Quem joga tênis, ou pelo menos acompanha esse esporte com certo conhecimento, com certeza sabe o que exatamente passou a tenista Bia Haddad Maia nos últimos meses. Foi um verdadeiro calvário, um sofrimento absurdo, com a perda gradativa da confiança, até chegar a um ponto insustentável. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Sem confiança (e certo conhecimento ou talento), o risco de fracasso em qualquer atividade é muito grande. Pior que o adversário (a) é a própria mente, numa luta muitas vezes impossível de vencer. Sem dúvida, há chances de superar, mas quando se é uma figura pública a dificuldade é ainda maior, principalmente em razão das críticas. Numa simples partida de tênis, um erro em um momento importante é quase fatal. É comum ler, ou observar, uma notícia indicando que o tenista teve vários matches points (ponto decisivo) e depois perdeu o confronto. Muitas são as histórias em grandes torneios, envolvendo até jogadores que estão no chamado top ten, que desperdiçaram seguidas oportunidades e, no final, foram derrotados. O mental é fundamental na maioria das modalidades, até no futebol, quando a perda de um gol abala a performance na partida. Sem confiança, o atleta passa a hesitar na realização de uma jogada, ou de um golpe, com medo de um novo erro. É preciso coragem e personalidade para controlar a mente e superar o momento. Guga, nosso tenista que foi número 1 do mundo, chegou ao ápice da carreira justamente porque jamais deixou de ser ousado, mantendo seu estilo e arrojo independentemente da situação. Só parou antes do que pretendia porque o corpo ‘gritou’ e disse: “Chega, não dá mais, você chegou ao limite”. Por tudo isso, é até fácil entender o vídeo publicado na sexta-feira por Bia Haddad Maia anunciando pelo menos uma paralisação. Uma decisão difícil. Mesmo para um tenista amador é complicado aceitar a ideia de que tem que parar de jogar definitivamente ou por um tempo indeterminado. Sem dúvida, era inevitável e previsível, afinal, para uma tenista profissional que chegou ao top ten feminino, era muito difícil aceitar os resultados. Foram exatamente 13 derrotas em 13 jogos por chaves principais do circuito profissional da WTA. A fase ruim começou em 2025 e, gradativamente, se tornou um pesadelo ao longo deste ano, num quadro desgastante. Em meio aos resultados negativos, Bia tentou de tudo, desde a mudança de técnico até a disputa de torneios menores, em busca de uma vitória ou campanha que lhe devolvesse a confiança em quadra. Não deu certo. Infelizmente, a cada tentativa, uma nova frustração e até desabafos em quadra, alguns plenamente audíveis, com palavrões e manifestações de desespero. O resultado final foi a queda para 156 do mundo, obrigando-a até a se submeter a torneios qualificatórios para tentar uma vaga na chave principal. Ao anunciar a paralisação na carreira, a paulista de 30 anos inicialmente invocou um recurso legal do tênis, o chamado ranking protegido, benefício que o esporte garante ao tenista que se afasta ao menos por seis meses do circuito oficial. Com isso, mesmo sem disputar qualquer torneio, manterá seu posto atual, evitando uma queda bem maior. Assim, na prática, não disputará mais nenhuma competição em 2026, entre elas o US Open, o último Grand Slam do ano, nos Estados Unidos. Uma pena, a cada temporada é o sonho de todo tenista participar de tal torneio, disputado nas quadras rápidas de Flushing Meadows – Corona Park, no bairro de Queens, em Nova Iorque. No vídeo em que anunciou a paralisação da carreira, Bia Haddad terminou com um “até breve”, indicando que pode retornar ao tênis em 2027. O mais provável é que não volte, iniciando uma nova vida fora das quadras – já anunciou até que vai ficar noiva e, com certeza, se tudo der certo, vai se casar. O noivado foi anunciado em julho, em Roma. Aqui uma história bonita: Alex Daoud, seu amigo de infância, ao pedi-la em casamento, entregou uma carta escrita por ele em 2006, aos 10 anos, na qual dizia que seu sonho era casar com ela. Um momento de grande emoção, inegavelmente. No vídeo de paralisação da carreira, Bia Haddad não deu muitos detalhes de seu momento atual, falando que a vida “não tem sido fácil” e que lutou muito contra fatores “muito mais exteriores”. E mais: não fixou prazos e metas, deixando o futuro em aberto. Inegavelmente, Bia Haddad Maia merece ser reverenciada por tudo que fez no tênis profissional. Em síntese, fez história no tênis brasileiro e mundial. As sucessoras podem ser Victoria Barros e Nauhany ‘Naná’ Silva, juvenis que já estão no profissional e têm demonstrado grande potencial.