( Peter Glaser/Unsplash ) A pouco mais de 80 dias do inicio da Copa do Mundo, o técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, caminha firme para definir o grupo de 26 jogadores que tentarão o hexacampeonato. E mais: quebrar um jejum de 24 anos, pois o último titulo mundial foi conquistado em 2002. Trata-se de uma longa seca, igual ao período entre 1970 e 1994. Para um país que se julga o melhor futebol do mundo, é quase um crime de lesa pátria, expressão que define um atentado contra a soberania, integridade e interesses fundamentais de uma nação. A sequência de fracassos condena e sacrifica técnicos e grandes jogadores, transformando-os em vilões. Tite, atualmente comandando o Cruzeiro, foi a última vítima, pois teve duas chances de se consagrar e acabou ejetado do cargo. O desespero de conquistar novamente um título mundial levou a CBF a optar por um técnico estrangeiro, o italiano Ancelotti, cuja carreira é sinônimo de sucesso. Muitos profissionais da área contestaram, porém, felizmente, a confederação não transigiu e o trouxe a peso de ouro. Uma iniciativa absolutamente correta, nossos velhos treinadores pararam no tempo e o processo de renovação ainda não de consolidou. Praticamente são os mesmos há anos no mercado, numa dança de cadeiras com prazo curto de validade. A maior prova disso é a “invasão” de estrangeiros, principalmente portugueses e argentinos. O mais longevo deles é Abel Ferreira, do Palmeiras. Ancelotti, inegavelmente, vem fazendo um grande trabalho, não hesitando em realizar testes e experiências. Amanhã, faz sua última convocação antes da Copa do Mundo, para a disputa de dois amistosos nos Estados Unidos, contra França e Croácia. Dois grandes testes, que servirão para o treinador praticamente definir o grupo de 26 atletas. É óbvio que até a chamada final podem ocorrer mudanças, principalmente por contusões, como a que afetou Rodrygo, revelado pelo Santos e atualmente no Real Madrid. Sem dúvida, o jogador fará muita falta, por sua qualidade técnica e por ser um dos nomes de confiança de Ancelotti. Afinal, trabalharam juntos por anos no clube espanhol. Segundo muitos especialistas, o grupo que vai para a Copa está bem encaminhado, e Ancelotti tem poucas dúvidas, até no gol, além do ataque. A maior delas é, inegavelmente, Neymar, o maior talento do futebol brasileiro e ainda um dos três melhores do mundo. O ídolo do Santos e do futebol mundial terá hoje sua grande chance de comprovar que, independentemente de seu estágio físico, tem que estar entre os 26 que tentarão o hexa. Recentemente, o genial Romário, realizou uma longa entrevista em seu podcast com Renato Gaúcho, que foi craque e há poucos dias assumiu o Vasco da Gama, estreando com uma vitória sobre o Palmeiras por 2 a 1. Em comum, ambos têm um histórico de verborragia destemperada, polêmicas, provocações e confusões dentro e fora do campo. Impossível, contudo, negar o nível técnico dos dois atacantes. Obviamente, um dos assuntos da entrevista foi a convocação de Neymar para a Copa do Mundo. Nenhuma divergência, pelo contrário, pois ambos concordaram que o atacante santista tem que ser convocado para os dois amistosos e, se estiver livre de contusões, para o Mundial. Os argumentos são simples: o nível técnico de Neymar e sua incrível capacidade de decidir uma partida em um único lance. Ou até mesmo criar uma jogada que termine em gol e mantenha o Brasil na busca de seu sonho. Ao contrário da grande maioria, ele não precisa de muito tempo, basta um par de segundos. Seu raciocínio e visão são raros, muito acima dos pobres mortais. Recentemente, veículos como a Four Four Two, World Soccer e Rádio ABC elegeram a seleção brasileira de 1970 como a melhor equipe de futebol de todos os tempos, superando times como a Holanda de 1974 e o próprio Brasil de 1982. Ambos não ganharam, mas foram fantásticos e encantaram o mundo. Clodoaldo Tavares Santana, que jogou a Copa do México e conquistou o tricampeonato, numa conversa informal, recentemente, foi perguntado sobre quem dos atuais selecionáveis jogaria naquela seleção. De pronto e de voleio arrematou: Neymar. O questionamento foi imediato: “E quem você tiraria do time, Jairzinho, Tostão, Rivelino, Gerson (Pelé nem foi cogitado)?”. Depois de longa reflexão, com seu jeito simples, Clodoaldo disse: “Nenhum desses, ou melhor, ninguém. Eu jogaria com 12”.