atual é um bom exemplo de que é possível reverter quadros críticos financeiros. O clube carioca está hoje num nível extremamente diferenciado, parece não ter limites para investimentos, superando até o Palmeiras e seu forte patrocinador. Por que, por exemplo, não fazer um “benchmarking” (análise estratégica das melhores práticas usadas por empresas do mesmo setor) com a diretoria do Rio de Janeiro? Com certeza, mais uma vez o Flamengo “sobrará” em todos as competições, talvez apenas o time de Abel Ferreira seja uma ameaça. Aliás, a persistir esse quadro, o Brasil tende a seguir a Espanha, onde apenas Real Madrid e Barcelona efetivamente disputam os títulos. O Campeonato Paulista, inegavelmente, permitirá uma boa análise das possibilidades do Santos. Muitos serão os sinais para indicar o futuro do clube em 2023. Caberá avaliar e agir, sob pena do pior.