(Reprodução/X) É óbvio que o mais importante foi a vitória sobre o Paraguai por 4 a 1, na sexta à noite, nos Estados Unidos. O resultado tem várias utilidades, entre elas a perspectiva de que a equipe realmente recupere o seu DNA e que realize uma Copa América num nível bom. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O Brasil foi um time bem diferente daquele que enfrentou a Costa Rica e apenas empatou por 0 a 0. Não importa se a equipe da América Central jogou totalmente fechada, visando apenas o empate. A vitória era uma obrigação, basta estabelecer um paralelo com a Colômbia, que ganhou por 3 a 0 e é líder do Grupo com 6 pontos (na estreia também venceu o Paraguai). Brasil e Colômbia se enfrentarão na terça-feira para encerrar a fase de grupo e definir quem terminará na liderança. É importante garantir o primeiro lugar, talvez evite um confronto direto nas oitavas contra um adversário de ponta, como Uruguai, por exemplo. O jogo contra o Paraguai também mostrou outros aspectos interessantes. No geral, o Brasil foi uma equipe com objetivo bem definido, demonstrando uma postura que há muito não se via. Desde o início se impôs, com personalidade, não se intimidou com a violência do adversário e nem com a linha de atuação da arbitragem, que rigorosamente deixou o jogo correr, ignorando lances que normalmente são considerados faltosos. Ao optar por Savinho e Wendell como titulares, o técnico Dorival Júnior deu mais mobilidade ao time e mudou muito o perfil de atuação, principalmente no aspecto ofensivo. O que mais chamou a atenção, porém, foi a disposição de Vinícius Júnior, desde o primeiro minuto. Vini Júnior, como é conhecido na Europa, justificou na seleção brasileira a condição de um dos melhores do mundo. Talvez até o número 1 e grande favorito à Bola de Ouro. Foi literalmente infernal: fez dois gols, deu dribles plásticos utilizando até a conhecida carretilha, e fez de sua velocidade e habilidade armas mortais para abalar a defesa do Paraguai. De forma clara, desestabilizou o sistema defensivo do adversário. O jogador, pela primeira vez nesta fase de estrela mundial, foi protagonista do time brasileiro. Em alguns lances até abusou de seu fantástico nível técnico, irritando os adversários e provocando reações agressivas. Em síntese, fez o que todo torcedor espera dele. A grande curiosidade é a razão dessa transformação de Vinícius Júnior. A cobrança geral, sem dúvida, incomodava o jogador, com muitos acreditando que ele seria mais um jogador apenas com espírito de clube. Vários atletas enfrentaram esse tipo de situação, jamais conseguindo repetir na seleção o que faziam em suas equipes. A consequência foi o afastamento gradativo da equipe nacional. A seleção brasileira e a condição de craque exigem no mínimo muita regularidade. Não basta atuar bem apenas em um jogo, o ídolo se caracteriza também pela boa sequência de atuações. É importante registrar que em nenhum momento houve fragilidade de marcação, pelo contrário, os paraguaios tentaram reduzir os espaços a todo instante. Foram, contudo, incapazes de conter o brasileiro visando apenas a bola. A saída foram a violência e as ameaças, colocando em risco a integridade do atacante brasileiro. Se Vini Júnior mantiver esse nível de atuação, o Brasil tem tudo para lutar pelo título da Copa América. Os concorrentes mais fortes continuam sendo Argentina e Uruguai, e talvez até a Colômbia, que há tempos vem mostrando um futebol competitivo e de boa qualidade técnica. O Uruguai, agora comandado pelo El Loco Bielsa, não tem se limitado a atuar apenas com a garra tradicional. A partir do atacante Darwin Núñez, do Liverpool, em grande fase, pode ser considerado como um dos favoritos. Foram dois jogos e duas vitórias convincentes. A Argentina, por sua vez, continua forte e com a base da última conquista mundial. E tem ainda Lionel Messi, com sua incrível categoria. Apesar da idade e de atuar na liga norte-americana, cujo ritmo é bem diferente, ainda é decisivo. Assim, Brasil, Argentina e Uruguai continuam como grandes favoritos. Salvo a imprevisibilidade do futebol, com certeza o título ficará com um deles. Vini Júnior poderá fazer a diferença e recolocar a equipe nacional no caminho das grandes conquistas do futebol mundial.