[[legacy_image_275292]] De repente, ao acaso, um encontro que de pronto remeteu a um tempo em que o Santos era sinônimo de alegria e vitórias. De longe era difícil ter a certeza de que se tratava de um dos grandes volantes que o time revelou, afinal, o tempo passou e com ele a juventude e disposição. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! https://assine.atribuna.com.br/loja/ No geral, porém, o perfil físico ainda permanece, assim como a postura reta e intimidativa. No seu tempo, ao lado, em campo, jogavam Paulo Isidoro e Pita, duas estrelas de um time rigorosamente vencedor. De perto, impossível não reconhecer o “velho” Dema, volante completo, com todas as virtudes que o futebol exige, desde a técnica até a jogada mais dura, a alertar que o setor tinha dono. Se não tinha a beleza do futebol de Pita, Isidoro e outros, compensava com uma capacidade de marcação e visão de jogo raras no futebol. A conversa fluiu rapidamente, envolvendo desde os tempos de jogador ao momento atual do Santos, um dos mais críticos dos últimos anos. Uma frase de Dema, hoje exercendo uma atividade profissional importante, longe do futebol, de pronto chamou a atenção: “Quem ganha jogo é jogador... Alguns técnicos até ajudam um pouco, mas muitos atrapalham”. Na sequência, sem críticas pessoais a este ou aquele jogador do atual elenco, Dema reforçou a tese de que o Santos precisa qualificar o seu elenco, sob pena de viver permanentemente a ameaça de rebaixamento para a Série B. Essa necessidade, apesar de óbvia, parece não ter eco na atual diretoria do Santos, ignorando a realidade atual. Por coincidência, na mesma linha, o Centro de Treinamento do Santos foi ontem, mais uma vez, alvo de protestos de várias torcidas organizadas, com ofensas de todo tipo e ameaças das mais variadas. Além de reforços, exigiram garra e respeito ao clube, alertando que o jogo contra o Corinthians, na Vila Belmiro, na próxima semana, é o “limite da tolerância”. Não cabe, sem dúvida, por parte da torcida, esse tipo de postura, envolvendo até promessas de agressão física. O correto é que atuem no limite das arquibancadas ou, no máximo, com manifestações pacíficas, a demonstrar a grande insatisfação de forma equilibrada. Por coincidência, nas últimas 48 horas, a diretoria exerceu a opção de compra do atacante Soteldo, um dos poucos com qualidade acima da grande média. Com certeza, uma iniciativa correta, sem dinheiro para investir, era a opção mais viável para evitar perda de qualidade do elenco. Em meio à parada obrigatória determinada pela Data Fifa, a maioria dos times seguiu tentando reforçar seus elencos. O Flamengo continua sendo o mais ousado, disposto a recuperar o prestígio perdido com alguns desmandos cometidos pela diretoria. Internacional, Atlético-MG e até o Corinthians, dentre outros, também estão ativos no mercado, observando principalmente a abertura da chamada janela de transferências, em julho. O São Paulo foi mais longe: a pedido do técnico Dorival Júnior, contratou o ex-gerente de mercado e chefe da área de scout do Ceará, João Marcos Soares, com quem trabalhou no ano passado. A preocupação do treinador é justamente a janela de transferência, que pode causar perdas ao atual elenco do clube. Segundo o técnico, é preciso estar atento aos movimentos do futebol, de modo a reforçar o grupo ou pelo menos minimizar perdas. Por ironia, e rigorosamente no sentido contrário, observa-se na Vila Belmiro a expectativa em torno da possibilidade de venda de Marcos Leonardo e Ângelo, dois jogadores de bom potencial técnico e rara lucidez no elenco atual. Essa postura causa apreensão e descarta qualquer perspectiva de mudança radical do quadro atual. Chama a atenção o silêncio quase obsequioso de Paulo Roberto Falcão. Por sua história no futebol, tem todas as condições para coordenar uma mudança de filosofia na Vila Belmiro. Não basta apoiar incondicionalmente a permanência de Odair Helmann, acreditando que o time vai evoluir. O treinador, vale ressaltar, já tentou de tudo, porém, o elenco não responde. Pelo contrário, a cada rodada demonstra que há muito chegou ao seu limite. A impressão, a distância, é que falta pouco para o “Rei de Roma” renunciar ao cargo. Até para preservar sua história. P.S.: Por coincidência, no dia seguinte, um novo encontro inesperado, desta vez com Clodoaldo Tavares Santana, outro volante histórico do Santos e da seleção brasileira. Obviamente, futebol foi o tema central, com destaque também para a preocupação de Clodoaldo com a situação de grandes jogadores que fizeram história no Santos. São histórias tristes e comoventes. Ao seu limite, Clodoaldo tem procurado ajudar a cada um. Um exemplo a ser seguido.