Primeiro foi Endrick, depois Luiz Guilherme e agora Estêvão, todos jovens talentos vendidos para a Europa. Todos negociados em euros. Em uma conta rápida, o Palmeiras apurou mais de R\$ 950 milhões, quantia suficiente para reforçar um time forte e competitivo, independentemente das vendas para, respectivamente, Real Madrid, West Ham e Chelsea. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Pela legislação, somente com 18 anos completos o jogador pode efetivamente se transferir para o exterior. Endrick, por exemplo, foi negociado no ano passado e só no mês que vem se apresentará ao Real Madrid, após a disputa da Copa América pela Seleção Brasileira. Luiz Guilherme já atingiu a maioridade, portanto, está livre para se integrar ao novo clube imediatamente. Por fim, Estêvão tem 17 anos e só vestirá a camisa do Chelsea em 2025, após o novo Mundial de Clubes, criado pela Fifa. O técnico Abel Ferreira, sempre cauteloso ao avaliar seus jogadores, no início da última semana “se soltou” em meio a uma entrevista coletiva e enalteceu o potencial de Estêvão, destacando que ele é capaz de “fazer maravilhas”. Nenhum exagero, aliás, pois os três são “fora da curva”, usando uma expressão da moda atual. Passam longe da mesmice que caracteriza a grande maioria dos nossos jogadores. Se isso não fosse verdade, não teriam sido vendidos a peso de ouro, mesmo com pouca idade. Rigorosamente, os clubes ingleses e o Real Madrid fizeram um investimento, calculando todas as fases para o retorno. Tanto em termos práticos como financeiros. Por isso é que, via de regra, nas grandes transações, são definidos metas e bônus para o clube vendedor. A venda de estrelas jovens com grande potencial sempre ocorreu, porém, ultimamente tem sido comum. Vitor Roque, negociado para o Barcelona, é mais um exemplo, assim como Vinícius Júnior, Rodrygo e até Neymar. Quanto valem hoje os dois jogadores titulares do Real Madrid? Inegavelmente, o dobro do valor que foram adquiridos. A realidade é clara: o cone Sul e até a grande maioria dos países que compõem a América Latina se constitui num segundo mundo do futebol, principalmente em termos econômicos. O Brasil e outros não têm condições de competir com os grandes do futebol mundial, também pelo modelo de gestão profissional. A consequência é a queda de qualidade do futebol brasileiro, com Flamengo e Palmeiras como exceções, pois têm força econômica para enfrentar o assédio europeu. A convocação da seleção brasileira comprova que há muitos anos os nossos melhores estão espalhados pelo mundo. Felizmente, ainda que lentamente, vários clubes do Brasil estão se conscientizando que a solução é a profissionalização absoluta, delineando o modelo correto de gestão. Além de espetáculo, futebol é hoje um grande negócio, não permitindo mais administrações amadoras e emocionais. Um exemplo negativo muito recente foi o imbróglio envolvendo Dudu, Cruzeiro e Palmeiras. O grande responsável foi o atacante, que além de tudo mentiu sobre o trâmite envolvendo a negociação. Foi Dudu quem iniciou a negociação, procurando o clube mineiro e um diretor de suas relações. Acertou tudo e depois refugou, comprometendo sua imagem no Palmeiras, no Cruzeiro e entre os torcedores. A presidente Leila Pereira deu mais um bom exemplo de gestão e visão ao concordar com a venda do jogador, apesar de seu bom nível técnico. Com certeza, levou em consideração o valor do negócio, o alto salário de Dudu, o maior do Palmeiras e um dos mais altos do Brasil, e sua idade: quase 32 anos. Sem contar que o jogador vem de uma longa inatividade, em razão de uma séria contusão no joelho, e que corre o risco de não repetir seu nível de performance em campo. A presidente foi clara, destacando em entrevista que o ciclo do atacante no Palmeiras havia se encerrado. Num comportamento infantil e irresponsável, também diante da repercussão negativa por tudo que envolveu a negociação, Dudu desistiu do negócio e a presidente e o Palmeiras terão que engolir o jogador até o final de 2025, quando terminará seu contrato. Pelo perfil do treinador e do clube, fatalmente a relação não será a mesma. Até porque o Palmeiras, com parte dos recursos que apurou na venda dos três jovens craques, já acertou a contratação de três reforços. Por enquanto, Leila, Abel e Palmeiras vão aceitar a permanência de Dudu. Na primeira chance, porém, se houver, despacharão como uma bagagem indesejada. Hoje, o futebol profissional e o mercado rejeitam tal comportamento.