(FreePik) Nem sequer começou o novo ano e os clubes brasileiros demonstram insatisfação com o calendário nacional e também internacional. Não há como dissociar os dois, estão interligados diretamente, sob vários aspectos. Entre eles há, por exemplo, a autonomia da Fifa sobre o mundo do futebol. O maior exemplo dessa interferência direta é o novo modelo do Mundial de Clubes, que será disputado no período de 15 de junho e 13 de julho nos Estados Unidos com oito grupos com quatro times cada, sendo quatro do Brasil. Rigorosamente, paralisará o Campeonato Brasileiro e outras competições pelo mundo. Nesse período, por exemplo, aos clubes brasileiros restará a disputa de amistosos ou rápidas excursões, na expectativa de manter os elencos em atividade e principalmente criar novas receitas para cumprir os compromissos internos. O calendário proposto para o ano de imediato impactou o Campeonato Paulista, cujo início teve que ser antecipado e quase impediu a participação de clubes brasileiros em torneios internacionais, de curta duração. Só não inviabilizou em razão da boa vontade da Federação Paulista de Futebol em remanejar datas e literalmente ‘espremer’ rodadas. Haverá reflexos na qualidade dos jogos e consequentemente nas receitas dos clubes. É preciso também avaliar a simultaneidade de disputar o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil, a Copa Sul-Americana e a Libertadores. São rentáveis, porém desgastam os times. Essas disputas também são uma séria ameaça na campanha dos clubes no Campeonato Brasileiro, com um regulamento que prevê a queda dos quatro últimos colocados para a Série B. Não é a toa que clubes como Atlético-MG, Fluminense e Grêmio, este ano, viveram grande tensão até praticamente a última rodada. A rigor, apenas o clube gaúcho tem uma justificativa, em razão da grande tragédia que envolveu o estado. Por circunstâncias diversas, alguns clubes acabam priorizando as competições internacionais e se complicam no Campeonato Brasileiro. O rebaixamento anual de quatro equipes é outro tema que merece reflexão. Num torneio com 20 clubes representa exatos 20% de times rebaixados. O maior exemplo para justificar um grande ajuste no calendário e no modelo atual é o Botafogo, que decidiu e ganhou a Libertadores num fim de semana, dias depois entrou em campo para conquistar o Campeonato Brasileiro e à noite seguiu para Doha, no Catar, para tentar a inédita conquista da Copa Intercontinental, na prática o velho Mundial de Clubes com ‘nova roupagem’. Depois de quase 17 horas de viagem, com escala no Marrocos, desembarcou no mundo árabe, enfrentou um fuso horário de seis horas, treinou no dia seguinte e 24 horas após entrou em campo para enfrentar o Pachuca. O resultado foi uma derrota incontestável por 3 a 0 e a sumária eliminação. Em condições normais, pelo que apresentou nas duas grandes conquistas de 2024, com certeza teria vencido ou pelo menos realizado uma apresentação no nível que encantou o Brasil. Inegavelmente, desumano. A única saída é exigir uma grande mudança, sob pena do futebol, pelo menos no Brasil, continuar sendo uma velha sombra do passado. O movimento, porém, terá que ser mundial.