(Lucas Figueiredo/ CBF) A primeira missão foi cumprida, apesar do sobressalto na estreia contra o Marrocos, quando o Brasil empatou por 1 a 1 e fez um jogo sofrível, causando dúvidas e até medo em relação ao futuro na Copa do Mundo. Vieram duas vitórias, uma óbvia, contra o Haiti, e outra até convincente, contra a Escócia, ambas por 3 a 0. Agora a etapa é outra. Quem perder, volta para casa direto, sem perdão e sem escala. Contra a Escócia, um time de segunda prateleira no futebol mundial, a seleção brasileira emitiu sinais de que está evoluindo, mostrando equilíbrio entre os três setores, com Rayan no lugar de Raphinha, contundido, e a indicação de que Vini Júnior pode ser realmente o protagonista. E contou ainda com a volta de Neymar, que se movimentou bem, nada sentiu e parece pronto para ajudar o Brasil nessa difícil caminhada. Nos últimos dias, o assunto principal foi a especulação de quem seria o adversário do Brasil nos “16 avos de final”, nome oficial dessa fase da maior Copa do Mundo da história. Muitos foram os palpites, envolvendo principalmente Holanda, Japão e Suécia. Deu Japão. Até outubro passado, era o chamado “freguês de caderneta” – o Japão jamais tinha vencido o Brasil. Naquele mês, porém, em Tóquio, num amistoso, os japoneses venceram por 3 a 2, de virada, após um placar adverso de 0 a 2. O mestre Didi, craque da seleção brasileira, inseriu na história do futebol a seguinte frase: “Treino é treino, jogo é jogo”. Com certeza, pode ser ampliada para “amistoso é amistoso, Copa é Copa”. Inegavelmente, o Japão evoluiu nas últimas décadas, fruto principalmente do intercâmbio com o futebol mundial e da “importação” de jogadores e técnicos, muitos dos quais se tornaram ídolos históricos naquele país. Um dos maiores é Zico, que até estátua ganhou em praça pública. O Japão não pode ser subestimado, contudo, o Brasil é favorito. Os japoneses estão confiantes, falam em vitória e até em conquista do título. Um exagero, sem dúvida, arroubo verbal aceitável, não poderia ser diferente. O bom atacante Maeda disse que sua seleção pode derrotar qualquer adversário e o veterano Nagatomo, de 39 anos, garantiu que até o momento não há motivo “para estarmos satisfeitos”, numa clara demonstração de que estão confiantes e que pretendem ir longe nesta Copa do Mundo. Arrogância ou não, os japoneses estão confiantes e otimistas, acreditando até em um famoso matemático que garante que a seleção vai vencer o Brasil. O técnico Carlo Ancelotti deve manter o mesmo time que superou a Escócia, com Rayan como titular e Neymar como opção na reserva. Está absolutamente certo, não há motivo para mudar, até o goleiro Alisson voltou a jogar bem, com defesas importantes contra a Escócia. Matheus Cunha se consolida a cada jogo, assim com Vini Jr. e Bruno Guimarães, já cobiçado pelos grandes times da Premier League. A partir de amanhã, será pura emoção envolvendo o Brasil e as seleções que efetivamente têm condições de conquistar o título. Os chamados favoritos continuam firmes, como França, Espanha, Argentina, Alemanha, apesar da surpreendente derrota para o Equador, e até a Holanda. Nessa fase de grupos, a rigor, apenas o Uruguai fracassou, ao perder para a Espanha por 1 a 0 numa falha incrível do goleiro Muslera. O fracasso uruguaio tem origem mais profunda, não pode ser creditado apenas ao goleiro. A relação do grupo com o técnico Marcelo Bielsa foi conturbada desde as Eliminatórias e durante a Copa houve até “tentativa de golpe” por parte das lideranças do grupo, exigindo mudanças táticas. Não deu certo, El Loco Bielsa resistiu, porém, o pior era inevitável. Copa do Mundo é assim mesmo, tem momentos de alegria, de tensão, de grande tristeza e decepções. Alguns emocionantes, como o protagonizado pelo goleiro Vozinha, da seleção de Cabo Verde, agora um ídolo mundial; ou como o final do jogo entre Egito e Irã, que teve um gol anulado nos acréscimos, e vários outros. Fora do campo, as torcidas têm feito sua parte e até quebrado protocolos. Os brasileiros tomaram a Times Square e até uma praia de Miami, além de obrigarem um policial americano a fazer embaixadas em plena rua, cercado por uma multidão. Os noruegueses apresentaram a comemoração “rema-rema”, envolvendo até os parlamentares daquele país durante uma sessão legislativa. Não faltou sequer o coro em um estádio de Sweet Caroline, imortalizada por Neil Diamond.