[[legacy_image_201287]] É no mínimo estranho o recente episódio envolvendo o agora ex-executivo de futebol do Santos Newton Drummond, também conhecido por Chumbinho. Nada contra apelidos ou codinomes, porém, há de se convir que não cabe um profissional do esporte, contratado para representar o clube, ser chamado por um neologismo que, em tradução livre, significa também disfarce ou termo utilizado para esconder a identidade de determinada pessoa. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Com certeza, não é caso de Newton Andrade, é bem provável que se trate de um apelido de infância ou adquirido no meio do futebol. Mas, preciosismos à parte, o executivo foi contratado no dia 13 de julho e sumariamente demitido na última quinta-feira (18), sob suspeita de tentar favorecer o filho, que é empresário na área esportiva, na contratação de um jogador para o Santos. Ficou pouco mais um mês no cargo. Na prática, nada fez, talvez tenha sido decisivo apenas na opção pelo técnico Lisca. Na gestão Andrés Rueda, é o quarto executivo que passa pelo Santos. Antes, foram Felipe Ximenes, André Mazucco e Edu Dracena. Essa instabilidade no setor envolveu também uma frequente troca de treinadores, desde estrangeiros até os chamados nacionais. E mais: também se observaram mudanças no Comitê de Gestão, com a saída de José Renato Quaresma, que era o encarregado, em tal núcleo, de cuidar diretamente do futebol. Num primeiro momento, alegou problema de saúde, porém, mais tarde, admitiu falta de liberdade para trabalhar. Ao deixar o cargo, além de negar qualquer ação para favorecer seu filho na vinda de um jogador para o Santos, Newton Drummond disse que o presidente é quem cuidou diretamente das novas contratações, como Nathan, Luan, Carabajal e, por último, Soteldo, dando a entender que foi totalmente afastado do processo. Tal quadro permite concluir que logo cedo o executivo não tinha a confiança do dirigente. Sem isso, é impossível conviver, assim como a ética tem sempre que prevalecer. Nesse clima, o melhor mesmo foi a demissão, mas é preciso avaliar com mais profundidade o modelo de gestão do Santos. Ainda que o regime seja presidencialista, o mundo moderno demonstra que o estilo centralizador na maioria das vezes não produz bons resultados. É preciso ter interlocutores especialistas, preparados e independentes, com autoridade para se manifestar com liberdade em quaisquer circunstâncias. Não são poucos os que dizem que, administrativamente, principalmente na área financeira, Rueda executa um bom trabalho, buscando o equilíbrio econômico do clube. Entretanto, gestão no futebol não é somente administrativa, o foco de um clube grande como o Santos é muito mais amplo. Tanto no campo como fora dele é preciso um montar um bom time, com espírito coletivo, sob pena de fracasso. Nas redes sociais, os torcedores, sempre um termômetro importante, estão divididos, com alertas importantes, também sobre a excessiva centralização. Vários, porém, reconhecem o trabalho de tentar reconstruir o clube em termos de equilíbrio financeiro. Felizmente, aproveitando a recente janela de transferências, o Santos finalmente se mexeu e anunciou quatro contratações. Na teoria, reforços importantes, com destaque para Luan e o ídolo Soteldo, que passou pelo Toronto FC e depois pelo Tigres, do México, que o emprestou até julho de 2023. Com os quatro, o Santos tem boas chances de consolidar sua razoável campanha no Campeonato Brasileiro e, quem sabe, até sonhar com a conquista de uma vaga na Libertadores de 2023. Nathan e Carabajal têm potencial para qualificar a equipe, afastando definitivamente o fantasma do rebaixamento numa competição marcada pelo equilíbrio e muitas surpresas. As exceções são apenas Palmeiras e Flamengo, só o imponderável evitará que um deles conquiste o título nacional. Ambos, por coincidência, têm grande respaldo financeiro, contam com times de alto nível técnico e vivem um grande momento em campo. Fruto, principalmente, de gestão profissional. Aliás, se enfrentam neste domungo (21), numa partida cujo resultado poderá indicar o futuro campeão.