Desse grupo especial e histórico, sobrou apenas um: o sérvio Novak Djokovic, no auge dos seus 37 anos (Reprodução/Twitter) A primeira semana do US Open, um dos quatro principais torneios de tênis do mundo, está chegando ao fim em Nova Iorque. Infelizmente, já sem três nomes do chamado “big four”, rótulo dado aos quatro tenistas que rigorosamente dominaram o esporte nos últimos anos. Desse grupo especial e histórico, sobrou apenas um: o sérvio Novak Djokovic, no auge dos seus 37 anos. Roger Federer já se aposentou, assim como o britânico Andy Murray. Na prática, o fantástico Rafael Nadal ainda não encerrou oficialmente a sua carreira, porém, há muito seu nível técnico não é o mesmo. Além da idade, o corpo há pelo menos dois anos emite sinais de que Nadal chegou ao limite da resistência física. As lesões se sucedem, assim como as derrotas. Uma das mais recentes foi em Roland Garros, no saibro, seu piso preferido e onde reinou por mais de uma década. Uma pena, pois Nadal, Murray e Federer provocam saudades e deixam o tênis mais pobre. Além do talento, cada um a seu estilo, sempre foram carismáticos e raros tecnicamente, encantando o mundo e valorizando o esporte, com jogadas geniais. Em qualquer esporte, a sucessão é natural, ninguém é eterno, mas o empobrecimento é claro e triste. Os exemplos são claros, como André Agassi, Pete Sampras, John McEnroe, Bjorn Borg e o incrível Jimmy Connors, entre outros. No Brasil, sem dúvida, tivemos Gustavo Kuerten, no ponto máximo, no masculino, e Maria Esther Bueno no feminino. Além desses dois, vários flutuaram ou se aproximaram do grupo top mundial, mas nunca se consolidaram como grandes estrelas do tênis. O Brasil há anos vive de feitos esporádicos ou de promessas que surgem e não vingam no esporte. Nosso maior destaque hoje está no feminino, com Bia Haddad Maia, que já chegou a ocupar a 12ª posição do ranking mundial e hoje é a 22ª. Inegavelmente, ela tem méritos, contudo, dificilmente entrará para a galeria dos nacionais que chegaram ao topo do mundo. No atual US Open, disputado no complexo Billie Jean King National Tênis Center, em Flushing Meadows, Bia Haddad já conseguiu um feito histórico pessoal, ao atingir pela primeira vez a terceira rodada da competição. Além de contar com a maior quadra de tênis do mundo, o Artur Ashe Stadium, o complexo recebeu uma grande renovação e hoje conta com teto retrátil nos dois principais estádios. Seu piso hoje é duro e considerado um dos mais rápidos do circuito de tênis, prevalecendo a velocidade e a estratégia. Na chave masculina, muitas surpresas na primeira semana, com a queda de dois grandes favoritos: Carlos Alcaraz e Novak Djokovic. O espanhol caiu na segunda rodada contra o holandês Botic van de Zandschulp, enquanto o sérvio foi eliminado pelo australiano Alexei Popyrin, por 3 sets a 1. Depois da partida, Djoko disse que “foi um dos piores jogos da vida, uma match horrível”, e que em parte a derrota também se deveu ao desgaste físico decorrente da participação nas Olimpíadas de Paris, quando conquistou a inédita medalha de ouro, derrotando na final justamente o rival Carlos Alcaraz. Nossa grande esperança no masculino, João Fonseca, que recentemente completou 18 anos, infelizmente perdeu na última rodada do torneio de qualificação. Mais uma vez, agora na condição de número 163 do mundo, demonstrou grande potencial, dando a esperança de que o Brasil em breve poderá ter um grande protagonista no tênis mundial. Com a queda dos dois grandes favoritos, o caminho está aberto para o italiano Jannik Sinner atual número 1 do mundo. O jogador, porém, há meses convive com uma contusão preocupante e há dúvidas se suportará duas semanas intensas do torneio. Na teoria, outro com boas chances de conquistar o título é o alemão Alexander Zverev, que na sexta-feira, por 3 a 1, garantiu uma vaga nas oitavas de final. Se vencer o torneio, Zverev poderá chegar a número 2 do mundo. Seu concorrente nessa disputa é o russo Daniil Medvedev, imprevisível na quadra e no seu humor. Fora os três, qualquer resultado será uma grande surpresa, contrariando qualquer previsão lógica. No feminino, pelo menos por enquanto, tudo caminha para que o título fique entre Iga Swiatek, a bielorrussa Arina Sabalenka e a norte-americana Coco Gauff, campeã do ano passado. Gauff e Sabalenka já estão nas oitavas de final. Além das adversárias, terão que suportar altas temperaturas e demonstrar muita força mental. Aliás, a capacidade de concentração tem sido um fator decisivo nos grandes confrontos. O tênis, como disse certa vez Ivan Lendl, grande tenista tcheco naturalizado norte-americano, é também uma “máquina de fazer louco”.