Segundo o jornal britânico “The Athetic”, a CBF prepara “uma grande jogada” para ter Pep Guardiola (getty images) Não é segredo para ninguém que Pep Guardiola sempre foi o grande sonho do presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, para comandar a seleção brasileira, desde a demissão de Tite, que fracassou em duas Copas do Mundo consecutivas. O dirigente tentou contratar o técnico espanhol antes mesmo do italiano Carlo Ancelotti, atualmente no Real Madrid. Como Guardiola se tornou impossível, principalmente pelo contrato com o Manchester City, Ednaldo Rodrigues acionou o chamado Plano B, passando a sonhar com Ancelotti. Como ambos não deram certo, primeiro apostou em Fernando Diniz e agora em Dorival Júnior. Numa prova da instabilidade que envolve a CBF, Dorival só não foi demitido porque conseguiu duas vitórias seguidas nas Eliminatórias, contra Chile e Peru, suavizando um pouco a posição do Brasil na tabela de classificação. Dorival Júnior, porém, não está seguro no cargo, dentro da CBF há certa desconfiança em relação ao seu trabalho. Consta também que alguns jogadores que têm sido convocados estão insatisfeitos com os métodos do treinador. Para tornar a situação mais complexa, na semana passada, após o Manchester City ser derrotado pelo Sporting, de Portugal, por 4 a 1, pela fase de classificação da Champions League, ainda que em tom da brincadeira, Guardiola disse na coletiva que “desse jeito vou deixar de ser opção para o Brasil”. A declaração, como um rastilho de pólvora, repercutiu por grande parte do mundo esportivo, até porque o contrato do treinador com o clube inglês vai até junho de 2025, portanto, terminará um ano antes da Copa. E mais: até por tudo que conquistou, o grande sonho dele é dirigir uma seleção e disputar um Campeonato Mundial. Coincidência ou não, essa semana o CEO do Grupo City, Ferran Soriano, que controla mais de 12 clubes pelo mundo, entre eles o Bahia, transitou livremente pelo Brasil. Mais diretamente esteve em Salvador, onde garantiu a permanência de Rogério Ceni, e, em seguida, no Rio de Janeiro. O sinal mais claro de que o assunto não é mera especulação surgiu na sede da própria CBF, com uma reunião entre o CEO do Grupo City e o próprio presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues. O encontro foi viabilizado por Carlos Santoro, diretor do Esporte Clube Bahia, clube que tem muita proximidade com o dirigente máximo da Confederação Brasileira de Futebol. A reunião realizada na sede da CBF foi intermediada por Carlos Santoro, o Cadu, diretor do Bahia, e também por pessoas próximas à Federação Baiana de Futebol, onde Ednaldo tem bastante influência e pessoas de sua total confiança. Os participantes procuraram dar um caráter informal ao “bate-papo”, mas, de pronto, rigorosamente reacendeu o sonho de Ednaldo Rodrigues. Segundo o jornal britânico “The Athetic”, a CBF prepara “uma grande jogada” para ter Pep Guardiola. Independentemente de a contratação se confirmar, seria muito positivo a seleção contar com Pep Guardiola. Ele é quase uma unanimidade e inegavelmente reúne todas as condições para resgatar a essência do futebol brasileiro. Basta ver o estilo e a tática de seu time na Inglaterra, sempre com foco no gol. Ao realizar a reunião na CBF, o presidente foi no mínimo imprudente, é impossível acreditar que não imaginava a dimensão e consequências imediatas. Não se pode descartar a hipótese de que tenha sido premeditada. Ednaldo Rodrigues “sabe jogar o jogo” e atuar estrategicamente para atingir seus objetivos. Na última sexta-feira, no Rio de Janeiro, comandou uma Assembleia Geral Extraordinária e alterou o Estatuto Social para permitir um terceiro mandato ao presidente. O documento anterior previa apenas uma reeleição. Com a mudança, Ednaldo Rodrigues poderá continuar no cargo até 2034. E tem mais: a alteração foi estendida para todas as federações e com aprovação também dos 27 presidentes das instituições estaduais. Vale lembrar que Ednaldo Rodrigues assumiu a CBF em março de 2022, para um mandato de quatro anos, portanto, até 2026. Havia um temor de que ele não pudesse pleitear uma reeleição, por ter assumido um mandato tampão após a saída de Rogério Caboclo, afastado por denúncias de assédio sexual. Com a mudança aprovada sexta-feira, Ednaldo poderá pleitear mais um período, sem contrariar o Estatuto da entidade. E tramita no Supremo Tribunal Federal, em grau de recurso, uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que o afastou do cargo. O ministro Gilmar Mendes, porém, concedeu uma liminar e ele recuperou o cargo. Essa disputa judicial provocou uma crise direta com a Fifa, que não reconhece decisões fora dos meios esportivos. Por muito pouco, o Brasil não recebeu uma severa punição. Assim, a conversa inoportuna sobre Guardiola e a mudança do estatuto de forma abrupta confirmam que o Brasil está muito longe de uma gestão séria e profissional do futebol brasileiro.