(Rafael Ribeiro/CBF) Certamente o técnico Carlo Ancelotti está muito preocupado. Inicialmente, perdeu Rodrygo, ex-Santos, um de seus homens de confiança para a Copa do Mundo, que começará em junho nos Estados Unidos, México e Canadá. O jogador do Real Madrid sofreu uma grave lesão no joelho direito, com ruptura do ligamento cruzado anterior e menisco lateral. Já se submeteu a uma cirurgia e só deve voltar aos gramados em 2027. Dessa forma, está fora do Mundial. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Depois, veio a contusão muscular de Estêvão, joia revelada pelo Palmeiras e atualmente no Chelsea, da Inglaterra. O jogador sofreu uma lesão muscular grave, de grau 4, na coxa direita, na partida contra o Manchester United, no último dia 18. O diagnóstico mais acurado apontou ruptura quase total, tornando improvável sua participação na Copa do Mundo. Estêvão optou pelo tratamento conservador, evitando a cirurgia, numa tentativa de ainda disputar a Copa. Detalhe: é a terceira lesão muscular desde que chegou ao clube inglês, em julho de 2025. Sem dúvida, levando também em consideração a sua idade, trata-se ainda de um atleta em formação física e o corpo reagiu a tanto esforço físico. Ainda há esperança de que o atacante se recupere para a Copa, porém, inegavelmente não chegará em plenas condições físicas para uma competição que exige o máximo. Estêvão era uma das esperanças do treinador e do Brasil para fazer a diferença técnica, pois se trata de um dos poucos brasileiros que podem ser decisivos no chamado “um contra um”, por sua habilidade e velocidade. No futebol tão burocrático de hoje, com praticamente todos os times ou seleções atuando atrás da linha da bola, só mesmo a criatividade e o improviso podem ameaçar um sistema defensivo rígido. Ontem, mais uma péssima notícia para o Brasil: Éder Militão, outro homem de confiança de Ancelotti, também está praticamente fora da Copa do Mundo. O jogador era preparado para atuar improvisado na lateral-direita, na prática para compor uma linha de três zagueiros e viabilizar o sonho do treinador de montar um time com quatro atacantes. Contudo, Militão, que se recuperou recentemente de uma séria contusão muscular, sofreu uma lesão no bíceps femoral da perna esquerda e, infelizmente, também precisará passar por cirurgia. Se isso ocorrer, sua recuperação demandará cerca de quatro meses, afastando qualquer possibilidade de participar do Mundial. O problema ocorreu no mesmo músculo que o zagueiro rompeu em dezembro do ano passado. A Espanha também está em pânico, pois corre o risco de não contar com Lamine Yamal, sua grande esperança para a Copa. Ele sofreu lesão no bíceps femoral e depende de tratamento conservador. A Europa está no final da temporada em todos os países. É óbvio que a possibilidade de contusão é muito maior. Independentemente de tecnologia e estratégias, é impossível negar que a capacidade física de um atleta tem limite. Em praticamente todo o continente europeu, as principais equipes disputam simultaneamente três ou quatro competições. Na Inglaterra, por exemplo, além da difícil e extenuante Premier League, há a Copa da Inglaterra e a Copa da Liga Inglesa. E mais: os principais times ainda disputam a Liga dos Campeões da Europa ou a Liga Europa. Por aqui, o quadro não é diferente, pois a maioria disputa até quatro grandes competições, como os estaduais, o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e um torneio sul-americano. Detalhe importante: mesmo internamente, as distâncias e viagens são grandes, provocando um desgaste absurdo e aumentando o risco de contusões. Aqui, rigorosamente, como os professores ensinaram, vai-se do Oiapoque ao Chuí, expressão que abrange a diversidade nacional. Na prática, o extremo geográfico real do Norte é o Monte Caburaí (RR), enquanto o Chuí (RS) é de fato o ponto mais ao Sul, totalizando mais de 4 mil quilômetros em linha reta. Sem dúvida, são competições importantes, rentáveis e fundamentais para os clubes manterem suas estruturas profissionais. Contudo, é preciso refletir sobre a preservação dos atletas. No dia a dia do futebol, ouve-se dos treinadores que o atleta não atuará determinada partida por “controle de carga” ou por desconforto muscular. E não há outra opção, sob pena de uma contusão mais grave e longo afastamento do gramado. Esse quadro de exigência também envolve outros esportes, como o tênis e sua sequência de grandes torneios. A perda de um deles pode representar queda significativa no ranking e prejuízos milionários. Recentemente, um dos grandes tenistas foi advertido por violação de tempo ao demorar para realizar o primeiro serviço. A resposta veio de pronto: “Desculpe, não sou máquina”. Na sexta-feira, por coincidência, o fenômeno Carlos Alcaraz anunciou que não participará de Roland Garros em razão de uma contusão no pulso. Mais um alerta!