[[legacy_image_246021]] A frase é do ex-técnico Muricy Ramalho: “A bola pune”. Assim como a soberba, a empáfia, a arrogância e, principalmente, a falta de humildade. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Ainda está bem viva na memória a festa dos jogadores e dirigentes do Flamengo, no vestiário, após a conquista da Libertadores da América de 2022, derrotando o Athletico-PR na final. O vice-presidente Marcos Braz, conhecido por sua verborragia destemperada e estilo exibicionista, puxou um coro provocando o Real Madrid, até então seu provável adversário na final do Mundial de Clubes, encerrado ontem no Marrocos. Em síntese, dizia que a hora do time espanhol iria chegar e que seriam derrotados. No futebol atual, ninguém pode ser subestimado, a recente Copa do Mundo comprovou isso. Ao provocar o Real Madrid, talvez hoje o melhor clube do mundo, o Flamengo simplesmente ignorou o Al Hilal, seu primeiro adversário na competição. Considerou “favas contadas”, apenas um detalhe no torneio, uma mera formalidade. O resultado foi uma sonora derrota por 3 a 2 e a chance de brigar apenas pelo terceiro lugar. Um vexame, além de uma enorme lição. Afora a postura, na prática, o Flamengo cometeu uma série de erros, dentro e fora do campo. O primeiro deles, sem dúvida, numa decisão surpreendente, foi dispensar Dorival Junior e contratar Vitor Pereira, que havia deixado o Corinthians. Ainda que não seja um grande treinador, Dorival Junior ressuscitou o Flamengo na segunda parte da temporada 2022, pacificou o ambiente interno difícil, próprio de times com muitas estrelas, e conquistou a Copa do Brasil e a Libertadores. Nada mais justo e coerente do que manter o treinador, até em função da proximidade do Mundial. De repente, alegando problemas com a sogra em Lisboa e a vontade de retornar ao seu país, Vitor Pereira deixou o Corinthians e ficou “solto na praça”. Sem maiores justificativas, a diretoria não renovou o contrato de Dorival Junior e anunciou VP, cuja sogra, de repente, se curou ou apresentou uma grande melhora. Foi a troca do simples pela grife. Do Corinthians vieram as maiores críticas, desde a falta de caráter até ofensas como “mentiroso” e “cínico”. Pode até ter ocorrido excessos nas reações, mas o comportamento do treinador foi ridículo e demonstrou que a honestidade não é uma de suas virtudes. Não deve ter vida longa no Rio de Janeiro. A mudança, é óbvio, no campo significou outros métodos de treinos, novo plano tático e até alterações no chamado time titular. Gerson voltou da França como grande esperança, mas o time perdeu João Gomes, volante que era o ponto de equilíbrio entre a defesa e o meio de campo. Depois da viagem em avião fretado, bloqueio de um resort para garantir total privacidade e muita pompa, veio o “jogo fácil”. Novos erros foram cometidos, desde os pênaltis infantis cometidos por Matheuzinho e Gerson, até a expulsão do meio-campista, que tinha recebido cartão amarelo no início do jogo por pura simulação. Na sequência, por clara falta de conhecimento e experiência com o elenco, vieram as substituições equivocadas de Vitor Pereira, a maior delas a retirada de Arrascaeta, um jogador cuja técnica sempre fez a diferença, para a entrada de Pulgar. Com 10, o Al Hilal fez 3 a 1 e o Flamengo só conseguiu reduzir a diferença para 3 a 2. Em resumo, da final com o Real Madrid restou apenas a disputa pelo terceiro lugar, ontem, em Tanger, contra o Al Ahly. Quase perdeu, se não fosse a expulsão de um jogador do adversário, fatalmente teria sido protagonista de nova vergonha. No sufoco, venceu por 4 a 2, no chamado cumprimento de tabela. Não foi a primeira vez que times brasileiros fracassaram na disputa do Mundial de Clubes; Internacional, Palmeiras e Atlético-MG também pararam na rodada inicial. E por motivos semelhantes, desprezando os adversários por sua origem sem muita tradição. Inegavelmente, haverá consequências internas no Flamengo, tanto é que já se fala na chamada “barca de saída”, termo muito usado para indicar a dispensa ou venda de alguns jogadores. O primeiro deles deve ser o chileno Arturo Vidal, inconformado coma reserva e claramente interessado em ir para o Colo-Colo. Ainda no Brasil, se insurgiu com o treinador, comprovando que o ambiente era bem diferente dos tempos de Dorival Junior. No geral, restou comprovado que o futebol brasileiro continua muito distante do mundo, desde a organização até a seriedade com que esse esporte tem que ser encarado. Fica a esperança de que esse verdadeiro fiasco internacional seja devidamente interpretado pelo Brasil. Ridículo De repente, sob ameaça, o Santos arrumou dinheiro para contratar, após a pressão dos torcedores e a invasão do Centro de Treinamento. Até Lucas Lima e Alison, rejeitados por muitos, desembarcaram na Vila Belmiro como esperanças. No pacote, ainda o zagueiro Joaquim e meia-atacante Daniel Ruiz. O momento ridículo mais recente foi o vice-presidente do clube, José Carlos de Oliveira, informar que o Santos estava negociando com Edinson Cavani, uruguaio e ainda estrela na Espanha. Só rindo! Será que imaginou que alguém iria acreditar?