(Imagem gerada por IA) Após o Red Bull Bragantino ser eliminado pelo São Paulo nas quartas de final do Campeonato Paulista, o zagueiro Gustavo Marques fez uma crítica de cunho machista à Federação Paulista de Futebol por ter escalado uma mulher — a árbitra Daiane Muniz — para comandar a partida. Em síntese, afirmou que não caberia à entidade designar “uma mulher para um jogo desse tamanho”. O Bragantino perdeu por 2 a 1 e deu adeus à competição. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A declaração teve repercussão imediata e provocou reações de diversos setores. O próprio clube puniu o atleta com multa e o afastou da partida seguinte, contra o Athletico-PR, pelo Campeonato Brasileiro. Até o Governo Federal condenou publicamente a fala. A Federação Paulista foi além e tomou uma decisão correta e simbólica: escalou Daiane Muniz para apitar o clássico entre Palmeiras e São Paulo, pela semifinal do Paulistão. Gustavo Marques ainda será julgado pelo Tribunal de Justiça Desportiva, por infração aos artigos 243-G e 243-F do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que tratam de atos discriminatórios e ofensas à honra. O jogador, em meio à enxurrada de críticas, pediu desculpas publicamente. O arrependimento, embora importante de ser registrado, não apaga a gravidade da conduta. Não se trata de execrar ou amaldiçoar o atleta, mas de aplicar uma punição exemplar, capaz de coibir manifestações semelhantes. Exemplo recente vem da Uefa, que afastou de forma cautelar o argentino Prestianni após manifestação racista contra Vinicius Júnior, na partida entre Benfica e Real Madrid, sem prejuízo de sanção posterior. Infelizmente, episódios como esse seguem se repetindo no futebol. A raiz do problema passa por educação, formação e mudança de comportamento dentro e fora de campo. Um avanço recente foi a regra que limita ao capitão o direito de falar com o árbitro, embora ainda sejam comuns cenas de pressão coletiva durante as partidas. Persistem também atitudes antiesportivas, como a demora proposital para reiniciar o jogo, especialmente nos minutos finais. Algumas medidas já foram adotadas, como o limite de oito segundos para a reposição de bola pelos goleiros, sob pena de escanteio ao adversário. Nesse contexto, soam positivas as mudanças anunciadas pela International Board para coibir o antijogo e tornar as partidas mais dinâmicas, com maior uso do VAR. A partir da Copa do Mundo, a ferramenta poderá ser acionada em lances de escanteio e na aplicação do segundo cartão amarelo. Haverá ainda contagem regressiva para cobranças de laterais e substituições, além da proibição de atletas cobrirem a boca com as mãos durante discussões em campo. Laterais não poderão ultrapassar cinco segundos; substituídos terão até 10 segundos para deixar o gramado, sob pena de o substituto entrar com atraso. O atendimento médico também passará a exigir que o atleta permaneça fora de jogo por um minuto. As mudanças valerão já na próxima Copa do Mundo e, para os clubes, a partir da próxima temporada europeia. A expectativa é de um futebol mais dinâmico e educativo. Não há mais espaço para reações ignorantes ou atitudes que manchem a imagem do esporte. Ao menos, dirigentes e entidades demonstram sensibilidade ao enfrentar o problema.