[[legacy_image_232280]] Ainda que faltem muitos detalhes e informações acerca do projeto global, o Conselho Deliberativo e os associados do Santos, em assembleia geral, aprovaram a proposta de uma parceria para a construção de uma arena multiuso em substituição à Vila Belmiro. A obra é um sonho antigo e temia-se que jamais saísse do papel, por tudo que representa o histórico estádio e pelo espírito conservador do torcedor santista. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em síntese, é um passo para a modernidade, representando até uma grande mudança de mentalidade. Apesar da linda história, a Vila Belmiro é hoje um estádio completamente superado, principalmente em termos de infraestrutura e conforto. Suas instalações, no geral, são precárias, exceção apenas à área dos novos camarotes, contrastando muito até com unidades antigas que existem do lado contrário, no setor oposto aos chamados associados especiais. A priori, o debate em torno da parceria está sendo bem conduzido, não se limitando à alçada da diretoria. O envolvimento do Conselho Deliberativo, contando até com a formação de uma comissão específica para estudar minuciosamente o assunto, foi positivo, dando transparência ao processo. Há muito, na prática, que o assunto deveria efetivamente ter entrado na pauta. No Brasil e no mundo, com ou sem parcerias, está comprovado que a construção de uma arena moderna é também um bom negócio. Um exemplo é o Palmeiras, por coincidência numa ação com a própria WTorre. O novo estádio do Palmeiras, oficialmente denominado Allianz Parque, transformou-se em uma grande fonte de receita, envolvendo publicidade, receita de bilheteria e atrações que vão além dos jogos, com shows e até eventos corporativos. Há alguns anos, o Athletico-PR, ainda que numa modelagem diferente, investiu na construção de sua arena e inegavelmente mudou seu status, a ponto de seu presidente, Mário Celso Petraglia, com sua verborragia destemperada, provocar os chamados grandes que há muito dominam o Brasil. Recentemente, disputou a final da Copa Libertadores, perdendo para o forte Flamengo por 1 a 0. O Atlético-MG segue uma linha semelhante e o novo estádio fica pronto em 2023 - as obras já entraram na fase final. O Flamengo sonha com a sua arena também, comprovando que vale a pena investir na estrutura. Sem dúvida, muitos detalhes ainda precisam ser bem definidos em torno da parceria do Santos. Desde o prazo de concessão, ao que parece, inicialmente, de 25 anos, até as responsabilidades que caberão ao clube para assegurar uma parte do investimento total, estimado em R\$ 400 milhões. Segundo consta, com a venda de cadeiras e camarotes, o Santos precisará reunir cerca de R\$ 200 milhões, um valor alto e indispensável para as fases iniciais. Paralelamente, com antecedência, será preciso também muita atenção com a parte burocrática e legal, desde os termos contratuais até a aprovação de projetos e estudos de impactos ambientais. Nada, porém, inviável, desde que tudo seja conduzido com cautela e sem atropelos. Num dos muitos estudos que passaram por diretorias do Santos, comentou-se até a necessidade de desafetação de parte da área publica localizada na parte posterior ao estádio, por onde normalmente os jogadores acessam a Vila. A anuência municipal, com aprovação da Prefeitura e Câmara, deve ser tratada com bastante atenção, de modo a evitar retrocessos. Durante o período da obra, o time mandará seus jogos na Capital, no Canindé, velho estádio da Portuguesa de Desportos. A recuperação de tal unidade, atualmente degradada e subutilizada, contará com auxílio da Federação Paulista de Futebol. Para uma boa parte da torcida do Santos, acostumada apenas a apoiar o time na Vila Belmiro, será um período difícil. Muitos, com certeza, hesitarão em viajar para São Paulo para prestigiar o time. Essa mudança de hábito fatalmente causará reclamações e protestos. Será preciso paciência, além de compreensão. Paralelamente, espera-se que a atual diretoria mude o perfil técnico do time que sobreviveu à temporada de 2022. De nada adiantará uma nova arena, moderna e atraente, se não houver bons resultados e campanhas que animem o torcedor. Nesse contexto, por sua experiência e vivência, a vinda de Paulo Roberto Falcão é um bom alento. Algumas contratações para a próxima temporada já foram feitas, porém, é preciso qualificar ainda mais o elenco. A grande maioria dos times está se reforçando, apesar das dificuldades de investimentos. Esse movimento quase geral comprova que 2023 será um ano mais exigente. A nova arena, inegavelmente, é um passo importante, porém, apenas uma parte do real futuro do clube.