(Raul Baretta/ Santos FC) A cinco rodadas do término do Brasileirão – a última será no dia 7 de dezembro – o quadro é de esperança e pânico. Na parte de cima, o panorama está bem definido, confirmando a expectativa inicial: a conquista do título se restringe a Flamengo e Palmeiras, clubes que têm time e, principalmente, elenco, além de uma boa condição financeira. A diferença entre os dois é de apenas três pontos, 73 a 70. Em tese, o clube paulista precisa de pelo menos quatro pontos para superar seu concorrente e tem a seu favor o fato de a tabela marcar para o Nubank Parque o confronto direto do segundo turno, no próximo dia 21. Na primeira fase, no Maracanã, venceu por 3 a 0. Se derrotar o clube carioca, admitindo-se que ambos vençam todos os seus jogos, haverá empate no número de pontos, ficando a decisão para o primeiro critério do regulamento, que é a quantidade de vitórias. Nesse caso, a vantagem é do Flamengo, que hoje tem duas a mais do que o Palmeiras. Por isso a necessidade de tirar no mínimo quatro pontos. Na terceira posição, está o Cruzeiro, com 57 pontos, a 13 dos dois protagonistas da competição. Deve permanecer nessa condição e conquistar uma vaga direta para a Libertadores, o que já será um feito. Uma vaga nessa competição internacional ou na Sul-Americana disputam Santos, Atlético-MG, Bahia, Athletico-PR e Fluminense. São Paulo e Bragantino ainda sonham em participar desse bolo. O número de vagas na Libertadores do próximo ano vai depender dos resultados das finais das duas competições internacionais, que envolvem times brasileiros, e ainda da Copa do Brasil, cujas semifinais começam hoje. Enfim, todos esses que estão na chamada primeira parte da tabela, até o décimo lugar, podem ter bons sonhos. O sentimento de pânico está mesmo reservado para a parte de baixo da tabela, que definirá os quatro que serão rebaixados. Por enquanto, os dois mais ameaçados são Chapecoense e Remo, respectivamente com 21 e 29 pontos. O clube de Santa Catarina tem um jogo a menos e, se vencer, acumulará 24. Numa linguagem médica, está na UTI, só milagre o livrará da queda. O curioso é que os dois, nas últimas rodadas, emitiram sinais de recuperação, vencendo jogos importantes. Com o rebaixamento dos dois praticamente certo, a dúvida é quem serão os outros dois, entre Internacional, Grêmio, Corinthians, Mirassol, Vitória, Vasco, Coritiba e Botafogo. Vale ressaltar: nesse quadro estão pelo menos cinco grandes clubes do futebol brasileiro, com títulos, tradição e história. A cada rodada o quadro se modificará, num sobe e desce impossível de prever. O mais emocionante é que a tabela terá confrontos diretos entre os clubes, no chamado jogo de seis pontos. Nos próximos dias haverá partidas como Chapecoense e Mirassol, Internacional e Coritiba, Flamengo e Grêmio, Athletico-PR e Vasco, Botafogo e Atlético-MG. Uma derrota pode ser o fim e o adeus à esperança de continuar na elite. O Corinthians, que não vencia há 10 jogos, ou exatos 81 dias, derrotou na sexta-feira o Mirassol por 2 a 0, mas nem assim deixou a zona de rebaixamento, é o 17o colocado, com 36 pontos, um a menos do que Mirassol e Grêmio. Seu maior feito foi passar o Internacional, agora 18o. Sua próxima partida será contra o São Paulo, na Vila Belmiro, já que o MorumBis será sede de mais um show internacional. Segundo experientes estatísticos, ainda tem chances razoáveis de escapar da queda, pelo nível e possibilidades de seus próximos confrontos. Os mesmos analistas cravam que pelo menos dois grandes do Brasileiro deverão disputar a Série B em 2027. Entre o topo e a parte final da tabela, serão muitas emoções, como manda o bom futebol. O ex-técnico Vanderlei Luxemburgo e agora também um candidato político fracassado, que não conseguiu se eleger senador por Tocantins (teve apenas cerca de 68 mil votos), definiu bem essa questão do rebaixamento: literalmente, é a “zona da confusão”. Ou o tradicional “salve-se quem puder”.