[[legacy_image_216841]] Em longa entrevista concedida esta semana à DirecTV Sports, em Paris, o craque argentino Lionel Messi apontou Alemanha, França, Brasil, Inglaterra e Espanha como favoritos para conquistar a Copa do Mundo do Catar, que começa em novembro. Instado a apontar apenas duas, indicou França e Brasil. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A Argentina, segundo ele, até tem chances de brigar pelo título, porém, terá que se superar e torcer para que solucione alguns problemas. Entre eles, Paolo Dybala e Ángel Di Maria, que estão contundidos e sob ameaça de ficar de fora da competição. Dois jogadores, sem dúvida, que, se vetados, farão muita falta na equipe albiceleste, como gostam os argentinos. A análise de Messi é extremamente lúcida, além de estratégica. Inicialmente, a história mostra que nem sempre é bom chegar a uma Copa do Mundo como grande favorito, muitos já estiveram nessa condição e perderam, entre eles o próprio Brasil. Ao excluir sua seleção, o jogador alivia a responsabilidade do grupo e até o ambiente interno, motivando a equipe. Ao apontar França e Brasil, foi sincero, lembrando que a primeira tem um atleta decisivo, Kylian Mbappé, e um estilo definido. E mais: além de outros jogadores, conta com Karin Benzema, eleito há dias o Bola de Ouro da última temporada. Inegavelmente, dois craques que podem efetivamente fazer a diferença em campo. O Brasil segue na mesma linha, por contar com Neymar, Vinicius Júnior e até artilheiros de alto nível. Nesse contexto, colocar a Argentina num grupo inferior não é real, justamente por contar com um jogador de seu nível técnico. Maradona provou que é possível, a partir de um atleta fora de série, levar uma equipe à grande conquista. Messi, ainda na entrevista, abordou um ponto que parece certo: a Copa do Catar será diferente, pelo período em que será disputada e pelo clima naquele país, predominantemente de forte calor. E mais: para os europeus, será rigorosamente no meio da temporada, com a grande maioria em plena atividade, o que sempre é um risco maior. Com certeza, fatores que terão grande influência. Na prática, a conquista de uma Copa do Mundo decorre de vários aspectos, da tradição até a sorte ou fatos inesperados. Na fase de grupos, a possibilidade de surpresa é bem menor, ao contrário das oitavas, quando ocorrem confrontos únicos e eliminatórios. Em 2018, na Rússia, por exemplo, mesmo como favorito, o Brasil perdeu para a rebeldia tática da Bélgica por 2 a 1 e adiou, mais uma vez, o sonho do hexacampeonato. Sem contar 2014, em pleno Mineirão, quando sucumbiu de forma melancólica para a Alemanha por 7 a 1, num resultado catastrófico. A chamada tragédia do Sarriá, na Espanha, em 1982, também não pode ser esquecida. Era um time mágico, que acabou eliminado por uma Itália que quase não passou da primeira fase. Para muitos, foi a vitória do pragmatismo sobre a arte. Em tese, os “palpites” de Messi são coerentes com a realidade mundial e a história. Contudo, é impossível prever o resultado final. O Brasil, também pela campanha que fez nas eliminatórias e nos últimos amistosos, parece pronto para a Copa do Catar. É, sim, um dos favoritos, não o único. Há alguns dias, conforme determina o regulamento, o técnico Tite enviou para a Fifa a lista preliminar de jogadores para a competição, num total de 55. Por enquanto, não “vazou”, quem sabe venha a público nos próximos dias, como ocorreu em 2018. O treinador, porém, tem o grupo de 26 atletas praticamente definido. Suas dúvidas estão nas laterais, para a reserva de Danilo e Alex Sandro, uma vaga na zaga e nas muitas opções para o ataque. Nada que preocupe, pelo contrário, vale a expectativa extremamente positiva. Só não cabem o “já ganhou” e Neymar colocar sua soberba acima do espírito coletivo.