Entre os novos garotos citados por Messi estão Casadó, Cubarsi, Fermín e Lamine Yamal ( Reprodução/Instagram ) Independentemente do resultado de hoje, sem nenhuma dúvida Lionel Messi é o grande protagonista da Copa do Mundo de 2026, que termina nessa tarde nos Estados Unidos com o confronto entre Argentina e Espanha, duas seleções que desde o início eram apontadas como favoritas ao título. França, Inglaterra, Alemanha, Holanda e até o Brasil ficaram pelo caminho, decepcionando seus torcedores. Uns mais, outros menos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Via de regra, as Copas sempre tiveram grandes destaques, como Romário, Ronaldo Fenômeno, Pelé, Garrincha, Beckebauer, Johan Cruyff, Diego Maradona e vários outros. Essa de 2026 começou com Messi, Cristiano Ronaldo, Mbappé, Vinicius Júnior, Harry Kane, Haaland e, num plano um pouco inferior, Lamine Yamal. E surpresas como Vozinha, que fez grandes apresentações e mostrou Cabo Verde para o mundo. (Divulgação/Uefa Euro 2024/Arquivo) Nenhum, porém, foi tão decisivo como Messi que, aos 39 anos, mostrou que para alguns idade não é problema. Inegavelmente, encantou o mundo, assim como a seleção argentina, com sua garra e incrível vontade de vencer. Nunca se entregou, pelo contrário; os argentinos lutaram como guerreiros, com uma garra de causar inveja, comprovando que futebol não é só técnica. Nesse contexto, o Brasil também decepcionou muito, numa apatia profunda, sem capacidade de reação. As partidas contra Marrocos e Noruega são bons exemplos - em nenhum momento, a seleção brasileira mostrou personalidade de vencedor e inconformismo com o resultado, ao contrário da Argentina, nos jogos contra Egito e Inglaterra. A liderança de Messi não ocorreu apenas por seu nível técnico, deve-se também ao seu profissionalismo, como revelou ontem em uma entrevista: “Eu tenho me preparado para essa Copa do Mundo há quase um ano. Eu passei dezembro na Argentina treinando pela manhã e à tarde, porque sabia que ia dar tudo de mim para chegar na melhor forma possível”. Essa consciência é rara, própria dos grandes fenômenos do futebol. Na prática, vai além do futebol: envolve até mesmo o amor pelo país, desafiando a Fifa e o regulamento que proíbe manifestações de cunho político e religioso. Depois do emblemático jogo contra a Inglaterra, os jogadores não hesitaram em abrir uma faixa alertando que as Malvinas são argentinas e não inglesas. Raros são os jogadores que protestaram politicamente, as exceções no Brasil foram Reinaldo, ex-Atlético Mineiro; Sócrátes e o primeiro que ousou: Afonsinho, ex-Santos e Botafogo do Rio, que teve a coragem de enfrentar e vencer o establishment, ganhando passe livre. Maradona foi outro a contrariar as regras, com consciência política, defendendo e convivendo com Cuba de Fidel Castro e desafiando várias vezes o poder da Fifa. Foi dele, justamente contra a Inglaterra, um dos lances mais bonitos das Copas do Mundo, ao driblar vários adversários num lance épico, além de “invocar” a “mão de Deus” para justificar seu gol de cabeça (ou de mão) contra o goleiro inglês bem mais alto e com o recurso das mãos. As atuações de Messi na Copa que termina hoje ressuscitaram o debate de quem efetivamente é o melhor jogador do futebol de todos os tempos. Entre os craques argentinos, com certeza o melhor foi Maradona, seguido bem de perto por Messi e depois Di Stéfano. Nenhum deles, porém, foi melhor ou fez mais do que Pelé, eleito mundialmente como Rei do Futebol. A comparação entre os três (ou os quatro) é antiga e frequente. Mas, com isenção, até pelos números e conquistas da carreira, tentar destroná-lo é uma heresia (no sentido figurado). Como Pelé comentou uma vez, inicialmente os argentinos precisam definir internamente quem é o melhor entre os três ídolos. Nos últimos dias, ainda que veladamente, surgiu um ar de conspiração de que a Argentina foi beneficiada nessa Copa do Mundo e que tudo está sendo feito para torná-la tetracampeã mundial. Grande besteira: qualquer tentativa verdadeira nesse sentido logo seria desmascarada. Os hermanos (grafia original), que nos odeiam e nos provocam, chegaram à final por méritos e obstinação. Simples: fizeram por merecer. O jogo de hoje será um confronto de estilos bem diferentes. A Espanha com seu relevante sentido coletivo e jogadores como Rodri, Pedri, Nico Williams, Unai Simon e o jovem craque, de 19 anos, Lamine Yamal, do Barcelona, e a Argentina de Emiliano Martínez, Lautaro Martínez, Julian Álvarez e Lionel Messi. Entre Yamal e Messi, são 19 anos de diferença: um em ascensão e outro consagrado, quase um confronto de gerações. Ambos podem levar suas seleções à vitória. Técnica e habilidade não faltam. Numa campanha muito antiga da Unicef, o argentino, com 20 anos, literalmente deu banho no bebê Yamal, então com apenas cinco meses. Foi uma sessão de fotos para um calendário beneficente, envolvendo crianças cujos pais participaram de um sorteio. Por coincidência e acaso, Yamal foi destacado para fazer o ensaio com Lionel Messi. Ironicamente, hoje serão adversários, mas apenas um será campeão.